Com a adição de minhas preferências pessoais na corrida desse ano.
Sejamos ligeiros. O Oscar está se aproximando, e é hora de encerrar minha cobertura da temporada de premiações com chave de ouro. Ainda pretendo postar um último texto pós-premiação, de forma que estamos prestes a encerrar oficialmente a primeira “temporada” do Oscar Maníacos. Obrigado ao apoio de todos!
Nesse ritmo, seguem abaixo minhas apostas e meus desejos para o Oscar.
Melhor Filme
Minha Aposta: The Revenant. Foi complicado decidir aqui. A favor de The Revenant temos o número recorde de 12 indicações, o BAFTA, o Globo de Ouro, o DGA e, de um modo geral, o buzz que parece ter crescido no momento certo. O problema é que o filme não tem indicação a Melhor Roteiro, não foi indicado ao SAG de Melhor Elenco e perdeu o PGA, todos esses sendo marcos importantíssimos para a corrida. The Big Short é a mais provável ameaça: sua vitória no PGA é significativa, por a guilda ser a única a ter um sistema de votação preferencial idêntico ao do Oscar. Spotlight ficou apenas com o SAG, mas é um filme consenso que ainda pode surpreender. Por fim, fico com o longa mais badalado do momento. Entretanto, não se enganem: essa é uma das corridas mais acirradas dos últimos tempos.
Meu Desejo: Eu sei, você sabe, todo mundo sabe. Mad Max não vencerá o Oscar de Melhor Filme. Fica o desejo.
Melhor Diretor

Minha Aposta: Alejandro González Iñárritu por The Revenant. Nesse caso é para manter coerência, já que não enxergo uma vitória em Melhor Filme desacompanhada de Melhor Diretor. Além disso, tenho a vitória no DGA para reforçar o argumento. Mesmo assim, é bom ficar de olho em George Miller, principalmente se Revenant acabar perdendo a taça principal para The Big Short ou Spotlight. Há também a possibilidade que McKay leve por Direção E Filme, mas esse cenário é mais distante.
Meu Desejo: Witness me!!
Melhor Atriz
Minha Aposta: Brie Larson por Room. SAG, BAFTA e Globo de Ouro. Acabou a corrida.
Meu Desejo: Em minha humilde opinião, Charlotte Rampling está pelo menos um nível acima de todas as outras (fortíssimas) competidoras com seu trabalho em 45 Years.
Melhor Ator
Minha Aposta: Leonardo DiCaprio por The Revenant. Também com a trinca SAG, BAFTA e Globo de Ouro, sua vitória é inevitável.
Meu Desejo: Ahn… Que tal ninguém? As mulheres em geral tiveram um ano espetacular no cinema, e os homens não conseguiram acompanhar. Quem realmente merecia ficou de fora. Minhas sugestões para um lineup alternativo são Jacob Tremblay (Room), Abraham Attah (Beasts of No Nation), Michael Fassbender (Macbeth), Tom Courtenay (45 Years) e Peter Sarsgaard (The Experimenter).
Melhor Atriz Coadjuvante

Minha Aposta: Alicia Vikander por The Danish Girl. Aqui é onde a história fica um pouco mais complicada, mas mesmo assim estou seguro de minha aposta. Vikander levou o SAG e o Critics, mas perdeu o BAFTA e o Globo de Ouro para Kate Winslet. Entretanto, tem uma pegadinha: suas duas derrotas foram por Ex Machina e não The Danish Girl. Mesmo assim, fiquem de olho para uma possível mas improvável surpresa vindo de Winslet.
Meu Desejo: Eu diria Rooney Mara por Carol, mas ela é claramente uma protagonista. Acabo ficando com Jennifer Jason Leigh em The Hateful Eight, embora Vikander também mereça… por Ex Machina, e não (Deus me livre) por The Danish Girl.
Melhor Ator Coadjuvante
Minha Aposta: Sylvester Stallone por Creed. Os precursores aqui foram bagunçados, já que o filme não foi lançado nos EUA a tempo do SAG indicá-lo e nem na Inglaterra a tempo do BAFTA. Entretanto, todo mundo viu a comoção generalizada que ocorreu quando Sly venceu o Critics e o Globo de Ouro. A nostalgia por Rocky bate forte. É dele.
Meu Desejo: Que eu esqueça da existência dessa categoria chata. Com exceção de Mark Rylance, vai. E para calar a boca de quem acha que não haviam opções mais diversificadas esse ano em função do #OscarsSoWhite, Oscar Isaac (Ex Machina), Idris Elba (Beasts of No Nation) e Benicio Del Toro (Sicario) mereciam indicações e estavam em filmes com chances reais no Oscar.
Melhor Roteiro Original
Minha Aposta: Spotlight. BAFTA, Critics e WGA definem sem qualquer sombra de dúvida qual é o vencedor dessa categoria.
Meu Desejo: Eu poderia ser chato e dizer que prefiro Inside Out, mas Spotlight é um filme totalmente dependente de seu roteiro, que deu magnificamente certo. Merece o prêmio.
Melhor Roteiro Adaptado
Minha Aposta: The Big Short. Com a mesma trinca de Spotlight (BAFTA, Critics e WGA), esse é outro prêmio já decidido.
Meu Desejo: Qualquer um dos outros quatro roteiros é melhor que The Big Short. Não sei decidir entre Carol e Room.
Melhor Animação

