“Era uma vez, uma garota feita de barro. Ela vivia em uma cidade de pessoas de pedra. ‘Você não é nada’, eles diziam à garota de barro. ‘Nada’. Toda noite, a garota de barro falava com o vento, que só suspirava. A garota era solitária! Só que um dia, rolou uma tempestade. Choveu vários dias sem parar. A água foi subindo, subindo, mais e mais… Logo, as pessoas de pedra estavam presas, implorando ao vento para salvá-las. Porém, as pessoas de pedra eram muito pesadas para serem carregadas. Aí, o vento viu a garota de barro. Levá-la, não seria um problema. Então, o vento abriu os braços e a garota de barro virou para o ar… e voou!” – NILL, Heather.

Baseada em uma obra best-seller homônima da escritora americana Lauren Oliver (Delírio), a Amazon Prime Video, no final do mês passado, lançou a primeira temporada de Panic, sua nova série original, com 10 episódios inéditos, disponíveis em sua plataforma de streaming. Ela, Lauren, além de ter criado o livro, em 2014, foi a roteirista e a produtora executiva do seriado, repleto de adrenalina. Em uma primeira análise – até mesmo ao ver o trailer de divulgação – você deve estar pensando que se trata apenas de mais uma drama adolescente, com os vários clichês teens, como festas, drogas e confusão, não é mesmo?! Porém, o fator curiosidade desperta o interesse no telespectador, afinal, estamos falando de uma série sobre jogos, e não sobre terror, que o nome aparentemente indica em um primeiro contato, por exemplo. Todavia, não é bem assim!

“Don’t Panic”, pois eu vou explicar para vocês, leitores, do que se trata a história: em uma pequena cidade chamada Carp, no interior do estado do Texas (EUA) – não sei se é fictícia ou real -, em que os formados da High School, o nosso Ensino Médio, aqui, no Brasil, participam de uma competição fatal intitulada Panic, jogos que duram o verão inteiro, testando a força física e, principalmente, a psicológica dos jovens. Nela, os participantes passam por várias provas e, ao final, apenas um vencedor fatura o disputado prêmio de US$50 mil dólares, quantia maior que a edição antecessora, de US$30 mil dólares, vinda da arrecadação dos próprios ex-alunos. Entretanto, em qualquer disputa que envolva dinheiro, os concorrentes têm que passar por provas, as quais o perigo é iminente e a morte, praticamente, certeira. Não é à toa que dois alunos do ano passado, adjetivados de “fantasmas”, Jimmy Cortez (David De La Barcena de Two Sides) e Abby Clark (Avianna Mynhier de The Walking Dead), faleceram durante as competições por terem colocado as suas vidas em risco. E, pelo sucesso que o evento acarreta, novos desafios são colocados em jogo, juntamente aos novos juízes e, claro, ao aparecimento de inéditos e bonitos integrantes:

Heather Nill (Olivia Welch de Inacreditável) – a protagonista – apesar de sofrer bullying no período escolar, é uma jovem sonhadora, cheia de planos para estudar e, consequentemente, mudar de vida. Não é pra menos. Vejam só: Sherri Nill (Rachel Bay Jones de God Friended Me), sua mãe, é a materialização da oposição do amor materno, repleta de egoísmo, pensando somente em dinheiro, em carro, em jogos de loteria e afins. Só faltou o namorado tatuado, folgado, carregando um engradado de cerveja, esperando o jogo de futebol americano começar, em frente à televisão, com as pernas esticadas e escoradas na mesinha de centro da sala de estar. Olha a minha imaginação fértil aflorando… Pois bem, ela mostrou não ligar pra filha, característica vista em dois momentos importantes: o primeiro, foi na formatura, em que Sherri, não só chegou atrasada à colação de grau de Heather, como, também, lhe deu de presente fajuto: um globo de neve. Amada, a senhora errou de filha, foi, é?! A sua caçula se chama Lily Nill (Kariana Karhu de Assassin 33 A.D.), a mais fofa da trama, diga-se de passagem. Já o segundo momento foi quando ela roubou a própria filha para consertar defeitos mecânicos em seu carro, sabendo que cada nota a mais de dinheiro guardado poderia fazer diferença nos estudos de sua filha mais velha. Aposto que o drama familiar, entre ambas, ainda será explorado no restante da temporada. Aliás, adorei a discussão, pois adoramos um barraco alheio, é claro! 

