Em verdade vos digo, após os flops do AFI Fest esse pode ser o ano de Leonardo Di Caprio.
Semana passada ocorreu o último festival importante da temporada de premiações, o AFI Fest. Depois dele os primeiros prêmios começam a ser anunciados, sendo essa a última oportunidade dos estúdios para lançarem seus filmes em uma plataforma prestigiada que não seja o cinema em si.
O AFI Fest sempre abrigou competidores importantes no passado, mas é inegável que sua influência na corrida do Oscar não é tão forte quanto a do trio Telluride-Toronto-Veneza. Esse ano foram basicamente três títulos importantes que tiveram sua primeira exibição no festival. Vamos a eles!

By the Sea foi o filme de abertura do festival e acabou confirmando minhas piores suspeitas (MC 44/RT 32%). O projeto de Angelia Jolie (Pitt) foi massacrado pelos críticos em virtude de um roteiro ruim, pretensioso e extremamente maçante. O longa parece ser um drama arrastado e sem qualquer humor, que tenta ser artístico demais e acaba se tornando apenas chato. Quase desnecessário dizer que By the Sea está fora de qualquer premiação séria esse ano, embora eu suspeite que possa fazer uma aparição no Framboesa de Ouro.

Já a situação de Concussion é mais complicada de se prever (MC 47/RT 57%). O filme está longe de ter boas críticas, mas o que interessa mesmo aqui é a possibilidade de indicação para Will Smith. O ator teve vários elogios ao interpretar um doutor africano (com sotaque, para apimentar a atuação) que descobre os efeitos nefastos do futebol americano no cérebro dos jogadores. O problema é que a categoria de Melhor Ator está uma bagunça atualmente, mas posso dizer que Smith tem boas chances no Globo de Ouro. Talvez a resposta do filme melhore quando for lançado na última semana de 2015, mas de qualquer forma já é relativamente seguro dizer que, com exceção de seu protagonista, Concussion não tem outras possibilidades de prêmio.

No caso de The Big Short, o último filme a ser anunciado para essa temporada de premiações, é certo que o leque de possibilidades é bem maior (MC 66/RT 80%). O filme de Adam McKay foi descrito pelos críticos como uma montanha-russa extremamente ambiciosa, que quebra a quarta parede e usa todos os truques possíveis para explicar ao expectador de forma inteligível um assunto complicadíssimo: economia. O longa é energético, frenético e cheio de recursos. Steve Carrell é quem recebeu os maiores elogios, sendo teoricamente um candidato a Melhor Ator (muitos falam em um elenco igualitário sem protagonistas claros). Mesmo assim, são poucos os que realmente amam o filme. Além de Carrell, algumas categorias como Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição podem reconhecer The Big Short, mas ninguém está plenamente confiante a respeito da categoria principal.
Novas previsões nas categorias de atuação
Hora de atualizar minhas previsões nas categorias de atuação para o Oscar 2016!
Melhor Atriz

1. Jennifer Lawrence, Joy
2. Brie Larson, Room
3. Saoirse Ronan, Brooklyn
4. Cate Blanchett, Carol
5. Carey Mulligan, Suffragette
Essa categoria continua extremamente competitiva, sendo inútil nesse momento especular sobre uma possível vencedora. O maior destaque vai para Larson, cujo filme está ganhando vários prêmios de audiência em festivais americanos. Room é claramente amado e a atuação da atriz ainda mais. Ronan é outra que cresceu bastante, embora a categoria esteja tão lotada que foi impossível subí-la em posições. Após seu lançamento no cinema Brooklyn conquistou os críticos e parece ser uma ameaça maior do que todos anteviam. Blanchett está prestes a se tornar uma Meryl Streep 2.0, e não a tiro das previsões a não ser que ocorra uma catástrofe. Talvez a única posição que no papel esteja ameaçada é a de Mulligan, que tem um filme pouco amado pela crítica e cercado de algumas polêmicas.
P.S.: Uma mudança de categorias ocorrida recentemente no Globo de Ouro pode mudar a situação, confiram na sessão de atualizações!
Melhor Ator

