Voltamos com a derradeira parte de nossa lista de 100 Melhores Episódios de 2019.
Postada para encerrar o primeiro semestre de 2020, a lista parece chegar depois de todas as outras e sustentando conversas há muito encerradas. A falta de preocupação diante disso, no entanto, está no sentido de que as listas poderão ser acessadas daqui a anos — e, então, não fará tanta diferença quando foram disponibilizadas —, e porque uma série muito boa rende assunto no ano em que foi exibida, mas também rende depois, e Twin Peaks e tantas outras são provas disso.
Temos novamente um TOP 10 diverso para espelhar, mesmo que não tão ousadamente, o do primeiro semestre: quatro países e três línguas; mas não somente isso, temos uma diversidade de formatos e gêneros, o que só complementa a ideia dessa lista como uma grande vitrine do que foi produzido na televisão no ano que passou.
Preparei certo material extra para nossa conversa render ainda mais, então melhor começarmos porque hoje temos muito sobre o que falar. Lembrando sempre que os textos comentando os episódios não possuem spoilers, assim termina nossa lista:
[AP: posição da série na lista do ano passado quando aplicável.]
10Rick and Morty, 04×01: “Edge of Tomorty: Rick Die Rickpeat” (10/11/2019) [Adult Swim]
Escrito por: Mike McMahan // Dirigido por: Erica Hayes
Começamos nossa lista de hoje com uma série que não é boa e inspiradora em apenas um gênero. Rick and Morty como animação já apareceria em algum ponto na nossa lista, mas é seu trabalho dentro da ficção-científica que coloca a série nesta posição. Durante as temporadas, somos apresentados a diversos universos e às personagens que os compõem, mas tudo dentro de um estilo narrativo, dentro de um humor tão cínico que quase passa para o drama e que ajuda a costurar as histórias. Não só a animação é deslumbrante, portanto, mas o roteiro também. Ficamos fascinados pelo que vemos, mas o que ouvimos e o que acontece também é tão interessante quanto.
A quarta temporada, assim como duas das anteriores, teve dez episódios. Dividida em duas partes, a primeira estreou em novembro de 2019. Para continuar a ser honesto contigo, o que a essa altura da lista já é uma tradição, esta não é minha temporada favorita. Ainda assim, tomando como base esta parte um — e falaremos a respeito da outra na lista de 2020 —, temos bons episódios, e alguns se destacam dentro de nossa maratona semanal.
Em dúvida sobre os dois primeiros episódios, escolhi Edge of Tomorty: Rick Die Rickpeat por alguns motivos. Ele mostra uma evolução da história e das personagens, mesmo em uma série em que cada episódio parece operar quase como uma antologia — algo que as animações costumam fazer. A partir da primeira cena, já temos a postura da família de Rick mudada em relação a sua irresponsabilidade e egoísmo. É nesse tópico que precisamos reparar mais adiante, quando Morty sai do controle e passa a ameaçar o bem-estar de todos.
No episódio, a dupla viaja para um planeta onde há um cristal que prevê a morte daquele que o toca. Por acidente, Morty entra em contato com ele e vê as possibilidades de morte em seu futuro. Uma delas o atrai de modo especial — o que é esquisito, mas vai sempre fazer sentido dentro da série. Ele decide, então, tentar alcançar tal morte. Daí é tarde demais: tudo sai do controle no mundo da animação, e tudo vira uma reflexão para nós, telespectadores. Esta é uma questão sobre essa animação e que a separa de outras: o quanto pode te fazer pensar sobre algumas coisas e reavaliar nossa postura. Mas isso, quatro temporadas depois, nós meio que estamos acostumados.
Trago Edge por conta de seu tema e o quanto nos identificamos com ele, o quanto ele é presente. Falar sobre o planeta e nossa relação com ele é importante, e séries sobre isso já apareceram em nossa lista, mas há temas e mais temas que talvez não são discutidos com frequência, mas que integram nossa cadeia de questões cotidianas. Um deles é sobre como usamos coisas e mais coisas para validar uma vida ou dizer se ela foi em vão. Para alguns religiosos, a vida tem validade quando uma certa escolha é feita. Para algumas pessoas, quando se alcança certo grau de prestígio. Para alguns artistas, quando sua obra alcança o grande público. No episódio, parece ser sobre quem está ausente ou a seu lado no momento de sua morte.
É a abertura perfeita para falarmos sobre aquilo que importa e aquilo que pode ser deixado de lado neste mundo e momento contemporâneo tão conturbados em que tudo parece importante demais e, ao mesmo tempo, fútil demais.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: aventura // Status: renovada para uma quantidade não-específica de temporadas // AP: n/a.]
9Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online, 01×02: “Killing for Clicks” (18/12/2019) [Netflix]
Escrito por: Mark Lewis // Dirigido por: Mark Lewis
Esta série documental fala sobre um assunto tão bizarro e sério e triste que alguns comentários que eu fizer sobre ela vão soar quase insensíveis. Explico: sabe quando nós falamos por aí que achamos histórias criminais fascinantes e gostamos de ler e pesquisar sobre assassinos em série, meio que esquecendo os crimes, a dor e o terror por trás de tudo? Então, algo assim. Desculpando-nos de antemão e com a desculpa perfeita de este ser um ranking que procura, a princípio, debater séries e como elas são feitas — e não fazer um julgamento dos temas contidos em cada uma —, talvez fique mais fácil dizer que Don’t F**k With Cats é uma das produções mais empolgantes do ano.
