O “fim” de um ciclo coroa um dos melhores episódios de Orphan Black.
No início da quarta temporada, quando uma volta no tempo começou a nos apresentar de forma mais ampla uma personagem que pouco tempo durou na série, surgiu a pergunta natural dos motivos pelos quais estávamos adentrando nesse arco. Sequer dava para imaginar as proporções que esse flashback tomaria e até mesmo o quanto sobre ele seria permitido saber.
Se chegamos ao sexto episódio (pouco mais do que metade da temporada) e constatamos que houve algum fechamento, mesmo que hajam aberturas pra novos rumos, é porque a série progrediu e não nos deixou sem respostas. Naturalmente, outros questionamentos surgiram no lugar. Entretanto, na altura em que estamos deste quarto ano, o que foi entregue até agora é bem mais do que satisfatório, é prazeroso.
Se a tensão era quebrada a todo instante com alívios cômicos no episódio anterior, aqui Donnie e Alison foram dispensados do grande problema que é o projeto Brightborn e o foco no drama foi intensificado. Mesmo com Krystal e Felix fazendo gracinha em momentos pontuais, o sentimento de “vai dar merda” não deixava o episódio. E ainda assim, em meio às piadas, a cena com os dois parece encaminhar para revelações importantes na trama.
Para completar o quebra-cabeça que era o arco da Beth, The Scandal of Altruism inicia logo com flashbacks, prometendo justificar o sangue nas mãos dela assim como apresentar o real motivo do suicídio. Muito nos despistaram nos episódios anteriores, nos fazendo pensar que a Beth fora obrigada a fazer algo terrível e/ou não aguentou a pressão de toda a conspiração. Mas a verdade escondia algo que deve ter emocionado todos. E foi uma revelação desenvolvida com muito cuidado. Mesmo com as indicações de que a Evie Cho estava envolvida na morte da Beth, era claro que faltava algo para justificar o ato da moça.
Entender toda a jornada da Beth é realmente de sensibilizar. Sua preocupação com a verdade não superava a preocupação com as irmãs, e daí que surge o título do episódio. Ela tirou a própria vida para salvar a de Alison, Cosima e familiares. Ela sabia demais e isso era perigoso. Ao passo que nós descobrimos isso, Sarah também passa a compreender (através de Susan) a jornada da falecida irmã. Tendo ciência dos fatos, é de esperar que isso se torne combustível para as ações não só de Sarah, mas de todas as meninas do Projeto LEDA.
Foi um segredo tão bem guardado e que valeu muito a pena esperar. Orphan Black sabe segurar informações importantes até o momento ideal e dentro do próprio episódio, temos um exemplo. Eu mesmo me deixei levar, pensando que Ira tinha sequestrado Kendall Malone e quando a possibilidade é cogitada pelas personagens, pensei logo que iam seguir o caminho óbvio. Qual não foi a surpresa de ver que era um esquema da Evie Cho e do Detetivo Duko? Fui feito de otário, quem mais?
Assim como em Human Raw Material, o clone club chegou perto de sair bem-sucedido de uma missão. As aparências indicavam que o plano ia dar certo. Uma cura para Cosima estava quase palpável e Sarah se livraria do implante. Para não dizer que só de perdas vivem os clones, ao menos o implante foi removido. Mas, agora, a única saída para a Cosima vai depender do quadro clínico de Charlotte, graças a Rachel mesmo que por métodos duros.
As coisas não andam nada bem para Cosima. Além de ter sua chance de cura mais favorável destruída, ela ainda é obrigada a presenciar a morte da Kendall. O peso dessa perda não é apenas da fonte de cura dela. Mesmo sutil, nos foi mostrado que havia um carinho mútuo entre elas, quando a original se sentia otimista de que ela poderia salvar a bióloga. Como se não fosse pouco, Evie ainda solta a bomba da Delphine ter sido baleada até a morte logo após. A missão da Graeme Manson em tornar a Sr. Cho um ser odiável foi mais do que bem-sucedida.
Para aliviar os ânimos, Krystal volta a aparecer. A princípio, parece só mais uma participação para dar um pouco de humor. Junto a Felix, ela traz bons momentos cômicos. Por outro lado, ela sabe de algo em relação a Delphine. A dúvida já havia sido plantada no quinto episódio, quando o Donnie cita o nome da Dr. Cormier para Krystal. E não dá pra ser menos que otimista depois de tanta tragédia nesse episódio. Não tem como não acreditar que ela ter visto a ex da Cosima ser baleada signifique algo maior. As apostas estão todas em que a manicure salvou a cientista. Apesar de tudo, Cosima precisaria muito dessa notícia agora.
No fim das contas, The Scandal of Altruism firmou a presença de Duko e Evie Cho como vilões (em um golpe contra Susan Duncan), como foi sugerido desde a première. Além disso, o episódio encerrou a trajetória da Beth e também pode dar início a uma reorganização nas alianças e nos objetivos dos clones.
Em pleno sexto episódio, tivemos algo que parecia uma season finale de tão bem amarrado e bem estruturado. Helena, Alison, Mika e Rachel não deram as caras, mas isso não tira nem um pouco o brilho do episódio. Pelo contrário, mais do que bem-vindo o descanso para certas personalidades, por mais que façam falta. Tivemos todo o resto que Orphan Black poderia oferecer. Tivemos Beth, junto a despedida que nem nos deixaram ter antes. Foi ótimo conhecer a policial, foi doloroso deixar ela partir mesmo que já tivesse acontecido. O último plano, em que ela segue para a estação de trem, onde Sarah Manning irá vê-la se matar, guarda vários significados.
É um recomeço para Orphan Black, o clone club vai partir do zero, quando superarem o ocorrido. O rumo é incerto, mas há de ser esclarecido nos quatro episódios restantes. Até lá, fica o anseio para que a série entregue mais episódios emocionantes e intensos como esse: um dos melhores não só da temporada, mas de toda a série.
