Antes de seguir com a lista de personagens, eu devo destacar a inocência de Heather com a mãe: gente, quem guarda dinheiro em uma caixa de sapatos, sabendo que alguém, com má índole, pode ir lá e pegar a bolada? Conta no banco, pelo visto, ficou com Deus, né?! E mesmo que ela não tivesse acesso à uma agência financeira, existe cofre e, inclusive, gaveta com chave, ainda mais guardando cerca de US$6 mil dólares, valor referente ao Curso de Contabilidade que ela deseja graduar na Universidade Estadual de Longhorn. Pra piorar a situação, a jovem foi mandada embora do emprego e precisa de US$500 dólares para completar o pagamento da Fase de Orientação de seu futuro estudo. Com isso, ela decide participar da competição secreta da cidade, pois ficou desamparada financeiramente. Contudo, a moça vai ter que competir com a sua melhor amiga, Natalie Williams (Jessica Sula de Skins), porque a segunda deixou bem claro, em um tom extremista, que amigos devem se apoiar, e não competir. Ah, tá! E por um acaso, querida, o Sol nasceu só para a sua pessoa, foi? Francamente, a oportunidade é aberta para todos e a característica de Heather de sempre ter medo de tudo, juntamente ao fato de ela nunca ter ficado chapada, não lhe tira o direito de competir, né?! Apesar de ela ter uma cara de sonsa, parecendo que vai dormir a qualquer hora. Eu não sei vocês, mas ela me dá muita preguiça, só de olhar! Acredito que será um tanto interessante acompanhar esta jornada de disputa entre as duas amigas. Tomara que role, até mesmo, um barraco, com tapa na cara e puxão de cabelo, pois, como diz o Gil do Vigor, do BBB21, é esse o entretenimento que nós, brasileiros, gostamos, além da cachorrada.

Outra amizade que aparentemente irá se desenvolver em um possível crush se chama Bishop Morre (Camron Jones de Elephant Department), um rapaz bonzinho que só observará os jogos. Aposto que ele vai sentir inveja e ciúmes de Ray Hall (Ray Nicholson de Mayans M.C. e filho do astro de Hollywood, Jack Nicholson, de O Iluminado), um jovem babaca e metido a ser o melhor de todos. Vale ressaltar que ele, Ray, com certeza, fará de tudo para ser invencível, burlando inclusive as regras do Panic. Por falar nas normas, uma delas é não tirar fotos, sequer postar os acontecimentos nas redes sociais, porque tudo “o que acontece no desafio, fica no desafio”. Logo, o sigilo é de extrema relevância: nada de postar storys no Instagram, tampouco um simples tweet no Twitter, por exemplo. Caso a pessoa seja pega fazendo tal ato infracionário, perderá privilégios. No entanto, quais são eles? A propósito, a pessoa deveria ser expulsa das próximas provas, não?! Achei estranho também eles não recolherem os celulares, e sim darem apenas um número de identificação para cada indivíduo competidor. Por falar nos competidores, temos mais um: Dodge Mason (Mike Faist de Law & Order), balconista de uma lanchonete/restaurante de Carp, que também formou recentemente. Ele, é óbvio, será um futuro interesse amoroso para a nossa protagonista e para a sua amiga, Natalie, toda trabalhada na curiosidade em saber como ele pulou do penhasco, no segundo topo mais alto, ganhando 25 pontos extras, durante o primeiro desafio, após a Cerimônia de Abertura, intitulada de Pilot’s Point, uma espécie de piloto dos jogos. 

No que diz respeito à primeira prova, nomeada de O Salto, cada candidato – segundo informações ditas pelo apresentador, Daniel Diggins (David William Thompson de Gotham), em seu megafone – recebe, além dos 100 pontos, alguns presentinhos dos juízes, caso saltem do penhasco. Eles sobem com uma tocha acesa na mão, sendo uma forma de sinalizador, e, antes de apagar a chama e de pular, eles gritam o nome para os presentes. Aqui, vale ressaltar o seguinte: como o Diggins necessita de um instrumento para perpetuar a sua voz e a pessoa que está lá em cima do morro grita o seu nome e todo mundo, aparentemente, consegue ouvir? É óbvio que se todo mundo fica em silêncio, na expectativa de esperar O Salto do coleguinha, dá pra escutar ao fundo, mesmo que baixo. Já que a série é baseada em um livro, a gente releva essa liberdade poética da autora, né?! Todavia, não dá pra ignorar todos os erros perceptíveis ao longo deste primeiro episódio, não. Começando pelos fogos de artifício soltados em várias partes da cidade para chamar a atenção dos jovens, ao mesmo tempo em que eles tentam confundir a polícia do real local em que eles se encontram para as provas. Ah, não! Se o corpo policial já tem conhecimento de que eles praticam tais atividades perigosas, pois, como eu falei acima, dois jovens morreram, como eles são facilmente enganados? As tochas chamam atenção, assim como o megafone, os gritos, o alvoroço. Francamente! Parece o FBI insosso de The Following (2013-2015), sempre enganado pelos assassinos. Haja paciência para aguentar tanta burrice na tela! 