A produção é instigante a partir do próprio título. Este nos lembra uma simples regra da internet: não mexa com animais domésticos. Uma pessoa descumpre essa regra e começa a postar vídeos maltratando gatos. Os vídeos se espalham por aí, e um grupo se une para caçar, online, o responsável por isso. Fica o aviso antecipado de que, como essa minha humilde sinopse sugere, é uma série perturbadora e pouco recomendável às pessoas que podem se afligir com isso. Reitero o aviso, afirmando que às vezes a série é bem explícita.
Falemos agora sobre o quão enérgica Don’t é. A edição aproveita bem o tema complicado para construir sua narrativa brincando com as emoções do telespectador. Mostrando e escondendo, temos um jogo com a antecipação. Mesmo se não conhecermos bem a história retratada no documentário, suspeitamos aonde ele vai chegar, mas, ainda assim, o caminho não deixa de ser terrível. É de tirar o fôlego como poucos documentários, ou melhor, poucas séries conseguiram em 2019. No final do episódio, o nível de tensão é tanta que é bem improvável que você não emende todos e faça uma maratona desconcertante.
É sempre estranho falar sobre spoilers em documentários, mas, nesse caso, não vou dizer muita coisa porque quero que você decifre a história conforme ela acontece. Assim, vou falar sobre Killing for Clicks, segundo episódio, sem me aprofundar muito em seus acontecimentos. Dá para dizer que a história vai se tornando ainda mais complicada e que as pistas do grupo de caça começa a levá-lo a algum lugar.
É uma história que se comunica conosco, pessoas que passam certo tempo na internet todos os dias, de um modo mais especial. Vemos um grupo de pessoas entusiasmadas (como a internet inteira às vezes parece ser) e que navega por perfis pessoais e sites diversos recolhendo tudo como pista — e talvez alguns de nós façam isso com mais frequência do que gostariam de admitir. O enredo, portanto, lembra-nos do lugar bizarro e surpreendente e atraente da internet e a quantidade de coisas que uma pessoa deixa acessível / tem acesso quando se conecta.
Don’t F**k With Cats é um thriller assustador pela história, por ser baseado em notícias e porque, lá no fundo, lembra-nos de que estar na internet às vezes é caçar algo ou se deixar ser caçado.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: documentário // Status: finalizada // AP: n/a.]
8Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, 01×19: “Hirokami” (10/08//2019) [Tokyo MX, et al]
Dirigido por: Toshiyuki Shirai
Chegamos à última animação de nossa lista.
Aproveitando, talvez seja interessante falar das animações enquanto justifico o aparecimento de Demon Slayer nessa posição.
Algo que vejo em animes e que é muito comum em séries live action também é a combinação de dois ou mais gêneros para conseguir a qualidade final que assistimos em nossa maratona. A aventura parece ser o gênero em comum na maioria dos casos, variando o segundo ingrediente. Yakusoky no Neverland, Dororo e Vinland Saga têm o drama fazendo par ao gênero inicial. Nessas histórias, não só seguimos as personagens em uma saga em que o perigo é uma constante, mas as temos em processos de introspecção e reflexão sobre si e sobre o mundo ao redor. É aqui onde também se localiza esta série.
Também com seus bem-vindos momentos de humor, mesmo nos momentos mais dramáticos de sua temporada (como no episódio em questão), Demon Slayer se vale da aventura e do drama para nos contar a história de dois irmãos tentando sobreviver em um mundo onde demônios conseguiram alcançar um deles. Tanjiro não deixou que desistir fosse uma opção. Por isso, ele carrega (literalmente) a irmã em suas costas e sai pelo mundo em busca de uma cura. Conforme avançamos na temporada, temos estas e outras personagens questionando o lugar da família e qual o seu papel nessa relação.
Em Hirokami, clímax da temporada, a discussão chega ao literal, quando até o antagonista, impressionado com a relação dos irmãos protagonistas, pergunta-se se é assim que uma família de verdade deve interagir. Temos as personagens em um momento crítico, enfrentando o maior perigo até então. É neste momento que o roteiro aproveita para refletir sobre ensinamentos, herança que os pais passam para os filhos, e sobre perseverança. É um momento delicado, mas não deixa de ter muita ação. Constrói bem um certo ponto chave da narrativa, e o resultado é arrepiante.
Destaco também a beleza do anime, não só nos diálogos sensíveis, mas nas cores e traços usados para nos apresentar as aventuras de Nesuko e seu irmão. A temporada é um bom equilíbrio entre a comédia, a aventura e o drama, de modo que não chega a ser um lamento que o ponto alto chegue dezoito episódios depois.
[País: Japão // Idioma: japonês // Gênero: aventura // Status: continuação em filme programada para outubro // AP: n/a.]