1. Leonardo DiCaprio, The Revenant
2. Michael Fassbender, Steve Jobs
3. Eddie Redmayne, The Danish Girl
4. Michael Caine, Youth
5. Johnny Depp, Black Mass
A categoria de Melhor Ator talvez seja ainda mais difícil de prever que Melhor Atriz, mas por motivos diferentes. Enquanto do lado feminino temos vários filmes bem recebidos pela crítica e fortes na corrida, aqui a única (aparente) certeza é a indicação de DiCaprio por um filme que sequer foi visto. Fassbender comanda um filme flopado com um personagem nada carismático, mas que ainda tem força com as reviews e está sendo bem recebido pela Academia. Redmayne e Depp têm o peso de críticas não muito favoráveis, mas as atuações chamativas de ambos são fatores irresistíveis para o Oscar. Caine é o veterano de um longa com grande apelo para a Academia e… Bem, eu sinceramente não confio na presença de Caine e da posição 2 para baixo é tudo uma bagunça. Tom Hanks, Matt Damon, Steve Carrell. Samuel L. Jackson, Will Smith e Ian McKellen estão na briga, mas ninguém é inquestionável nesse momento. A vantagem é, novamente, de DiCaprio: 2016 com certeza será sua melhor chance de levar o Oscar pra casa, só precisando entregar uma atuação decente em The Revenant e partir para a campanha. Quanto a Abraham Attah: Beasts of No Nation tornou-se uma aposta dificílima para mim após ter visto o filme, sem contar a improvável indicação de um ator mirim na categoria principal.
Melhor Atriz Coadjuvante

1. Rooney Mara, Carol
2. Alicia Vikander, The Danish Girl
3. Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight
4. Kate Winslet, Steve Jobs
5. Rachel McAdams, Spotlight
Apenas uma mudança nessa categoria. Mara e Vikander continuam firmes em suas posições, embora novos acontecimentos (sobre os quais falarei na sessão de Atualizações) possam mudar o jogo. Coloquei Leigh acima de Winslet depois que Steve Jobs tomou aquele tombo, mas ainda acho que Kate está forte na categoria. Quanto a McAdams, ela entra na categoria no lugar de Diane Ladd. A veterana de Joy parece ter competição interna de Isabella Rossellini, e o crescimento de Spotlight na competição (para mim o futuro vencedor do Oscar 2016) deixa McAdams na ótima posição de única atriz feminina do filme.
Melhor Ator Coadjuvante

1. Michael Keaton, Spotlight
2. Tom Hardy, The Revenant
3. Robert De Niro, Joy
4. Mark Rylance, Bridge of Spies
5. Idris Elba, Beasts of No Nation
Vou parecer um disco quebrado com essa declaração, mas Ator Coadjuvante é outra categoria dificílima. Pelas minhas contas são quinze competidores perfeitamente viáveis aqui. Keaton fica na primeira posição por ter uma narrativa poderosa após perder o Oscar ano passado por Birdman, mas é bem possível que seu companheiro Mark Ruffalo crie competição interna em Spotlight. Hardy e De Niro são apostas no escuro que são tão possíveis como quaisquer outras, tendo em vista os relatos de que ambos possuem papéis importantes em seus filmes. Rylance confirmou os boatos e se tornou o grande destaque de Bridge of Spies. Elba, que era meu antigo favorito, quase ficou de fora aqui. Creio que o perfil de seu personagem é extremamente atrativo para a Academia, mas Beasts of No Nation é um filme do qual os votantes irão fugir por seu conteúdo sombrio. Isso sem contar o imprevisível fator Netflix.
Oscar de Melhor Animação
A Academia anunciou que 16 animações longa metragem foram submetidas para o Oscar 2016. Dentro desses títulos estão os cinco futuros indicados na categoria de Melhor Animação, e já aproveitei para atualizar minhas previsões. Esses são os candidatos:
“Anomalisa”
“The Boy and the Beast”
“Boy and the World”
“The Good Dinosaur”
“Home”
“Hotel Transylvania 2”
“Inside Out”
“Kahlil Gibran’s The Prophet”
“The Laws of the Universe – Part 0”
“Minions”
“Moomins on the Riviera”
“The Peanuts Movie”
“Regular Show: The Movie”
“Shaun the Sheep Movie”
“The SpongeBob Movie: Sponge out of Water”
“When Marnie Was There”
Da minha listagem anterior apenas Phantom Boy ficou de fora, um filme independente cuja ausência era até previsível. Minha previsão para os indicados:
1. Inside Out
2. Anomalisa
3. The Good Dinosaur
4. The Peanuts Movie
5. When Marnie Was There
Atualizações

Youth parece ser a razão pela qual o adjetivo “contemplativo” foi criado. O filme de Paolo Sorrentino é um estudo sobre a velhice e a passagem do tempo, ambientada em um luxuoso hotel na Suíça que abriga várias personalidades mundiais durante sua temporada de férias. Michael Caine é um condutor de orquestra aposentado, enquanto que Harvey Keitel interpreta um bem-sucedido cineasta que está trabalhando em seu próximo filmes. Os dois são amigos de longa data e lidam com a obsolescência e o esquecimento. Em suma, Youth é uma reflexão filosófica de 2 horas sobre o novo e o velho que conta com ótimas atuações (principalmente de Michael Caine) e uma cinematografia de encher os olhos. É indispensável comentar aqui a performance de Jane Fonda, que pode conseguir a façanha de ser indicada ao Oscar por 5 minutos de tela. Eu sinceramente considerei os elogios um tanto exagerados, mas sua mensagem dentro do filme é poderosa e especialmente importante para a indústria de Hollywood. Avaliação: ★★★½

