Clique aqui para ler a parte 1.

Apenas uma regra: somente episódios exibidos durante a última temporada de televisão (entre 01/06/2010 e 31/05/2011) foram levados em consideração.

10º – “Goodbye, Michael” – The Office: 7×22 (NBC)

Escrito por Greg Daniels
Dirigido por Paul Feig

Há um momento nesse episódio, talvez o mais marcante dele, no qual Pam corre pelo aeroporto, tira o microfone, abraça e se despede do ex-chefe. Parte disso é uma pequena homenagem feita ao The Office original, que também usou do silêncio para marcar um dos seus acontecimentos mais importantes. Também é, curiosamente, a grande diferença entre as duas versões. “Goodbye, Michael” dá para o personagem do título todo o amor possível, permitindo que ele tenha uma cena de despedida com cada um dos personagens, que faça a última apresentação, que diga “That’s what she said!” pela última vez e que reafirme, de uma maneira ou outra, todas as coisas que conseguiu construir.

No original, David Brent deixou Wernham Hogg e ninguém notou. No original, silêncio dominou o momento mais triste de uma história de amor. E enquanto esse lado “pesado” funcionou dentro da visão hilária que The Office UK tinha do mundo e de seus personagens, nunca foi compatível com Michael Scott. Em seu primeiro episódio, ele era uma cópia vazia disso, no último, vimos pela centésima vez que resolver abandonar essa abordagem foi não só a decisão mais sábia do remake, como uma que permitiu episódios memoráveis e cheios de pequenos, lindos momentos como “Goodbye, Michael”.

9º – “The Pandorica Opens” – Doctor Who: 5×12 (BBC)

Escrito por Steven Moffat
Dirigido por Toby Haynes

Sofremos com um cliffhanger asfixiante, vibramos com um Doctor na lama tentando recobrar vantagem através do melhor e maior discurso de todos, estranhamos um Rory romano, tememos uma liga de vilões e a prisão perfeita, só para então chorarmos enquanto os pés do nosso herói batiam na poeira e ele era arrastado… “The Pandorica Opens” funciona tão bem não só por saber como jogar a sua audiência de um lado pro outro com esses acontecimentos, mas por arrastar o terror que está vindo para os personagens principais durante boa parte de sua duração, empilhando peça por peça dos maiores eventos da temporada em pequenas cenas e mantendo o Doctor dois passos atrás dos seus inimigos com uma calma perturbante. O que leva ao momento final, onde a Pandorica  se abre e o universo desmorona para os Ponds, o Doctor e qualquer um que tenha ficado no caminho de velhas rixas e interesses  ainda ocultos.

Moffat, eu pediria piedade se não estivesse me divertindo tanto.

8º – “Let The Sunshine In” – Men of a Certain Age: 2×06 (TNT)

Escrito por Tucker Cawley
Dirigido por David Boyd

Durante a porção inicial da sua segunda temporada, Men of a Certain Age fez questão de manter os três personagens principais separados o máximo que possível, cada um na sua história, no seu arco e com os seus próprios problemas. Assim, “Let the Sunshine In” acaba sendo satisfatório por não só deixar a interação entre os amigos tomar conta de cada momento, como por arrumar meios de torná-la importante: a longa insatisfação de Owen finalmente explode por causa de uma aposta mental, o que leva Joe a admitir  que está trapaceando no processo de reabilitação, abrindo espaço para que Terry compartilhe fatos importantes com os seus melhores amigos e consiga encarar o relacionamento com Erin e certos fatos da idade como consequência. É o melhor episódio da série e uma espécie de raridade em misturar drama e comédia com tanto cuidado – servindo de alívio cômico e indo além dessa função quando necessário.

7º e 6º – “A Fistful of Paintballs“/”For a Few Paintballs More” – Community: 2×23/2×24 (NBC)

Escrito por Andrew Guest
Dirigido por Joe Russo

Escrito por Hilary Winston
Dirigido por Joe Russo

Que fique claro, o retorno de paintball aos corredores de Greendale foi pura diversão.

A série tirou prazer completo nos seus dois temas, servindo os desejos dos fãs nas batalhas épicas de filmes como Star Wars, nos duelos e flashbacks do spaghetti western, e nas fantasias, paródias e piadas sobre os pequenos costumes de ambos os gêneros, nunca esfregando isso na cara do telespectador, passando amor pelas situações que comenta ao invés de uma possível arrogância. Esse conhecimento do que o seu público quer e de como ele quer pode sair dos trilhos e atravessar territórios medíocres de tempos em tempos, porém, mais frequentemente do que não, ele faz com que Community debata, resolva ou pelo menos justifique as decisões que toma, permitindo nesse season finale outra coisa, bem mais necessária e bem mais importante em um contexto geral do que tiroteios de tinta: lidar com Pierce.

O personagem estava se aproximando de um ponto no qual ficaria impossível de ser dominado, um ponto onde o antagonismo e companheirismo para com o grupo deixariam de fazer sentido e a sua insanidade prevaleceria sobre qualquer traço de personalidade. Mas ao invés de seguir uma rota autodestrutiva com Pierce, a série cortou esses elementos pela raiz através de Annie e o único relacionamento significativo que ele ainda possuía. Não é a toa que a primeira parte foi centrada nela, conferindo tremenda coesão para um cliffhanger típico de sitcoms e levando Community a dar um golpe emocional incrível com a saída de alguém tão odioso.