7Segunda Chamada, 01×06: “Episódio 6” (12/11/2019) [Globo]
Escrito por: Carla Faour e Julia Spadaccini // Dirigido por: João Gomez e Ricardo Spencer
Tantos meses depois e aproveitando este momento de retrospectiva, dá para dizer que tivemos um ótimo ano de séries brasileiras. Fora as dezesseis séries nacionais que apareceram por aqui, dá para apontar diversas outras que fizeram boas estreias ou tiveram boas temporadas. Volto a dizer que cada uma dessas produções são o resultado de anos e anos trabalhando nesse formato e na dramaturgia nacional. Pode ser que não estejamos totalmente afinados no estilo, mas não ficamos tão atrás quando comparados aos seriados internacionais — em quantidade, sim, mas não tanto em qualidade. Assim, 2019 fechou uma década promissora para este setor e que se aproveitou da chegada dos serviços de streaming por aqui para contar também nossas histórias. Não tivemos a prevalência de só um canal ou veículo, como aliás quis demonstrar na minha lista: tivemos séries de qualidade vindo das mais diferentes plataformas.
A década também fez questão de relembrar que às vezes as melhores histórias partem de premissas simples e lidam não com o cotidiano elegante que tantas vezes dominou nossa televisão (principalmente as novelas), mas com a rotina simples e difícil das pessoas que tanto sofrem com a desigualdade social do nosso país. Combinando tudo isso, trazendo novos rostos e fazendo uma boa utilização dos já conhecidos, Segunda Chamada fez uma das melhores temporadas do ano e que não será superada por aqui tão facilmente.
A premissa é descomplicada: acompanhamos o dia a dia de um grupo de estudantes que fazem o supletivo em uma escola pública. Observamos os dramas dos alunos e os conflitos pelos quais passa cada professor em sua profissão e em sua vida pessoal. Enquanto assistimos, vemos sendo respondidas perguntas sobre o motivo de terem abandonado os estudos e quais as dificuldades pelas quais passam nessa retomada. É uma verdadeira jornada catártica tão intensa que eu não recomendaria assistir em maratona.
A vida de cada aluno ganha o foco durante a temporada numa verdadeira dança das cadeiras e que lembra-nos do formato procedural norte-americano. Algumas tramas, no entanto, nos acompanham pelos episódios. Entre elas, a de Lúcia (Débora Bloch), uma professora de língua portuguesa cuja vida pessoal foi abalada pela morte do filho e a saúde debilitada do marido. O enredo às vezes nos isola em seu sofrimento de uma forma quase sufocante, mas, diferente de outras séries, nós temos bons coadjuvantes com um tempo generoso em tela para que isso não seja tão cansativo.
O Episódio 6 está aqui porque ele talvez seja o momento mais devastador da primeira temporada e porque ele é o que mais espelha a personalidade da protagonista, sua construção e o que entendemos como parte dela: sua generosidade e seu quase instinto para quebrar regras quando acha que é necessário. A história principal é desesperadora, mas temos diversos outros momentos de interação entre as personagens, de confissões e confrontos que ajudam a fortalecer a carga dramática do episódio. Chegar ao final sem ter se emocionado é tão difícil que poderia facilmente ser um desses desafios da internet.
[País: Brasil // Idioma: português // Gênero: drama // Status: renovada para a segunda temporada // AP: n/a.]
6The Deuce, 03×08: “Finish It” (28/10/2019) [HBO]
Escrito por: George Pelecanos e David Simon // Dirigido por: Roxann Dawson
Então, The Deuce acabou. Dá para compará-la em muita coisa com The Leftorvers: ambas são da HBO, ambas tiveram três temporadas e ambas passaram quase despercebidas em premiações. A diferença é que enquanto a segunda encontrou seu público na internet. A primeira, por outro lado, foi indicada a menos prêmios ainda e está ausente nos calorosos debates sobre melhores séries do ano desde que estreou — e isso depois de fazer uma jornada perfeita, com três temporadas bem estruturadas sem que a qualidade nunca se tornasse um problema.
Ao contrário de diversas outras séries sobre as quais falei antes, é difícil dizer que há um clímax em cada temporada de The Deuce. Isso porque a série nos lembra aquele bom álbum em que todas as faixas seguem certo tom, complementam-se e, portanto, têm qualidade similar. Para nossa lista, isso significa que diversos episódios poderiam ocupar esta posição. Enquanto escrevo, por exemplo, já namoro a ideia de colocar o sétimo, e não este oitavo. Mas um series finale bem feito é um series finale bem feito e não podemos deixar passar em branco.
Diversas personagens tiveram um destino trágico na série, até porque o ambiente em que estavam inseridas era quase um imã para isso. Nos vinte e quatro episódios que antecedem este, vemos protagonistas e coadjuvantes tendo suas trajetórias encerradas em cenas de mortes terríveis e poucos escaparam. Em Finish It, então, temos o momento decisivo, aquele em que saberemos o que acontece com essas pessoas, aonde chegarão. Despedidas por si só já são melancólicas. Tomando-se um contexto ainda mais melancólico por envolver violência, prostituição e drogas, a coisa fica ainda mais dolorosa.
