Mommy knows best: conselhos de mãe

O correto é father, mas nesse caso Camille colocou essa expressão no cume da veracidade. Tal mãe, tal filha, e Amber começa a trilhar o mesmo caminho de Sarah. Se Sarah era a Amber de vinte e tantos anos atrás, agora ela encontra-se no papel de Camille e apenas quando estamos na pele do outro que realmente sentimos o que sentiram. Não foi um episódio nada fácil para a Camille, que além de fazer Sarah perceber como foi difícil para ela ver a sua filha fazer algo precipitado, teve que lidar com o final de sua aspiração em mudar-se de casa. Camille repassou a sua sabedoria para Sarah e a sua percepção logo captou que a repentina mudança de comportamento de Zeek não ia ter fôlego o suficiente para selar o contrato do novo condomínio. Sábia Camille ao perceber que não ia para lugar nenhum tendo Zeek e a sua expressão facial dizendo tudo o que sentia, sem a necessidade da adição de palavras.

Camille se fechou totalmente após anos de silêncio e aos pouco está ficando cada vez mais na dela. Para uma casa tão grande, ela e Zeek tem os seus respectivos cantos, e provavelmente, ficam pouco tempo juntos (na verdade acho que somente durante as refeições e na hora de dormir). A idéia do condomínio era uma boa para juntar mais os dois, mas como Camille disse, Zeek não pertencia a aquele local, todo arrumado e moderno, parecendo mais decorado para um executivo e a sua família. Talvez alugaram essa locação com esses atributos de propósito, mas esse foi o estopim para ela largar tudo e decidir viajar para a Itália, e como ela mesmo frizou, apenas com a sua classe de artes, mais ninguém, retirando Zeek totalmente da jogada. Acredito que não fará grande diferença para o desenvolvimento das storylines da série a sua ausência, mas isso vai definitivamente mexer com Zeek, e apenas vejo duas situações para o retorno de Camille, caso ela realmente vá viajar: ou ela volta revigorada e deixa para trás esse seu anseio de ver o mundo, ou ela vai gostar tanto dessa experiência que decidirá continuar em sua jornada, não tendo mais espaço para o seu marido. Arriscaria dizer que a segunda opção parece bem mais interessante, pelo menos para os telespectadores. É esperar para ver.

Mães foram o grande foco desse episódio e não é a toa que foi batizado como “The M Word” (mas posso estar enganado e no final ser de mini-van, porém vamos seguir nesse conceito). Em uma vibe bem animada, o episódio iniciou-se com os Braverman se juntando para a campanha de Kristina. Senti raiva com Bob Little sempre cortando a quase monossilábica Kristina, e vibrei com o “tapa na cara” dela nele, e por mais que as palmas em sua piada (aquilo foi uma piada?) foram bem forçadas e que o público se emocionou muito facilmente para o meu gosto, Kristina está mais perto da prefeitura. Os seus 17% de presença entre os eleitores e os 8% de intenção de votos provavelmente já são dados obsoletos após o debate e a positiva relações públicas que a capa do jornal trouxe.

Assisti esse episódio com um sorriso estampado no rosto em quase todas as cenas. Ao contrário de “Let`s Be Mad Together”, “The M Word” foi leve, descontraído e engraçado. Teve pontos dramáticos, como todo o drama “minha mãe não quer que eu case” de Amber e alguns segundos românticos entre Julia e Joel, mas a verdadeira atriz dramática desse episódio foi Camille. Sua estória era mais cativante e melancólica que as demais, e talvez pela personagem já carregar essa seriedade em suas costas, serviu perfeitamente.

Mae Whitman deve ter ficado com dores de cabeça após encerrar a gravação desse episódio. A coitada só chorava ou fazia cara que ia. Amber encarnou bem o estereótipo feminino ao querer conversar sobre a sua discussão anterior com Sarah (o temível DR), que ela própria queria deixar para trás. E que típica adolescente Amber foi na cena em que desabafava com Ryan. Me lembrou aquelas garotas de 16, 17 anos que encontro no metrô ou pelas ruas que se acham suficientemente interessantes e descoladas, e que não param de falar (única diferença foi que a palavra “tipo” foi substituída por “like”). Bah!

Concordo com Sarah em que ela não precisava concordar com Amber, apenas estar lá ao seu lado. E também concordo com Ryan em dar um tempo para Sarah aceitar o casamento, sem a necessidade de ter que empurrar garganta abaixo (mesmo que isso signifique anos e anos de espera). Já Crosby foi hilário com o seu medo de manchar a sua reputação em relação a dirigir uma mini-van (“E se alguém me ver na mini-van?” Haha). Fiquei surpreso em ver Jasmine dando carona para o Crosby bêbado e os integrantes da banda numa boa. Esperava um bate-boca, mas fui surpreendido. Boba storyline em torna da mini-van, mas que valeu muito a pena e quem sabe não rolava um tie-in (merchandising para os telespectadores da Globo) com alguma montadora de carros e assim diminuir os custos de produção. Dizem que o Subway foi o grande salvador da série Chuck em sua renovação em alguma temporada, quem sabe o mesmo não acontece com Parenthood (batidas na madeira para não precisar).

Ressalto que todas as piadas foram ótimas no episódio, como por exemplo, Drew dizendo que Amber não é uma adulta ainda; ou Crosby chamando mini-van de vagina e ainda tirando sarro do estilo e dos gostos musicais de Adam serem de um típico pai; Sarah sacaneando Zeek ao dizer que ele esperou todos saírem de casa para enfim construir uma piscina; Max dizendo que estatisticamente falando Kristina é impossível ganhar a eleição e Kristina respondendo que não vai jogar uma bomba atômica em nenhum lugar. Melhor que muitos programas humorísticos por aí.

O episódio marcou 3.67 milhões de telespectadores e 1.2 na demo. Números baixos ainda, mas que teve como concorrência desleal a noite de Halloween. A série Scandal marcou 2.9 enquanto Elementary fechou com 1.8.

Artigo anteriorThe Tomorrow People 1×04: Kill Or Be Killed
Próximo artigoModern Family | Jesse Eisenberg, Jane Krakowski e Benjamin Hickey farão participação especial