Faltando apenas duas semanas para o final da terceira temporada, Outlander trouxe-nos um episódio emocionante e intenso do início ao fim. Marcado pelo desespero e a aflição de Claire na ilha de São Domingos, Uncharted ambientou, na medida certa, a luta pela sobrevivência da personagem, exaltando com maestria sua garra, coragem e o desejo incandescente de reencontrar Jaime. Diferente do que muitos acharam, esse foi, na minha humilde opinião, um dos episódios mais fortes até então, bem planejado e produzido nos mínimos detalhes. Destacam-se como momentos importantes de Uncharted os seguintes eventos: as cenas iniciais da Claire; o casamento de Fergus e Marsali; a aproximação de Marsali e Claire; a evolução do relacionamento de Claire e Jamie; as cenas cômicas e o mistério em torno de Abandawe.

Começo minha análise, então, a partir das controversas cenas de Claire no início do episódio. Como dito acima, muitos fãs da série (e dos livros) sentiram-se incomodados com a lentidão, assim como, consequentemente, a ausência de ação, nos primeiros vinte minutos de Uncharted. Entendo o pensamento de que momentos como esse poderiam ser reduzidos pensando em distribuir mais tempo de duração para a sopa de tartaruga ou até o casamento de Fergus e Marsali, realmente compreendo. Mas acho que é ainda mais importante e essencial uma boa adaptação da realidade que Claire se encontra. Nunca passei por isso, mas é bastante óbvio o quanto seria difícil para nós, os seres humanos, tentarmos viver numa ilha após um naufrágio.
Correr esse momento seria não apenas negativo para Outlander, por não ambientar adequadamente a realidade e as dificuldades que todos nós enfrentaríamos em uma situação semelhante, mas também um desperdício em não apresentar algo totalmente novo na série. Outlander sempre se passou em fazendas, castelos, entre outros cenários nas temporadas anteriores, mas nunca em lugares como estamos vendo agora. Inserir a viagem num navio e a presença da personagem principal numa ilha, lutando pela sua sobrevivência, é a chance da série se inovar, enriquecer os detalhes que a compõem, tornar a narrativa mais verossímil, assim como também, possibilitar que o amor do casal principal se fortaleça ao se reencontrarem.

Por falar no casal principal, é em Uncharted que a relação atinge seu ápice, aproximando-se ainda mais do amor que um sentia pelo outro nas temporadas passadas ou até, quem sabe, superando o sentimento passado. Agora eles estão conectados como nunca estiveram antes, numa bela e emocionante sincronia. Quando ambos se reencontraram na gráfica existia uma barreira de incerteza e mistério entre eles, algo que agora, após mais uma separação, não existe mais. É por isso, então, que digo com convicção que me emocionei (sim, eu chorei, canceriano sempre passa por essas situações) muito mais em vê-los correndo na praia, jogando-se nos braços um do outro, do que no sétimo episódio. A cena final, o icônico momento da sopa de tartaruga, foi o melhor exemplo disso, do quanto eles recuperaram desde seu primeiro reencontro.
O amor entre eles hoje é algo totalmente novo, o mais próximo do amor verdadeiro que eles já tiveram. Achei a cena final de uma simplicidade linda e impecável, elaborada na medida certa, sem exageros ou momentos que pudessem deturpar o que eles estavam reconstruindo naquela hora. Não sei se digo isso por ser um louco apaixonado (que valorizo muito mais a troca de olhares, um carinho e situações de troca de brincadeiras como a feita pelos dois nessa ocasião) ou por não ter lido os livros e não saber como a cena é de modo geral. Mas, apesar de não conhecê-la, acredito que a adaptação foi fiel no que tange o sentimento dos dois, sem apelar completamente para o lado sexual, focando no renascimento da cumplicidade que ambos sempre tinham pelo outro.

No entanto, o momento mais marcante do episódio, tanto para a série quanto para o desenvolvimento de seus personagens, se passou com Fergus e Marsali. Até então apagados e sem muito a acrescentar, o novo casal contracenou duas cenas importantes em Uncharted, em seu casamento e no pequeno envolvimento de Marsali com Claire, antes da cerimônia. Começando por Marsali, é interessante ver o quanto sua relação com Claire está evoluindo, tornando-se mais natural a cada momento juntas. A gama de possibilidades em torno dessa nova conexão trás um novo ar para a série, ao mesmo tempo em que enaltece a atuação de Lauren Lyle. Se tem algo que o episódio mostrou é: Marsali tem futuro em Outlander. A garota me arrancou risadas sinceras e, mesmo sendo filha de quem é, me fez querer vê-la mais vezes na série, tendo oportunidade de virar tão querida quanto outros personagens.
Já Cesar, por outro lado, conquistou não por sua atuação (algo que ainda me incomoda, talvez por ele não ter tanto tempo de cena como Roman tinha), mas sim pelo apoio de Sam, que elevou a relação dos personagens para outro nível, algo sempre esperado pelos telespectadores. Ver Jamie dando o sobrenome “Fraser” a Fergus foi, sem sombra de dúvidas, o requinte de perfeição do episódio. A incerteza de Fergus sobre sua família foi tomada pelo sentimento de carinho e amor que Jamie sente por ele, o que, aliás, pode melhorar, e muito, a relação de Claire com Marsali daqui pra frente. É por isso que eu digo que Uncharted constatou um fato que eu já falava antes: os personagens secundários (coadjuvantes) como Fergus e Marsali, por exemplo, merecem a devida atenção a partir de agora. Afinal, não é só do casal principal que Outlander permanece viva, não é?