A impressão com a série é que adentramos um mundo passado e com prazo para se manter de pé. A cada minuto passado nele, vemos as coisas desabando e os bares e as ruas em constante ruína, arruinando as pessoas por consequência. Nesse sentido, a palavra para The Deuce é “decadência”. O que sentamos para assistir é o quanto um cenário pode exaurir das pessoas que estão inseridas nele — aqui, recorro ao clichê de dizer que o cenário é uma personagem. E se assistimos ao destino fatídico de muitas, é dessa tal personagem que vemos nessa última sequência.
Finish It tinha o grande desafio de nos entreter por uma hora depois dos acontecimentos do sétimo episódio, este com o melhor e mais brutal final da série. A tarefa é bem executada, temos um bom encerramento para a história, mesmo com espaços em branco que cada telespectador preencherá de sua forma. A cena final é meio novelesca e homenageia as personagens que conhecemos, quase cafona, mas bem-vinda aqui. Não sei se esperávamos um final diferente, mas The Deuce termina nos lembrando que tudo apodrece. Não como as séries que falam filosoficamente sobre passagem do tempo e como nada dura para sempre; a mensagem desta, mesmo que esteja no mesmo princípio, é de que não importa o dinheiro e as conquistas: tudo e todos, inevitavelmente, apodrecem.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: finalizada // AP: #11.]
5The Crown, 03×03: “Aberfan” (17/11/2019) [Netflix]
Escrito por: Peter Morgan // Dirigido por: Benjamin Caron
A grande presença da Netflix nessa lista é a prova de que, sim, indo contra o que muita gente vem falando, ela ainda tem muita série de qualidade em seu catálogo. São mais de vinte aqui no nosso ranking de 100, e tantas outras ficaram de fora por pouco e porque a intenção era dar uma diversificada. Dito isso, precisamos falar sobre o fim de mais uma década para o serviço — e aquela em que ele começou a produzir originais.
Na mesma década em que encontramos House of Cards e Orange is the new Black, a Netflix começou tímida, lançando três ou quatro séries por ano. Hoje em dia, ela parece lançar isso a cada sexta-feira. Muita coisa bacana no meio, mas confesso que o número de produções tem me deixado afastado do serviço. Fico dias sem aparecer no portal deles justamente porque há uma sensação sufocante com o tanto de conteúdo disponível, tão abarrotado e atirado ao telespectador que este se sente até nauseado sempre que faz seu login. Mas isso rende um texto para outro momento. Por enquanto, basta dizer que em sua tentativa de cercar o público e garantir sua fidelidade, encerramos um ano de estranhamento com a Netflix e desconfiados se seu método não está, na verdade, causando certa repulsa em seus assinantes.
The Crown aparece nisso tudo como um quase antídoto. Sim, podemos ficar semanas sem aparecer, trocando a televisão por literatura ou cinema, com a barriga cheia de tantos episódios, mas, assim que esta série aparece, está na hora de tentar vencer a ressaca série-maníaca. Ainda mais quando temos Olivia Colman encabeçando o elenco.
Eu não estava muito preparado para abrir mão de Claire Foy e Vanessa Kirby, mas como a proposta da série era esta, pular décadas na narrativa para cobrir mais do reinado da Rainha Elizabeth II, não há muito o que protestar nesse sentido. Episódios dentro da temporada, não demora para que nos acostumemos aos novos rostos em personagens conhecidas e compremos esse novo momento da produção. E é aí, quando o desconforto causado pela renovação passa, que lembramos do quão impecável e deslumbrante é The Crown.
Entre os debates constantes trazidos pela narrativa, temos a inveja e o medo. Este se desdobra em tantos que dava para fazer uma análise inteira sobre sua presença na série. Aqui, refiro-me ao medo da percepção alheia, de como o público te perceberá. Este é um conflito presente na vida da rainha que acompanhamos, afinal, seus gestos (ou ausência deles) têm sempre muito raciocínio envolvido em sua construção. Esse medo volta à tona em Aberfan, um dos destaques da terceira e novamente impecável temporada.
Após uma tragédia, a monarca tem sua presença requisitada no local, algo muito falado mesmo aqui no Brasil. Mostrar solidariedade aos que sofrem é uma cobrança que voltou à tona durante essa pandemia, por exemplo. Com esta cobrança, ela começa a refletir sobre si mesma, sobre o quão distante se sente das pessoas e de como lhe é trabalhoso fazer demonstrações no nível em que as pessoas esperam.
Mesmo em outra realidade, tendo um oceano e um universo de distância entre nós, a Rainha acaba fazendo reflexões com as quais podemos nos associar. É o que traz uma série tão megalomaníaca, e séria, e deprimente, e elegante, e cinematográfica, e extravagante, e rancorosa, e exibida para os nossos pés. Abordando esses sentimentos universais, The Crown se curva ao assinante da Netflix, soberano de um reino muito vasto, às vezes indigesto, mas com boas terras para se visitar. E esta será sempre uma delas.
[País: Reino Unido // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: renovada até a quinta temporada // AP: n/a.]
