Três meses depois.

Logo no início do episódio me deparei com essa frase. Não tive qualquer reação imediata além da surpresa. Não sei, mas talvez realmente devesse investir nesse negócio de prever o futuro. Para os leitores que não estão compreendendo, um puxão de orelha e uma explicação: na review anterior questionei a possibilidade de Parenthood avançar no tempo em suas histórias. Imaginei longe, com o último episódio mostrando Adam, Kristina, Crosby e Sarah avós, e a nova geração de Bravermans entre nós. Com uma margem de erro, o pulo no tempo foi de apenas de três meses e diferentemente do que havia previsto, os roteiristas não esperaram até o episódio final. Muitas storylines continuaram, como o pré-romance de Dylan e Max, e outras nasceram, como a responsabilidade de gente grande de Drew. Foi um episódio que manteve a já tradicional qualidade de Parenthood, todavia, algo inédito me fez levantar a sobrancelha: o ritmo acelerado.

Por ser a temporada final, acredito que os roteiristas querem levar para a tela o final pretendido em pouco tempo. Senti que Ruby retornar rebelde, e ocorrer à troca de papéis (com Amber se tornando o lado responsável da rebeldia de Ruby), Drew estar se tornando o “homem da casa”, Adam começar a ter uma crise nervosa enquanto o Luncheonette entra em uma crise financeira me parece serem histórias que seriam contadas mais para frente, em próximas temporadas. Não vou culpar os roteiristas nem a NBC pelo curto tempo que a série tem, afinal, audiência significa dinheiro, e por mais que sejamos humanos e com sentimentos, uma empresa tem que gerar lucro no fim do mês.

Começaremos destrinchando como Amber teve uma reviravolta desde o seu início na série. A garota problema foi mudando com o decorrer das temporadas, sendo moldada com os acontecimentos e relacionamentos que cruzaram o seu caminho rumo à maturidade. Agora os papéis se inverteram como dito anteriormente, e Amber tornou-se uma conselheira para a adolescente Ruby. Foi nostálgico ouvir ela mesma dizer sobre o seu passado, e nós telespectadores, lembrarmos. Essa é uma das grandes graças das séries: nós passamos anos ao lado dos personagens, deixamos eles entrarem em nossas casas e vidas, e nós nos tornamos partes de suas existências. Poder relembrar de algo que ocorreu há quatro anos atrás trouxe a tona a realidade que estamos acompanhando as histórias dos Bravermans desde 2010. Estamos em 2014, e dependendo da sua percepção de tempo, quatro anos podem ser muito ou pouco. Para mim, no entanto, parece ser muito mais.

A urgência que cresceu em Drew na busca por uma carreira que não necessariamente lhe agrade, mas que lhe renda dinheiro ao final do mês me surpreendeu. Talvez nesses três meses uma mosca chamada responsabilidade ficou rodeando-o e finalmente despertou Drew para buscar holerites mais generosos. Assim como Amber fez com Ruby, farei com Drew e lhe darei alguns conselhos: já trabalhei com algo que não gosto, e foram sofríveis meses, em que o tempo não passava. Parece ser bem clichê, mas realmente, todo ser humano deveria trabalhar com o que gosta. Infelizmente nem todos tem a oportunidade disso, mas trabalhar com algo que você não gosta, é uma tortura que durará por anos. Conselhos a parte, deu para notar que Drew está entrando no lugar de Adam, no quesito tomar as rédeas da responsabilidade da família e ponto muito bem observado ele ter sido um dos únicos a ter ido à faculdade, e assim, estar puxando para entorno de si a carga de ter que ser bem sucedido. Nessas horas um pai ou uma mãe fazem falta para aconselhar os filhos, e falando nela, onde está a Sarah na vida de Drew? Tio Adam foi o refúgio dele para os seus problemas, e é legal ver que toda vez que Drew necessita de algo que carece de um pai, ele procura seu tio. Alguém aqui se lembra de Adam ensinando seu sobrinho a jogar beisebol, bem lá na primeira ou segunda temporada?

Adam começar a reclamar da carga de problemas que os Bravermans colocam em suas costas pode ser o início de uma storyline bem interessante. De longe se pode perceber que Adam tenta ser o que controla e o pacificador de sua família, de seus colegas de trabalho, de sua comunidade, em outras palavras, de todos os grupos em que ele está inserido. Um breakdown, uma crise nervosa poderia estar no futuro dele, e seria algo inédito e bem atraente a ser explorado, porém, a questão saúde já está sendo abordada com Zeek, o que pode afastar um pouco essa possibilidade. Já o flerte de seu filho Max continua a rondar cada vez mais perto Dylan e leitores, confesso que no começo não foi empatia de cara, entretanto, estou gostando dela. Esse tom meio misterioso que está sendo construído em seu personagem é um ponto muito positivo e que tem o potencial de gerar muita coisa mais para frente.

A questão de ser pai foi bem frisado nesse episódio. Hank tentando, Seth não estar presente e Crosby percebendo que crises financeiras podem acabar sendo uma carga enorme de culpa e responsabilidade foram algumas das histórias apresentadas. Gostei bastante desse tema estar sendo abordado de diferentes maneiras, com diferentes visões. O lado de Hank não estar atento ao universo jovem conseguiu atingir milhões de pais que estão no mesmo barco, enquanto Crosby, o pai descolado, está sofrendo com problemas tradicionais, como a falta de dinheiro. Seth não estar ausente na vida de Amber e Drew também aborda outros milhões de filhos que não tiveram um pai presente em suas criações, enquanto que o “Quase” de Crosby logo ao final mostrou que independentemente do tipo de pai que você é ou tem, o improviso e as incertezas não agradam a ninguém. Nem mesmo aos pais mais modernos.

Em sua sexta exibição nesta Fall Season, Parenthood registrou 3.89 milhões de telespectadores e 1.1 na demo. No mesmo horário, How To Get Away with a Murder marcou 2.7, seguido pela estréia da nova temporada de Elementary substituindo o futebol americano, com 1.2.

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