Pelo menos, no final, tivemos uma cena um tanto simbólica, poética e mágica da Heather, afinal de contas, ninguém esperava tal atitude da jovem. Pelo fato de ela ter saltado do ponto mais alto – a Queda do Diabo – ela ganhou 50 pontos extras, juntamente à imunidade em um próximo desafio à escolha do(a) candidato(a). Soma-se a isso, a presença dos vaga-lumes que a direcionaram ao ponto mais extremo da prova, fazendo, evidentemente, alusão à história que ela contou para “Lilybug”, apelido carinhoso de sua irmã pequena. 

Nesse primeiro episódio, eu tenho certeza de duas coisas: ela não vai morrer, porque é a protagonista, e a menina de barro do poema que abriu os trabalhos destas minhas Primeiras Impressões é a Heather, obviamente. E todo mundo sabe que o barro, ao contrário da pedra, consegue ser moldado aos poucos, podendo se transformar em um jarro, em um copo, em uma panela. Será que a jovem, então, se transformará em uma excelente jogadora? Qual será o destino de Heather e de sua turma? Aquele cliffhanger nos minutos finais, o famoso gancho, conseguiu, de fato, aguçar a minha curiosidade sobre o que está por vir nos próximos 09 episódios da primeira temporada de Panic. Vocês também vão continuar acompanhando essa jornada? 

OBSERVAÇÕES PARA ENTRAR EM PÂNICO:

p.s.01: Acredito que todo mundo ou pelo menos a maioria de nós, telespectadores, deva estar torcendo para que Heather ganhe a competição. Porém, eu espero que seja de forma surpreendente, uma vez que é evidente que isso irá acontecer;

p.s.02: Por falar na personagem principal, devo dizer que a sua intérprete é a cara da atriz Britt Robertson (Girlboss), quando ela atuou na cancelada série The Secret Circle (2011-2012). Se fossem irmãs não pareceriam tanto, né?!;

p.s.03: Panic é uma série teen, mas não mais no Ensino Médio. Estranho demais!;

p.s.04: Vocês acham que a série tem algo a ver com o os filmes dos Jogos Vorazes? Rolou essa comparação nas redes sociais; 

p.s.05: Heather + Ray + Bishop + Dodge. Qual é a aposta de vocês para o gato que irá fisgar o coração de nossa protagonista, hein?! Precisamos decidir o nome do casal para shipparmos, uai;

p.s.06: Aliás, mais um casal pra conta: Natalie e Dodge, também;

p.s.07: Quem aí se lembrou do clipe da música Firework, de 2010, da cantora Katy Perry durante os fogos de artifício? Perderam a oportunidade de colocá-la na trilha sonora;

p.s.08: Se vocês querem ter mais uma análise sobre o primeiro episódio de Panic, eu indico a edição de número #235 do podcast mais famoso do Brasil: o Derivado Cast. Nele, os meus amiguinhos, Alexandre Bonfá, Bruno Clemente e Michel Arouca falam as suas opiniões sobre a série, com direito a uma tiração de sarro. Não deixem de ouvir!;

p.s.09: Aproveitando o momento, peço licença ao Michel para poder questionar mais um erro apontado por ele: quem sai de um estabelecimento sem pagar a Coca-Cola que bebeu? Vale ressaltar que o atende Dodge não disse que era “por conta da casa”, hein?! Também, com uma mãe sem educação igual a Sherri, a filha percorre o mesmo caminho; 

ps.10: Em breve, aqui, no Série Maníacos, publicaremos a Crítica de toda a temporada, leitores. Não percam!

REVISÃO GERAL
Nota:
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