4Euphoria, 01×07: “The trials and tribulations of trying to pee while depressed” (28/07/2019) [HBO]
Escrito por: Sam Levinson // Dirigido por: Sam Levinson
Seria um ótimo momento para começar no lugar-comum e dizer: precisamos falar sobre Euphoria. Mas a questão é que estamos falando sobre Euphoria há mais de um ano.
Assim, talvez devêssemos refletir sobre séries com jovens ou para jovens e o caminho que tiveram nessa década. A década de Pretty Little Liars, Awkward, My Mad Fat Diary e tantos outros sucesso de público, terminou com bons acenos para o futuro. Tivemos Skam, série que se aproveitou da tecnologia para construir sua narrativa em tempo real e usando as redes, espalhando-se pelo mundo. Tivemos Sex Education nos lembrando que séries juvenis não necessariamente precisam das cenas ousadas que estamos acostumados, mas precisa debater sexo com este público. Até Malhação se reinventou para poder se comunicar melhor com os jovens.
Então, temos Euphoria.
Classificada para dezoito anos, é muito difícil dizer que é uma série adolescente ou que tenha este público como alvo. Então vamos combinar: é uma série sobre adolescentes.
Num lugar comum dentro dos seriados, sempre nos perguntamos se já não temos o suficiente dessa temática, se já não foi feito tudo o que era possível com o subgênero. Pós-Skins e pós-Skam, o que mais temos para ver? É aí que entra a verdadeira jornada visual, auditiva e emocional que é Euphoria. Com temas pesados e exigindo muito de seu elenco, a série parece se valer de um verso de Lykke Li no qual a cantora diz “jovens não conhecem a dor”. Temos a vibração juvenil em seus momentos mais apaixonantes e violentos, colocando relações familiares e a própria integridade em risco.
Dá para fazermos uma lista de dez (ou mais) cenas de tirar o fôlego da temporada — e a minha favorita nem sequer está nesse episódio. Trago-o, contudo, porque ele é o melhor momento do casamento perfeito entre o roteiro e o audiovisual que o transmite para nós. Eu disse, acima, que The Deuce é uma série sobre tudo inevitavelmente apodrecer e que às vezes o ambiente ajuda. Euphoria, então, talvez seja sobre como as coisas às vezes começam a apodrecer muito cedo. Sentimos isso desde o primeiro episódio, quando a protagonista conta sua jornada e os problemas que enfrenta desde criança. Sentimos isso também no começo deste episódio, focado em uma das personagens mais fascinantes desse grupo.
Ah, isso me lembra que na lista de coisas que Euphoria fez certo está seu conjunto de personagens. É muito difícil escolher a melhor, a mais complexa ou mais carismática. Devo admitir, no entanto, que nem tudo funciona, e diversas decisões do roteiro são equivocadas ou tornam a maratona cansativa — aqueles pequenos erros que se destacam quando o resto parece intacto demais. Focando no que faz certo, temos um retrato fiel de como questões envolvendo nossa saúde mental podem afetar e comprometer nossa vida.
Em The trials and tribulations of trying to pee while depressed, como já diz o título, temos uma reflexão sobre aquele momento em que uma pessoa se sente tão deprimida que não consegue sequer levantar da cama. Depressão é um assunto importante e vem sendo cada vez mais abordado na televisão. Euphoria o faz de um jeito muito particular, do mesmo modo que desenha para si uma identidade visual muito distinta. Em meio a tudo isso, temos momentos até divertidos (?), como quando Rue (Zendaya) decide fazer uma investigação, e a série nos mergulha em sua imaginação.
Cada personagem tem pelo menos uma cena boa neste penúltimo episódio. É um bom modo de nos preparar para o final e plantar aqui as justificativas para suas ações de depois. Também é um excelente modo de manter a série em nossas conversas mesmo um ano depois de sua estreia.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: renovada para a segunda temporada // AP: n/a.]
3Succession, 02×10: “This is not for tears” (13/10/2019) [HBO]
Escrito por: Jesse Armstrong // Dirigido por: Mark Mylod
Se nós fingirmos que a última temporada de Game of Thrones nunca existiu, podemos dizer o seguinte: ligar a televisão na HBO em 2019 era garantia de um bom episódio. Com o ainda melhor catálogo entre os serviços, a emissora teve um ano muito positivo em diversos gêneros. E mesmo que boa parte de seu catálogo seja de dramas sérios e melancólicos, tivemos comédias absurdas, ficção-científica e mesmo fantasia aparecendo. Succession é, antes de mais nada, um bom exemplar de um ótimo ano para o canal.
Sempre uma recomendação minha, já tive retornos diversos sobre a série. Nas reclamações mais comuns, está a de que absolutamente todo mundo em Succession é odiável e que é impossível fazer uma maratona assim. Com isso não dá para discutir,porque é uma verdade absoluta. É sempre uma boa pergunta pensarmos por que acompanhamos pessoas detestáveis fazendo coisas detestáveis e brigando entre si para ver quem sobe ao trono de mais insuportável. Bom, minha resposta é que às vezes a forma como uma história é contada torna essa gente detestável em fascinante — até hilária em toda sua arrogância.