Minha Aposta: Inside Out. Venceu tudo (Globo de Ouro, BAFTA, Annie, Critics, PGA, até mesmo a guilda de som), acabou-se a competição.
Meu Desejo: As escolhas esse ano foram inspiradíssimas, e realmente acho que Inside Out seja o melhor filme. Infelizmente, em virtude da rede de cinemas de minha cidade, ainda não pude ver Anomalisa, de forma que esse julgamento não é definitivo.
Melhor Filme Estrangeiro
Minha Aposta: Son of Saul. Essa estava decidida desde o festival de Cannes no ano passado. Só lembrando vocês do que eu falei sobre o filme há uns sete meses atrás: “O segundo prêmio principal de Cannes provavelmente será o mais importante para as premiações esse ano no quesito filmes estrangeiros. Son of Saul, de um cineasta iniciante, conquistou o festival e será distribuído por um dos grandes em matéria de Oscar.”
Meu Desejo: Acabou que, após todo o hype, fiquei um pouco decepionado com Son of Saul. Fico com Mustang, embora eu ainda não tenha visto A War e Embrace of the Serpent. Eu poderia listar aqui todos os filmes que mereceram entrar no lugar de Theeb, mas seria cansativo. Deixa pra lá.
Melhor Documentário

Minha Aposta: Amy. BAFTA, PGA e Critics’ estão ao lado desse argumento, mas DGA foi de Cartel Land. Aposta segura.
Meu Desejo: Ainda preciso conferir What Happened, Miss Simone?, mas acho extremamente difícil que esses longas superem minha experiência com The Look of Silence, um dos filmes mais assustadores que já vi na minha vida. Obra-prima, clássico moderno, extremamente relevante para a atualidade (inclusive para o Brasil). Assistam.
Melhor Cinematografia
Minha Aposta: Emmanuel Lubezki por The Revenant. BAFTA, Critics’, Guilda dos cinematógrafos (ASC)… Venceu tudo o que podia, seria uma tremenda surpresa se não conquistasse seu terceiro Oscar consecutivo.
Meu Desejo: Roger Deakins foi indicado ao seu décimo terceiro Oscar nesse ano, sem ter vencido nenhum deles. Seu trabalho em Sicario é magistral. Sua estatística na Academia é vergonhosa, em níveis muito mais constrangedores do que o caso DiCaprio. Mesmo assim, eu preciso me render a Lubezki. A esse ponto do jogo ele já ascendeu a nível de divindidade e não há nada que o segure. Aceitem.
Melhor Design de Produção
Minha Aposta: Colin Gibson por Mad Max: Fury Road. Com BAFTA, Critics’ e o ADG (guilda correspondente) no bolso, essa é uma das vitórias mais seguras do longa.
Meu Desejo: I live, I die, I live again!
Melhor Edição
Minha Aposta: Margaret Sixel por Mad Max: Fury Road. Sabiam que ela é a esposa de George Miller? Faz todo o sentido, já que boa parte do mérito do filme tem a ver com sua edição aceleradíssima porém inteligível. Voltando ao assunto do Oscar, aqui as coisas são um pouquinho mais complicadas. Caso The Big Short vença Melhor Filme é possível assumir que levará esse prêmio, que tem uma tradição de ir ao grande vencedor da noite. Por outro lado, BAFTA, Critics’ e a guilda dos editores (ACE) foram todos com Mad Max.
Meu Desejo: Mediocre!
Melhor Design de Figurinos