Flowers é o representante da Espanha para o Oscar 2016, o primeiro filme de língua basca a receber tal honraria. Entretanto, o conflito entre os separatistas do País Basco e o governo espanhol não é o assunto aqui: Flowers é um drama extremamente sutil que lida com luto, aceitação, solidão e os efeitos da passagem do tempo nesse contexto. Uma secretária casada começa a receber flores uma vez por semana de uma pessoa desconhecida, e tenta descobrir sua identidade. O fluxo de presentes só é interrompido quando o admirador secreto morre em um acidente de carro. A personagem cria um curioso laço com essa pessoa, ao mesmo tempo em que a mãe e a viúva do falecido tentam lidar com seu óbito. Os caminhos dos enlutados se cruzam, mas o longa é desprovido de grandes momentos dramáticos. Cada um trata de suas feridas de maneiras diferentes, com o personagem falecido sempre estendendo sua influência sobre toda a duração do filme. Uma experiência de emoções sutis que eu considerei extremamente tocante. Avaliação: ★★★★

Tangerine é um dos melhores títulos que saiu do festival de Sundance esse ano. Rodado inteiramente em alguns iPhones 5S modificados, o filme do aclamado diretor Sean Baker fez barulho. Duas atrizes transsexuais (que irão receber campanha no Oscar, como noticiei anteriormente) sem qualquer experiência em atuação nos carregam para o mundo da prostituição de Los Angeles de forma realista e bem-humorada. Alexandra e Sin-Dee possuem personalidades conflitantes, e o diretor não se preocupa em aparar as pontas para deixar seu projeto mais digerível. O conteúdo é explicito e a construção dos cenários, auxiliada por uma surpreendente cinematografia, é eficiente em nos introduzir a uma comunidade incomum, por vezes cômica e constantemente trágica. O enredo em si envolve Sin-Dee descobrindo que seu namorado se envolveu com outra pessoa durante sua passagem pela prisão. A reação da personagem a esse fato carrega todo o filme, que na verdade quer apenas nos oferecer uma visão sem preconceitos ou omissões das experiências de uma parcela da comunidade LGBT. Avaliação: ★★★★
– Nessa última semana eu também conferi Ricki and the Flash e Mississippi Grind. Ambos os filmes estão quase mortos na competição e não me agradaram de nenhuma forma (embora Meryl Streep é sempre um deleite em cena), de forma que decidi economizar espaço na coluna para longas mais importantes ou mais interessantes.
– Chegamos ao grande plot twist da vez. O Globo de Ouro decidiu recentemente a posição de categorias em alguns filmes para a premiação que ocorrerá no começo de 2016. The Martian virou comédia e Trumbo foi para o lado do drama, mas a verdadeira notícia é que Rooney Mara e Alicia Vikander tiveram seus pedidos para colocação na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante negados. Ambas competirão por Carol e The Danish Girl, respectivamente, na categoria principal. Isso não veio por acaso: muito se criticou em relação ao posicionamento delas por quem já assistiu os filmes. O que isso significa para o Oscar? Boa pergunta. A Academia só decide esse tipo de coisa durante o processo de votação, sem antes regular as categorias como o Globo de Ouro faz. Ou seja, não saberemos até as indicações serem anunciadas. Preferi manter minhas previsões do jeito que estavam antes, mas essa notícia bagunçou ainda mais a já imprevisível categoria de Melhor Atriz.
Nos Cinemas
Nas últimas duas semanas dois filmes surgiram fortes tanto em bilheteria como recepção da crítica. Spotlight é sem dúvida nenhuma o mais impressionante: 93 no Metacritic e 97% no Rotten Tomatoes. É um dos filmes mais aclamados de 2015, cujo sucesso também se confirmou financeiramente: 1,4 milhões de dólares em apenas 61 telas.
Brooklyn não alcançou esses números, mas certamente surpreendeu os desavisados. 87 no Metacritic e 99% no Rotten Tomatoes, com boatos de que os membros da Academia estão apaixonados pelo filme. Foram quase 500 mil dólares em apenas 23 telas, sendo que ambos os filmes ainda receberão maiores expansões.
É isso por hoje! Fica novamente o pedido para que vocês me acompanhem no Twitter e no Letterboxd. Principalmente no segundo, uma ferramenta perfeita para qualquer cinéfilo que quer organizar sua pilha de filmes. Até a próxima!















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