Costumo recomendar primeiro Veep, também da HBO e que tem alguns roteiristas e produtores em comum, como porta de entrada para Succession. Talvez acostumado ao humor da primeira, alguém consiga perceber o quanto a segunda é engraçada. Isto é, existe um estilo de humor ou mesmo de filmagem em Veep que é passado para a série companheira de canal e que talvez pegue o telespectador que não tenha visto a paródia política desprevenido.
Como sei que muita gente ainda não deu chance a esta série, além da recomendação acima, talvez seja bom relembrar o enredo. Basicamente, vemos uma família podre de rica cujo patriarca coloca os filhos para brigar entre si para descobrir quem irá ocupar seu lugar no futuro. Na segunda temporada, a relação entre Logan Roy (Brian Cox) e seu filho Kendall Roy (Jeremy Strong) é aprofundada ainda mais, pois algo ocorrido na season finale passada tem complicações por aqui. Além disso, a única filha, Siobhan (Sarah Snook) ganha mais destaque e não parece mais apenas uma coadjuvante entre os demais.
No final da segunda temporada, temos os erros da família vindo assombrá-la. É preciso que que ela entre num acordo sobre o que fazer a respeito disso. Conversas e mais conversas são feitas enquanto cada um argumenta por si e tenta bolar estratégias para se beneficiar e defender o que é seu. Não vou exagerar dizendo que chegamos a nos importar com o destino deles, mas ficamos definitivamente empolgados com a dança das cadeiras e com as reviravoltas escondidas aqui. É um roteiro cruel, com três das melhores performances da televisão do ano passado e uma última cena de se aplaudir.
O grande destaque em séries regulares do canal, Succession entra nesta nova década com o potencial de se tornar uma das mais memoráveis deste período.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: renovada para a terceira temporada // AP: #21.]
2Watchmen, 01×08: “A God Walks into Abar” (08/12/2019) [HBO]
Escrito por: Jeff Jensen e Damon Lindelof // Dirigido por: Nicole Kassell
Watchmen é uma master class de como desenvolver uma minissérie.
Há pouco, eu disse que Euphoria ofereceu algo novo àqueles que se perguntavam aonde poderia ir o drama juvenil televisivo, o que mais poderia se contar. Uma produção gigante e competente depois, a série se provou relendo uma história contada outras vezes, mas não dessa forma. Com Watchmen, temos algo parecido. Aqueles que não são muito fãs de histórias de super-heróis ou que até eram, mas viram o subgênero se desgastando no cinema e na televisão, podem ter um pé atrás e, ignorando a aclamação desta minissérie, deixá-la de lado. É só depois de alguns episódios que percebemos que não só os super-heróis não são totalmente o foco narrativo aqui como a trama principal não tem um fundo moral e clássico como essas histórias costumam ter. O enredo aqui fala sobre ancestralidade, sobre memória e sobre como não importa a que grau você tenha chegado de altruísmo em uma sociedade injusta, racista e preconceituosa — ela jamais o respeitará.
A inteligência de Watchmen está, entre outras coisas, na construção das personagens. Assim como em Euphoria e Succession, é impossível escolher a melhor ou mais complexa personagem. É difícil escolher o melhor diálogo, a melhor cena ou o melhor episódio. Aos telespectadores, a impressão é de que foi absolutamente tudo pensado para chegar ao resultado que vimos sendo exibido aos domingos. Por isso, imagino já a contestação sobre escolher o oitavo episódio e não sexto, favorito de muita gente.
A God walks into Abar nos oferece aquela jornada pela qual estávamos esperando desde a primeira cena. Quando sentamos para assistir Watchmen, ou pelo menos os mais desavisados como eu, estávamos prontos para sair por aí com o Dr. Manhattan e aprender um pouco mais sobre a mente fascinante desta personagem. O que a minissérie faz é criar uma mitologia por trás dele, levantar o cenário e ajustar as luzes do palco antes que ele apareça. Temos sete episódios conhecendo Angela (Regina King), sua história e os obstáculos pelos quais passou e tantas outras personagens fascinantes, mas, sem este oitavo episódio, a saga estaria incompleta.
A base de A God é um diálogo, e isso já é uma prova da força de seu roteiro. De um modo quase exibicionista, o episódio começa demonstrando que consegue nos entreter “apenas” com uma conversa. A performance dos atores, principalmente Regina King que passa por uma verdadeira jornada emocional no sexto episódio, não está menos fantástica aqui, pois a atriz consegue deixar sua personagem carismática mesmo durante uma conversa de bar. Mas Watchmen não fica nisso. Algumas deixas no diálogo que ouvimos é a desculpa para que a série deixe o ambiente por um momento e nos leve para passear. No passeio, vemos o passado, o futuro, este e outros planos. Falamos sobre tempo, sobre escolhas e sobre amor — porque tudo, no fim, parece se resumir a ele, sua presença ou ausência.
Se diversas obras cinematográficas e televisivas já tinham quebrado a barreira entre as histórias tradicionais de super-heróis, Watchmen veio para extinguir esses limites. Não que não reconheça sua origem, o subgênero do qual faz parte, mas em nenhum momento a minissérie se sente parte de um estilo que não seja o seu próprio. Você pode odiar séries de super-heróis e, ainda assim, sair apaixonado por esta minissérie.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: finalizada // AP: n/a.]