Minha Aposta: Jenny Beavan por Mad Max: Fury Road. Venceu BAFTA, Critics’ e guilda (CDG). Parece fácil, mas o histórico da Academia pende para trabalhos de época e temos a toda poderosa Sandy Powell (3 Oscars e mais 8 indicações) competindo aqui por Cinderella e Carol. Muitos preveem a vitória do primeiro. Fico ao lado dos precursores.
Meu Desejo: If I’m gonna die, I’m gonna die historic in the fury road!
Melhor Maquiagem e Penteados
Minha Aposta: Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin por Mad Max: Fury Road. O BAFTA e a guilda confirmaram essa escolha, sendo que na guilda nenhum dos outros dois concorrentes foram sequer indicados. Outra vitória fácil.
Meu Desejo: Where must we go, we who wander this wasteland in search of our better selves?
Melhor Edição e Mixagem de Som
Minha Aposta: Martín Hernández e Lon Bender por The Revenant. Outra aposta difícil de ser feita. A guilda de som vai anunciar seus vencedores provavelmente ao mesmo tempo em que esse texto será publicado, enquanto que o BAFTA foi de The Revenant. Obviamente que a chance de Mad Max fazer o rapa nas categorias técnicas é real, mas o BAFTA foi importante. Se minha teoria sobre The Revenant vencendo Melhor Filme se confirmar, seria estranho um filme como esse passar em branco nessas categorias.
Meu Desejo: You will arrive at the gates of Valhalla, shiny and chrome!
Melhores Efeitos Visuais

Minha Aposta: Roger Guyett, Pat Tubach, Neal Scanlan e Chris Corbould por Star Wars: The Force Awakens. O BAFTA e a guilda de efeitos visuais respaldam essa aposta com força, e aqui o fato de que os efeitos práticos de Mad Max foram tão comentados pode se tornar um prejuízo. Mesmo assim, apostar em Fury Road é perfeitamente plausível.
Meu Desejo: Oh what a day. What a lovely day!
Melhor Trilha Sonora Original
Minha Aposta: Ennio Morricone por The Hateful Eight. BAFTA e Critics’ já premiaram a lenda vida dos compositores, e parece não haver mais escapatória. É um verdadeiro “Life Achievement Award” para que o Oscar não passe vergonha novamente e deixe de premiar a única pessoa que rivaliza a estatura de John Williams no ramo.
Meu Desejo: Eu já estava preparando outro quote de Mad Max, mas por algum motivo absurdo e ridículo Junkie XL não foi indicado nessa categoria. Fico com Jóhann Jóhannsson por seu trabalho tenso e horripilante em Sicario.
Melhor Canção Original
Minha Aposta: Diane Warren e Lady Gaga por Till it Happens to You (The Hunting Ground). Vai ser difícil segurar o hype de Gaga dos últimos meses, e sua música é apropriadamente emotiva e com uma mensagem importante.
Meu Desejo: Nenhum. Já tivemos anos com músicas emblemáticas que definiam momentos de seus respectivos filmes, mas em 2016 não vi nada do tipo. De qualquer forma, eu teria ficado muito feliz se alguma canção de Creed fosse indicada.
Melhores Curtas

Minhas Apostas: A marginalização das categorias de curtas é um fato inescapável do Oscar, todos os anos. É praticamente impossível ter acesso aos competidores, mesmo após a premiação. Os melhores cotados nas categorias de ficção e documentário são, respectivamente, Ave Maria e Body Team 12. Em relação aos curtas animados, tive a sorte de assistir dois deles. Sanjay’s Super Team acompanhou o lançamento flopado da Pixar no ano (The Good Dinosaur), enquanto que World of Tomorrow tornou-se um favorito no circuito alternativo. Aposto no segundo, uma obra extremamente original e imaginativa.
Mesmo assim, tudo pode ser diferente. É fato que vários membros da Academia não assistem os curtas, então preparem-se para possíveis surpresas.
Meus Desejos: Que a Netflix compre o direito de todos os curtas e os libere no Brasil.
Terminamos aqui. E vocês, o que preferiram nesse Oscar? Que tal montarem suas próprias categorias de Melhor Filme? Escolham seus 8 longas favoritos e compartilhem suas seleções conosco.
Para finalizar, quero lembrá-los novamente de me acompanhar no Letterboxd. Também não deixem de entrar no Telegram para debater o Oscar ao vivo comigo e com outros cinéfilos. Até a próxima!






















