
Como já diria Liz Lemon (que ironicamente não está nessa lista), maio é o final de ano para os fãs de TV. E para celebrar isso, eis a minha lista de melhores episódios do ano.
Mas antes, uma pequena consideração:
A palavra “minha” ali em cima está em negrito por um motivo. Eu não assisto tudo, nem gosto de tudo, e em certos casos, não estou em dia com algumas séries que merecem estar aqui. Breaking Bad, por exemplo. Ela está na terceira temporada, e eu ainda estou na segunda. Se tivesse alcançado a exibição americana em tempo, ela estaria numa posição alta aqui pois é muito boa. Então, para todos os efeitos, isso aqui é mais uma lista pessoal do que qualquer outra coisa.
Ok, chega desse papo furado que até eu odeio ser obrigado a fazer. Logo abaixo, os trinta melhores episódios do ano em uma ordem que mudou mais de cem vezes durante a elaboração dessa lista.
30º – “The End”, Supernatural (CW)
Saindo da sua melhor temporada, Supernatural tinha muitos deveres a cumprir e acabou cedendo à pressão, mesmo com um começo pesado, interessante, complicado e até profundo, algo que a série não costuma fazer. E The End foi o auge disso, da canção apocalíptica que começou na premiere e também, infelizmente, a última vez que vimos essa série brilhar.
Seria impossível para Ronald D. Moore superar Battlestar Galactica, e ele fez a decisão mais sábia quanto ao planejado spin-off: não tentar. Repetir o que eles haviam feito tão bem antes, seria um fracasso por tanto, a melhor saída foi pegar leve, criar um drama discreto com altas doses de sci-fi, exatamente o que Caprica é. Esse piloto por vezes se arrasta, mas mostra que as mentes por trás dele sabem o que estão fazendo e escrevem cada linha buscando o máximo possível. Isso tornou o tão temido spin-off uma das melhores surpresas do ano, mesmo que com diversas falhas na parte final da primeira metade da temporada.
28º – “The Lord of War and Thunder”, Justified (FX)
Justified ainda tem um longo caminho se quiser alcançar as irmãs Sons of Anarchy e Damages, e esse episódio foi um bom começo, mostrando pela primeira vez Raylan sendo atingido por alguma coisa, descendo do perigoso pedestal no qual os roteiristas o colocaram e se mostrando alguém complexo, a exemplo de outros grandes anti-heróis da televisão como House e Dexter.
27º – “The Attic”, Dollhouse (Fox)
Ah, Dollhouse. Pequena e intricada série criada por Joss Whedon, quem poderia imaginar que você se tornaria tão boa? E como chega a ser costume na televisão, isso – uma hora de terror psicológico de melhor qualidade – ocorreu bem perto do seu cancelamento. Sentiremos falta.
26º – “Hawaii”, Modern Family (ABC)
Enquanto Community é a comédia mais engraçada da temporada por seus momentos de genialidade e referências inteligentes a cultura pop, Modern Family foi bem mais consistente, entregando só um ou dois episódios ruins em um total de 24. Sempre aliando os seus personagens a situação – e não vice e versa -, eles são capazes de criar um vínculo que chega ao seu ponto mais alto nesse episódio, com uma sucessão de momentos emocionantes e hilários para quem acompanha desde o começo.
25º – “Pilot”, The Good Wife (CBS)
The Good Wife é a prova mais recente de que as emissoras ainda podem pegar gêneros batidos e transformá-los em algo extraordinário. Desde a primeira cena até a última, você consegue sentir aqueles personagens, seus problemas e decisões perante a eles. Cada segundo do piloto tem um objetivo dramático, um centro, com pequenas dicas que revelam padrões de comportamento que se desenvolvem lentamente. Uma das séries mais bem produzidas e sólidas em exibição não poderia ter começado melhor.
