Hey Drew, cabeça de bigorna!

No extinto desenho animado, Arnold morava com os seus avós, idosos ativos e com o espírito jovem, enquanto o protagonista estava por muitas vezes cabisbaixo e preocupado com alguma coisa. Seu lado mais sério em contraste com o ar descontraído dos seus avós me lembrou de imediato Drew e Zeek. O neto ainda continua na busca por um trabalho que dê mais segurança financeira enquanto Zeek apenas quer curtir a vida após o susto que passou com a cirurgia cardíaca. Visível a ausência de Camille e Crosby, mas principalmente, de Adam e Kristina, com aquela história de “viagem por motivos profissionais” meio mal construída. Estou ciente sobre o regime de contrato atual do elenco, mas poderiam ter feito algo um pouco mais plausível em “These Are the Times We Live In”, quem sabe, algo na família de Kristina ter acontecido, e quem sabe, episódio que vem focar nisso. Aliás, acredito que Parenthood irá terminar e não vamos conhecer quem são os pais de Kristina, Joel, o background da vida de Camille, em resumo, a vida pré-Braverman dos personagens que não são Braverman desde sempre.

Voltando em Drew e Zeek, gostoso ver os dois passando um tempo juntos, e mostrar que Zeek também tem o seu lado diversão igual Crosby, e Drew, estar seguindo os passos sérios de Adam. Assim como ocorre em muitas famílias ou relacionamentos, precisa de uma pessoa de fora para perceber e dizer pequenas coisas que muitos não conseguem enxergar quando estão envolvidos em uma determinada situação, e essa foi a função de Natalie. Leitores, confesso que no começo não conseguia ter uma afeição por ela devido a Amy, ex-namorada de Drew. Hoje, vejo que ela traz um frescor grande para a série e principalmente para o próprio Drew, e que coincidentemente, me faz lembrar muito de Sarah, que possa a mesma imagem. Descontração. Seria algo que Freud justificaria, a semelhança entre a mãe e a namorada.

Apesar de ter Julia e Sarah, duas protagonistas da série presentes no episódio, percebi a falta de algo. Gosto muito das duas, porém, é inegável que nenhuma das duas conseguem segurar o telespectador por muito tempo, e ainda arrisco dizer, que Sarah sofre mais com isso do que Julia. Talvez a falta de storylines cativantes podem ser o problema, com Sarah sendo uma coadjuvante em sua relação com Hank e Julia estar nesse vai-e-vem com Joel há um bom tempo, porém, parece que as suas histórias foram apenas secundárias se comparadas a dos seus outros irmãos. Em “These Are the Times We Live In” investiram pesado nas habilidades maternais de Amber, que trouxe um ar bem cômico para um episódio no mínimo sério, e Max, mais uma vez, trouxe a atenção para si mesmo em suas cenas. Momento fofura ficou com Nora e as suas falas, que teve mais falas neste episódio do que tem toda a série.

Para não desqualificar a falta de interesse em Sarah, a sua história com Sandy pautada no tema  “como criar Ruby” chamou bem a atenção. Desconfortável a situação entre a família Hank e Sarah, ficando excluída, deixada sozinha, e mais estranho ainda essa aproximação entre Hank e Sandy nessa altura da série, com ele curando as cicatrizes do passado e se reunindo em família com Ruby. Quando a ex-mulher de Hank disse não querer Sarah perto dela ou de sua filha, ela não estava para brincadeira mesmo, e para finalizar o episódio em um “…e viveram felizes para sempre” pensei que Sarah ia ser convidada para ir com eles para a sorveteria. Mas não leitores, e os roteiristas ainda trollaram a gente fazendo no finalzinho pensar que Sandy realmente iria convidar Sarah. Seria uma indireta de qual será o final de Sarah? Sozinha, igual ocorreu com Lorelai em Gilmore Girls, série também protagonizada por Lauren Graham?

O episódio foi recheado de cenas tranquilas, paradas mas com propósitos por trás, como os diálogos de Zeek e Joel, com o patriarca motivando seu ex-genro ir atrás de Julia, a própria Julia se abrindo com Chris sobre o divórcio e Hank e sua ex-mulher Sandy falando sobre momentos passados em tom de culpa e nostalgia. A essa altura, está visível para qual caminho Julia irá seguir, mas e você telespectador, está entusiasmado para essa história?

Parenthood registrou 3.96 milhões de telespectadores e 1.3 na demo, segurando a vice-liderança pela primeira vez nas últimas temporadas. No mesmo horário, How To Get Away With a Murder liderou com 2.8 e Elementary registrou 1.2.

P.S.: Melhor Max tomar cuidado daqui para frente. Sarah Connor deve estar se coçando no futuro com a fala, “The System is Broken”. Muito cara de Exterminador do Futuro.

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