5º e 4º – “Always“/”Dont Go” – Friday Night Lights: 5×13/5×10 (DirecTV)

Escrito por Jason Katims
Dirigido por Michael Waxman

Escrito por Bridget Carpenter
Dirigido por Michael Waxman

“Don’t Go” e “Always” estão juntos aqui apenas por merecimento, e ainda assim, quanto mais penso sobre esses dois episódios, mais fico certo de que (outra vez nessa lista) a oposição os completa. “Always” é emocional e solto, não fazendo cerimônia em relação a isso: pessoas se despedem, pessoas choram, pessoas se mudam, tem montagem que marca passagem de tempo e até termina com as luzes do estádio se apagando depois de algumas palavras solenes. Já “Don’t Go” é mais centrado, dá início a reta final e fala sobre como coisas momentâneas podem virar eternas em cidades como Dillon, ao mesmo tempo em que reavalia ideias dos personagens em nome dos finais orgânicos que pretende dar para os mesmos dentro de três episódios. Ambos abordam tudo isso com o típico tato FNL e nem precisam pedir ou indicar para que você sinta algo. Depois de anos, qualquer tipo de emoção que essa série quis passar veio com uma naturalidade linda que só pode ser comparada em força com a da falta que ela faz para todos nós.

3º – “Brothers Keeper” – Justified: 2×09 (FX)

Escrito por Taylor Elmore
Dirigido por Tony Goldwyn

“Brother’s Keeper” é excepcional por ser exclusivo. Muitas séries podem fazer episódios sobre festas com decisões importantes nos bastidores, muitas séries podem fazer episódios com uma garota descobrindo a verdade sobre o assassinato do pai, mas só no universo de Justified essas duas ideias pertencem juntas e se casam com perfeição dentro da mesma hora. Essa é uma série que demora mais do que deveria para decolar no começo de suas temporadas, mas quando o faz, lá pelo sexto ou sétimo episódio… Uau. E “Brother’s Keeper” prova o acúmulo disso, sendo emocionalmente ressonante como poucos e responsável por jogar as várias tramas da temporada (agora centralizadas em um único ponto de conflito) em novas e interessantes direções. Também é duro nas suas cenas finais, exaustivo no pequeno terror que foi construído antes, e prazeroso no diálogo regional que perpetua todo o resto – não só do episódio, como da série.

O que mais você pode querer?

2º – “The Suitcase” – Mad Men: 4×07 (AMC)

Escrito por Matthew Weiner
Dirigido por Jennifer Getzinger

Apesar de quase claustrofóbico, “The Suitcase” acaba conseguindo a façanha de ser o episódio mais aberto da história de Mad Men. Através de um foco limitadíssimo, é a culminação discreta de coisas que estávamos esperando anos para serem colocadas em cima da mesa, é o tipo de satisfação a longo prazo que só a televisão pode proporcionar nos seus melhores momentos e também é uma tarefa assustadoramente complicada para qualquer roteirista, por mais experiente que seja.

Primeiro, ele precisa encontrar um lugar e uma razão sólida para que os dois personagens fiquem presos juntos durante esse período de tempo. Aqui, a resposta é simples e cai como uma luva dada a história de ambos: o trabalho. Segundo, ele precisa de bons motivos para que as explosões emocionais e confissões comecem a acontecer, outro ponto que, com o fim de um relacionamento, a morte da Anna Draper, Samsonite e puro tédio, Matthew Weiner não teve problemas em atingir. E por último, um episódio como esse precisa de pessoas incríveis para carregá-lo. Desnecessário dizer, Jon Hamm e Elisabeth Moss preenchem essa descrição com perfeição em cada suspiro, em cada grito, choro e pensamento divertido que se passou durante aquela noite. Enfim, é um conjunto de fatores difícil e “The Suitcase” sucedeu em manuseá-los tanto com firmeza técnica quanto com delicadeza emocional. Apenas incrível.


1º – “Sins of the Past” – Terriers: 1×11 (FX)

Escrito por Tim Minear
Dirigido por Tucker Gates

Vários episódios estão nessa lista por únicos, grandes motivos. Um conjunto de cenas maravilhosas, um formato que é desafiador, duas atuações que servem como âncoras para revelações tão aguardadas, a pura e desenfreada diversão da destruição, um recorte profissional de tudo que a série em questão fez de melhor, algo completamente diferente do que ela fez semana após semana… Cada episódio nessa lista carrega uma grande qualidade que o define e que eleva o resto, criando boa televisão. Esses episódios na maioria das vezes são formados por vários pontos, temas, personagens, ideias, músicas e momentos que merecem elogios particulares e os tornam amplos, mas se unem em um único impulso, nessa única qualidade que move tudo.

Com a notável exceção de “Sins of the Past”.

O décimo primeiro episódio da primeira e única temporada de Terriers é um amontoado dos motivos citados acima, quase que por acidente. E por estar alheio a isso, não esbanja. Pega essa ideia dos flashbacks e se entrega de corpo e alma, cumprindo a missão de mostrar a destruição de Hank Dolworth e de como o seu relacionamento com Britt é magnético, fazendo jus ao formato episódico e encaixando isso a leveza da série – adaptação que o permitiu atingir todos os pequenos pontos aos quais se propôs, e vários que nem imaginava, com um estilo quase inconveniente.

Episódios como esse não merecem apenas elogios. Merecem reverência.

Montagem no início da lista: @ZuiL/www.zuil.com.br.

@mateusb

Artigo anteriorWilfred – 1×01: Pilot [Series Premiere]
Próximo artigoWeeds | Produtor não descarta possibilidade de a 7ª temporada ser a última