Por fim, mas não menos importante, vamos ao esclarecimento do grande mistério dessa semana: a frase dita por Margaret Campbell para Claire no sétimo episódio da temporada atual:
“Você está ouvindo a canção de ninar dos três sapos?! E a lua… A lua está se afogando com sangue. Tenha cuidado. Abandawe vai devorá-la!”.
Será que Uncharted acaba de confirmá-la como uma profecia? Se isso for verdade, caso Margaret seja de fato uma vidente, só podemos esperar coisas ruins para a estadia de Jamie e Claire na Jamaica. Mas, pensando em destrinchar o que foi dito por Margaret, o que podemos afirmar sobre o assunto até agora? Bem, os insetos que o padre Fogden utilizou vieram de um local secreto na Jamaica, a caverna de Abandawe, confirmando a veracidade de parte do que foi dito. E o restante, em que situação a “canção de ninar dos três sapos” se encaixará? Seria uma metáfora para alguma espécie de feitiço (medo de que isso se refira à Geillis Duncan, a única “bruxa” que conhecemos da série até então)? E o pedaço que fala sobre a lua, seria ela um vislumbre de que o sangue de alguém será derramado à luz do luar?
Apesar das informações acima serem essenciais para traduzir a profecia, algo dito por Fogden é ainda mais importante para Outlander e, principalmente, para as possibilidades do futuro da Claire ao final dessa temporada. Fogden diz que Abandawe é considerado um local sagrado para os nativos da Jamaica, por guardar uma grande quantidade de poder. Mas, além disso, o padre menciona que há relatos sobre pessoas que desapareceram misteriosamente após entrar na caverna. Analisando essas características específicas, Abandawe se encaixa perfeitamente com a descrição de Craigh na Dun na série, não é verdade? Pensando por esse lado, será esse o destino de Claire na Jamaica: viajar no tempo mais uma vez, separando-se de Jamie novamente?
Ou, por outro lado, essa é apenas uma nova adição à mitologia de Outlander, com o único intuito de enriquecer sua história e os elementos mágicos da série, que até então eram inexplorados? Seja qual for o caminho que os personagens tomarão daqui pra frente (espero do fundo do meu coração que o casal principal não se separe novamente), é emocionante ver que o universo de Outlander está se expandindo, abrindo um leque de novos caminhos não apenas para seu futuro, mas para o passado também, tendo a cautela e o interesse em solidificar sua história e seus alicerces. De volta ao presente, então, o que estará no destino de Claire e Jamie, pelo menos até o final dessa temporada? Que mistérios e confusões os dois últimos episódios nos reservam?
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Enfim, Sassenachs, chega ao fim mais um review. Mais uma vez agradeço pelos comentários, pelas trocas de opiniões e o carinho que venho recebendo desde o início dessa temporada, vocês fazem a experiência de acompanhar Outlander ser ainda mais incrível! Aguardo o feedback de vocês, assim como a presença de cada um na próxima semana, com o penúltimo episódio desse ano, ok?
Curiosidades:
Mudança de título
Para quem não sabe, o episódio atual tinha o título de Turtle Soup (Sopa de Tartaruga), mas, como foi possível ver agora, ele foi modificado para Uncharted. No “Inside the World of Outlander” dessa semana os produtores justificaram a mudança por ser algo óbvio demais, que entregaria logo de cara o que aconteceria com Claire e Jamie. Mas essa explicação não faz tanto sentido, não é verdade? Pois, ao levarmos em conta que a maioria dos telespectadores da série já leu os livros, não era nenhuma surpresa que a cena da sopa (e o sexo que a acompanhou) estava chegando à adaptação. O que vocês acham da modificação: é aceitável ou foi uma desculpa esfarrapada e sem nexo?
Uncharted
Como nem todos os telespectadores tem conhecimento sobre a língua inglesa, achei interessante traduzir (e explicar) o título do episódio dessa semana. Uncharted significa uma área na terra ou no mar que ainda não foi pesquisada, mapeada, inexplorada ou desconhecida. Ele se refere à ilha de Saint-Domingue (São Domingos), também conhecida como “de Haiti”, “Hispaniola” ou “Espanhola”, uma das maiores ilhas das Antilhas, localizada no mar das Caraíbas, a sudeste de Cuba e oeste de Porto Rico. São Domingos é a segunda maior ilha do Caribe depois de Cuba, com uma superfície de cerca de 76 000 km², comprimento de 650 km e largura máxima de 241 km (Fonte).
Espelho
Uma dúvida surgiu ao ver o episódio: a tática que Claire usou para chamar a atenção de Jamie (com o espelho) é realmente capaz de alcançar um raio de distância tão grande como o espaço que separava Claire e Jamie? Ou isso foi um pouco forçado?
Trilha sonora
Não é bem uma curiosidade, é mais uma observação com o intuito de parabenizar os responsáveis pela escolha da trilha sonora dessa temporada. Ela fica melhor a cada episódio que passa! Afinal, venhamos e convenhamos, todo mundo se emocionou com a música do reencontro do casal, não é verdade?