1Mr Robot, 04×13: “Hello, Elliot” (22/12/2019) [USA Network]
Escrito por: Sam Esmail // Dirigido por: Sam Esmail
Mr Robot tem o melhor episódio de 2019.
Depois de falarmos sobre cem séries, dividindo-as nos dois semestres e em dois grupos de cinquenta, chegou o momento de falar sobre a derradeira produção. Fleabag segurou o primeiro lugar da primeira parte — algo que, mais de um ano depois, ainda considero inquestionável —, e Mr Robot vem fechar essa segunda.
A série deixa uma grande herança para a televisão. Considero-a inclusive tão importante quanto Breaking Bad no que diz respeito à influência que pode gerar. A quebra da quarta parede, a elaboração do roteiro, as atuações, a criação de mitologia e atmosfera, a cinematografia, a trilha (!)… Tivemos muito para usarmos como inspiração no audiovisual. Depois de sua primeira temporada, a série foi passando despercebida aqui e ali, mas, tenho certeza, ainda vai servir de matéria-prima para muito do que acontecerá na televisão a seguir.
O drama fez uma boa quarta temporada, mas não acho que ela, como um todo, tenha a mesma força que diversas temporadas por aqui. O grande destaque está em dois episódios (o sétimo e este) que pegaram seus telespectadores de surpresa numa armadilha que Sam Esmail, criador, diretor e roteirista da série, armou desde o começo. Nos dois episódios, temos a televisão mostrando sua capacidade de nos emocionar. Sim, mesmo nós, esses céticos e pessimistas. Mesmo nós, esses série-maníacos que devoramos tanta, tanta maratona que passamos a não nos impressionar tão facilmente. No sétimo episódio, temos uma revelação. Neste, temos a despedida da série. Emocionar-nos com a revelação é mais compreensível — é algo triste, cruel e que nos pega de surpresa. Quase de mau gosto de tão despreparados que estávamos. É uma revelação que chega depois de quase quarenta episódios, e é bem realizada, então eu vou entender os que colocarem 407 Proxy Authentication Required aqui, no lugar deste.
Eu fico com Hello, Elliot, entre tantos motivos, porque ele nos emociona não por conta de algo cruel, injusto e terrível, mas por conta da beleza. Daqueles filmes tão bonitos que quando acaba você está chorando deslumbrado por como a arte consegue nos tocar. Aqui, a série chega à sua conclusão. Sobre o que falamos durante esses anos? Qual era a mensagem? Era uma série sobre solidão? Era uma série sobre capitalismo? Mr Robot faz um resumo em suas últimas cenas e conclui qual era o objetivo. Termina no momento certo.
Arrancar-nos lágrimas com o assombro não requer tanto esforço. Arrancar-nos lágrimas porque você soube fazer um último episódio tão bonito que chega a ser emocionante — isso requer todos os truques do jogo. E inventar alguns a mais.
[País: Estados Unidos // Idioma: inglês // Gênero: drama // Status: finalizada // AP: n/a.]
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BÔNUS
Melhores Cenas, 1º Semestre:

- “O jantar — o episódio inteiro”, Fleabag, 02×01;
- “It’s time to punch a few Nazis”, The Good Fight, 03×05;
- “Morsas descendo um penhasco”, Nosso Planeta, 01×02;
- “O veredicto”, Olhos que Condenam, 01×02;
- “I’m the star, not you”, Fosse/Verdon, 01×07;
- “Just go outside”, Chernobyl, 01×04;
- “A cena do bote”, Years and Years, 01×04;
- “O corredor de mulheres”, Grey’s Anatomy, 15×09;
- “A última cena”, The OA, 02×08;
- “O ultrassom”, Sob Pressão, 03×10;
Melhores Cenas, 2º Semestre:

- “A revelação”, Mr. Robot, 04×07;
- “Lúcia abre a janela”, Segunda Chamada, 01×06;
- “Boar on the floor”, Succession, 02×03;
- “All for us”, Euphoria, 01×08;
- “O plano sequência”, Family Man, 01×06;
- “O frízer”, Pesadelo na Cozinha, 02×01;
- “Os Peaky Blinders visitam um convento”, Peaky Blinders, 05×03;
- “Entrevista com Charles Manson”, Mindhunter, 02×05;
- “This is the moment”, Watchmen, 01×08;
- “A transformação”, Demon Slayer, 01×19;
Melhores Temporadas de 2019:

- Chernobyl, minissérie;
- Watchmen, minissérie;
- The Good Fight, 3a temporada;
- Fleabag, 2a temporada;
- Succession, 2a temporada;
- Nosso Planeta, 1a temporada;
- Dark, 2a temporada;
- Yakusoky no Neverland, 1a temporada;
- Segunda Chamada, 1a temporada;
- Mr Robot, 4a temporada;
Placar de canais:
Netflix, 25 // HBO, 12 // Globo + Globoplay, 10 // BBC One + Two, 07 // Amazon, 06 // FX, 05 // Channel 4 + All 4, 03 // Fox, 03 // Hulu, 03 // Adult Swim, 02 // CBC, 02 // CBS + CBS All Access, 02 // Starz, 02 // Tokyo MX, 02 // TV Tokyo, 02 // ABC, 01 // Apple TV+, 01 // Band, 01 // Canal+, 01 // Cartoon Network, 01 // Comedy Central, 01 // Curta!, 01 // DC Universe, 01 // Disney+, 01 // Fuji TV, 01 // IFC, 01 // NHK General TV, 01 // RÚV, 01 // The CW, 01 // USA, 01 //
(Alguns canais produzem séries em parceria.)