24º – “No More Good Days”, FlashForward (ABC)
Depois de um piloto desses, quem poderia adivinhar que coisas tão horríveis viriam em seguida? Por isso não culpo a ABC pelo fracasso, os executivos e todos que viram esse episódio ficaram completamente impressionados com a sua qualidade, ritmo e personagens… Não é de se estranhar o tamanho da má repercussão que veio depois (episódios ruins + altas expectativas).
23º – “Hunting Trip”, Parks and Recreation (NBC)
Viagens são complicadas, principalmente em comédias. E a surpresa da temporada, mesmo tendo estreado na anterior, trouxe um dos melhores episódios do tipo, com Leslie Knope ridiculamente competitiva, uma adorável trama secundária e Ron Swanson segurando uma arma.
22º – “Chuck Vs. the Subway”, Chuck (NBC)
Em um finale que não é duplo oficialmente, e sim em execução, a primeira parte conseguiu fazer o impossível e superar a segunda (também boa, mas não tão quanto), sendo tensa do começo ao fim e levando a série ao seu limite e mandando uma mensagem para os fãs de que a partir dali as coisas vão começar a mudar e um novo Chuck – espionando por conta própria – vai nascer das cinzas de outro que não poderia ter sido mais divertido .
21º – “The Sabbath Queen”, Kings (NBC)
Você provavelmente não se lembra dessa série e se lembra, deve estar se perguntando o que ela faz nessa lista. Eu explico: como a lista é de melhores do ano e esse episódio foi exibido em Junho do ano passado (o que é tecnicamente pouco menos que 365 dias de hoje), pude colocar ele aqui. Uma brecha forçada? Sim. Injusta? Não. Kings foi uma daquelas séries que poderia ter durado anos e mantido um nível espetacular, mas pouco depois desse fantástico episódio ser exibido, ela foi cancelada. Felizmente, pudemos ver o final dessa história e episódios como The Sabbath Queen, que conta com a presença de uma das representações mais fantásticas da morte nos últimos anos. Episódio excelente de uma série também excelente – e que pode ser assistida como uma minissérie. Fica a dica.
20º – “Iwo J
ima”, The Pacific (HBO)
No meio da minissérie de guerra, nós acompanhamos uma história de amor e esse acaba sendo o seu auge. Belo até dizer chega, não é o maior exemplo do que foi The Pacific, mas sim, o seu melhor e que mesmo previsível, conseguiu passar o sentimento como poucos.
19º – “Albification”, Sons of Anarchy (FX)
É uma pena que poucas pessoas conheçam essa série e/ou tenham preconceitos por causa do tema. Sons of Anarchy é tão sobre um clube de motos quanto Friday Night Lights é sobre futebol ou Doctor Who é sobre um alienígena que viaja no tempo. Sim, isso está série, e sim, é uma grande parte dela, mas só é usada para contar histórias que não poderiam ser mais humanas. Albification mesmo não sendo o melhor da temporada tem tudo isso que eu mencionei, unido aos pequenos elementos de ação e crueldade que ajudam a fazer de SoA uma das melhores séries em exibição.
18º – “Survivor History”, Survivor (CBS)
O único reality show nessa lista não poderia ter tido uma temporada melhor. Juntando heróis e vilões em um mesmo lugar, o jogo ganha vida, se torna uma guerra imprevisível em que grandes forças podem cair rapidamente e alguém que não fez por merecer sai vitorioso, e independente disso, episódios como Survivor History fazem tudo valer à pena. Seja pelo JT executando a jogada mais corajosa (e ao mesmo tempo estúpida) da temporada, pelo Russell criando um ato que enganou boa parte dos heróis ou até pela Parvati lendo a carta, são por essas e outras que Survivor é a única do gênero que consegue se igualar aos outros programas daqui.
17º – “I Will Rise Up”, True Blood (HBO)
Em sua primeira temporada, eu achava True Blood horrível. A história não me envolvia, os personagens tinham objetivos fúteis, qualquer tentativa de drama se misturava ao trash… E então chegou a segunda temporada. Ainda não é tudo que pode ser, mas Alan Ball está em um bom caminho, criando arcos divertidos, boas cenas de ação, até personagens chatos se tornaram carismáticos, e esse episódio (que termina com uma das melhores cenas do ano) foi o marco e prova de que a série está na trilha certa e se transformando em algo imprescindível para fãs de boa televisão.
16º – “Give a Little Bit”, Entourage (HBO)
Essa é a prova de que um bom season finale faz maravilhas. Depois de uma péssima temporada e muita enrolação, a série finalmente chega a algum lugar, com uma das melhores cenas do ano – Ari + Arma de paintball = Minha definição de legal – e grandes mudanças acompanhadas do tipo de humor que nos fez amar a série. Que a qualidade permaneça e esse seja o início de uma nova era para algo que já foi a melhor comédia em exibição.
15º e 14º – “The Eleventh Hour”/”The Beast Below”, Doctor Who (BBC)
Em qualquer série, é difícil substituir um querido membro do elenco, ainda mais quando ele, David Tennant, se tornou o Doctor tanto quanto o Doctor se tornou ele. Ainda assim, Matt Smith apareceu, com a pele ainda mais pálida, cabelo estranho e gravata borboleta, conquistando milhões de fãs. Com a ajuda da fofura em pessoa, Karen Gillan (Amy Pond), a série mais famosa da Inglaterra iniciou a sua quinta temporada e com ela, alcançou todas as nossas expectativas.
13º – “Ab Aeterno”, Lost (ABC)
Quarenta e cinco minutos de revelações acompanhadas de uma boa história sobre o personagem mais misterioso da série. Se esse não é um dos melhores episódios da história de Lost, eu não faço a mínima ideia de qual possa ser.
12º e 11º – “Sanctuary”/“Death and All His Friends”, Grey’s Anatomy (ABC)
Era só mais uma noite de quinta-feira quando aconteceu. Milhares de tweets eufóricos e furiosos apareceram na minha timeline falando desses dois episódios. Nunca fui muito fã de Grey’s Anatomy, nem estava acompanhando essa temporada, e mesmo assim, decidi assistir o season finale com o meu conhecimento bastante básico do que estava acontecendo nos corredores do hospital. Não para minha surpresa, causou um impacto. A maneira irreal como Shonda Rimes consegue criar uma situação, fazê-la tensa e emocionante, até para alguém que não tem apego a série, é simplesmente brilhante, de causar inveja a várias outras que tentaram o mesmo. Deu até vontade de assisti tudo do começo.
10º – “Go with the Flow”, Men of a Certain Age (TNT)
Poucas pessoas ouviram falar dessa série e ainda menos a assistem, mas se você der uma chance, a qualidade se provará inegável. Go with the Flow é exatamente o que amizade se parece e a maneira exata de como uma história deve ser contada (e isso em um episódio com uma história dentro de outra história). Se você ainda não vê, corra. É um grande buraco na sua vida de série maníaco.
9º – “Seinfeld”, Curb Your Enthusiasm (HBO)
Como o próprio Larry disse nessa temporada, reuniões são sempre péssimas. E como sempre fez, seja em Seinfeld, seja em Curb, ele pegou essa regra e a quebrou de uma maneira indescritível. Obrigado por reunir esse elenco na telinha novamente, e ainda mais por fazê-lo da melhor maneira possível.
8º – “Hungry Man”, Dexter (Showtime)
Existem poucos momentos tão icônicos em Dexter – para mim ao menos – como quando ele enfrenta Arthur Mitchell em frente de sua família, tirando de uma vez por todas o disfarce de sua cabeça e construindo poderosamente um jogo de gato e rato que iria acabar resultando no momento mais traumático da vida de um serial killer que já havia perdido a mãe, o pai e o irmão. Triste, mas uma mina de ouro dramática que os roteiristas exploraram como não faziam a algum tempo.