Placar de países:
Estados Unidos, 55 // Brasil, 16 // Reino Unido, 14 // Japão, 07 // Canada, 02 // Alemanha, 01 // Colômbia, 01 // Coreia do Sul, 01 // França, 01 // Índia, 01 // Islândia, 01 // Itália, 01 // Suécia, 01.
(Algumas séries são co-produções de dois países.)
Placar de idiomas:
Inglês, 69 // Português, 16 // Japonês, 07 // Espanhol, 02 // Alemão, 01 // Coreano, 01 // Francês, 01 // Hindi, 01 // Italiano, 01 // Sueco, 01.
(Em algumas séries, são falados mais de um idioma.)
Para a lista de 100 Melhores Episódios de 2019 do Série Maníacos, foram assistidas/consideradas as séries:
A Black Lady Sketch Show, A Divisão, After Life, Alta Mar, American Dad, Anne wirh an E, Aruanas, Bandidos na TV, Barry, Beastars, Better Things, Big Little Lies, Big Mouth, Billions, Black Mirror, BoJack Horseman, Broad City, Brooklyn Nine-Nine, Carcereiros, Catastrophe, Catch-22, Chambers, Chernobyl, Cine Hólliúdy, Cobra Kai, Coisa Mais Linda, Crazy Ex-Girlfriend, Dark, Dead Pixels, Dear White People, Demon Slayer, Derry Girls, Documentary Now!, Don’t F— With Cats, Dororo, Eu, A Vó e a Boi, Euphoria, Evil, Family Man, Filhos da Pátria, Fleabag, Fosse/Verdon, Frontera Verde, Game of Thrones, Gentleman Jack, Good Omens, Grace and Frankie, Grey’s Anatomy, Guerras do Brasil.doc, Harley Quinn, His Dark Materials, Homens?, I am the Night, Ilha de Ferro, I’m Sorry, Into the Dark, Irmandade, Irmão do Jorel, Kengan Ashura, Killing Eve, Kingdom, Law & Order: SVU, Legion, Les Misérables, Lorena, Los Espookys, Love, Death & Robots, Mary Kills People, Midhunter, Miracle Workers, Modern Family, Modern Love, Mr Robot, Mrs Fishers Modern Murder Mysteries, Necropolis, Ninguém Está Olhando, O Aprendiz, On Becoming a God in Central Florida, One Day a Time, One Punch Man, Os Simpsons, Our Planet, Patriot Act, Peaky Blinders, PEN15, Pesadelo na Cozinha, Pose, Primal, Project Blue Book, Psi, Quicksand, Ramy, Rick and Morty, Room 104, Rupaul’s Drag Race, Russian Doll, Samantha!, Santa Clarita Diet, Schitt’s Creek, Se Eu Fechar os Olhos Agora, Segunda Chamada, Sessão Terapia, Sex Education, Shameless, Shippados, Sintonia, Slasher: Solstice, Sob Pressão, Sorry for your Loss, Strangers from Hell, Succession, Superstore, Survivor, Swamp Thing, Tá No Ar, The Act, The Big Bang Theory, The Boys, The Crown, The Deuce, The End of the F- World, The Good Fight, The Handmaid’s Tale, The Mandalorian, The Marvelous Mrs Maisel, The Morning Show, The OA, The Twilight Zone, The Virtues, The Witcher, This is Us, Tidying up with Marie Kondo, Trapped, True Detective, Tuca & Bertie, Unbelievable, Unbreakable Kimmy Schmdit, Undone, Veep, Vida, Vikings, Vinland Saga, Vítimas Digitais, War of the Worlds, Watchmen, Weird City, What We Do in the Shadows, When They See Us, Yakusoky no Neverland, Years and Years.
(Ou seja, se sua série favorita não está listada acima, ela simplesmente não apareceu no ranking porque eu não vi.)
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Chegamos ao final da lista.
Agradeço muito aos que me acompanharam até aqui. Este ano prometo fazer um esforço para pelo menos a primeira lista sair ainda em dezembro. Foi a primeira vez em muitos anos em que a lista é feita e explicada por apenas um redator porque achei que fazia mais sentido assim. Espero que tenham se interessado pelas séries que não viram e que possam usar esta lista e a do ano passado como guias para futuras maratonas — e que a conversa sobre televisão tenha sido tão fascinante para vocês como foi para mim.
As capas desses rankings são do André Zuil, que generosamente aceitou participar novamente este ano.




