7º – “The Next One’s Gonna Go in Your Throat”, Damages (FX)
Ainda não sabemos o destino de Damages, mas se ela foi cancelada, não podíamos ter pedido por um desfecho melhor. Conectando como de costume todas as pontas soltas e dando a Martin Short e Glenn Close oportunidades para eles demonstrarem os seus talentos, a série provavelmente se despede da televisão americana como uma das peças fictícias mais fechadas e inteligentes sobre os riscos do sucesso.
6º – “Modern Warfare”, Community (NBC)
Community sempre foi uma série cheia de referências e sátiras a indústria do entretenimento em geral, mas esse episódio simplesmente extrapolou a cota e ao contrário de todas as previsões, eles acertaram em cheio e Modern Warfare acabou por se tornar um marco de incredibilidade, em ambos os sentidos da palavra.
5º – “The Son”, Friday Night Lights (The 101 Network)
Mesmo as poucas séries melhores que ela nessa lista não conseguiriam executar uma ideia de maneira tão sentimental como essa. Foi lindo e deveria ser obrigatório pra quem ainda tem a péssima noção de que essa é só outra série teen. Não, não é. FNL é um dos melhores dramas da atualidade. Ponto.
Depois de uma péssima temporada, os roteiristas relembraram de quando a série era genial e decidiram escrever duas das melhores horas de televisão da temporada como forma de se redimir. Foi um episódio dramático, inteligente, profundo, divertido, uma verdadeira experiência dentro da mente do hom
em e do delicado momento em que ela finalmente quebrou.
3º – “Girls Vs. Suits”, How I Met Your Mother (CBS)
O maior problema que as séries têm com os seus centésimos episódios é o que fazer com eles. Tem que ser diferente, mas não muito, uma celebração, mas de forma discreta, leve, e ainda assim importante. Várias deixaram esse problema tomar conta e acabaram fazendo um péssimo episódio pra ocasião… Mas HIMYM Não. Ela pegou todos esses elementos e brincou, dançou, pulou, agradeceu aos fãs e também desenvolveu seus personagens na medida certa, com muito humor e histórias de substância.
2º – “White Tulip”, Fringe (Fox)
Um dos meus maiores problemas com Fringe eram os casos. Com uma mitologia tão boa, por que desperdiçar precioso tempo de tela com investigações bestas, nem um pouco relacionadas ao Padrão, ao ZFT, as realidades paralelas, etc. E então a série provou não só a mim, mas a todos os fãs, de que essas histórias fechadas poderiam ser ainda melhores que a grande continuidade que nós esperávamos. Distorcendo o tempo e o espaço, movendo pouco o arco da temporada e trabalhando pesadamente em cima dos fantásticos John Noble e Peter Weller, Fringe dá início a uma sequencia arrasadora de episódios com um esplêndido conto amoroso que funciona sozinho, sem a ajuda da mitologia. Um verdadeiro exemplo a ser seguido por séries que tentam durante anos fazer isso e nunca conseguiram atingir o êxito de Fringe.
Gostando ou odiando, o fim de Lost foi um acontecimento tão importante para o meio que por si só merece um lugar nessa lista. Agora, – e é aqui que a lista fica realmente pessoal como eu falei no começo -, não acho que Damon Lindelof e Carlton Cuse conseguiriam arrumar uma maneira melhor de dar fim a essa história. Não importa o quanto eles tentassem, o capítulo final sempre ia ficar abaixo das expectativas e mesmo com isso se comprovando e eu ficando decepcionado com vários aspectos (os quais eu debato mais profundamente aqui), esse se tornou o tipo de fim que com o passar do tempo só cresce na memória. Quando a poeira baixar e a série finalmente descansar, acho difícil até aquele que mais odiou essa última temporada não se lembrar da série com um sorriso. E por isso, por abalar as pessoas como nenhuma outra série fez em muito tempo, o primeiro lugar dessa lista vai para Lost.















