Um episódio para celebrar a diversidade de gênero. Mostrar que mulheres e homens podem ser iguais na dessemelhança da vida.
Para isso ser dito acima, é sabido que avançamos um passo grande na caminhada para a linha de chegada do que pode ser compreendido como uma boa relação entre homens e mulheres sejam elas quais for, entretanto, não é num indicativo de vitória intuindo uma relação de força num jogo entre quem pode ser superior ou inferior no modo de ser masculino e feminino, mas de pessoas constituintes de desejos. O homem é um animal desejante. Desejo não é moral. Não é um ato político (que te força a ser algo) ou técnico (que se constrói). Ele simplesmente acontece. E talvez, se não, é um dos únicos sistemas de identificação corpórea que pode ser visto de forma universal para todos os indivíduos no planeta.
A Boo não deveria deixar de ser amada pela postura masculina dela. A Suzanne por ter a sua psiquê alterada pelas más circunstâncias que vivenciou, não a incapacita de amar, se apaixonar, de explorar os seus desejos sexuais ou não. Por isso não é cansativo dizer que nenhuma outra produção é tão rica numa variante gender quanto OITNB. E o episódio We’ll Always Have Baltimore explorou, provocou e mostrou que isso não é uma realidade fechada de libertinos LGBT’s tentando impor a desestruturação do sistema político humano, é a realidade de mundo que TODOS vivemos.
A liberdade de gênero apesar dos avanços, infelizmente, ainda continua como se lhe faltasse um membro do seu corpo. É preciso perceber que corpo magro, alto, gordo ou forte com todos os adereços formativos que a cultura e os traços biológicos imprimem sobre a superfície corpórea, devem ser respeitadas pelo o que são. Até o que culturalmente foi tipificado como “feio” e “degradado” também são veículos de desejos carnais, ou desesperadamente, alguém pode desejar sexualmente quem odeia, e tratar com indiferença quem tem afeto.
A multiplicidade do ato de desejar é enorme. Em contrapartida, vejo que não é difícil imaginar quem não tenha esboçado um sorriso de canto de boca duvidando do sex appeal da detenta abaixo, e muito bem interpretado por Laura Gómez.

Ou quando os guardas na casa de gengibre estão ali falando bobeiras, rindo da vida, e de repente, um homem gordo, com cerveja na mão, personalizando uma “fraqueza social e falta de virilidade”? Um homem nessas condições físicas não pode ser desejado por outros homens e mulheres? Ou devemos acreditar que meninas expostas a uma dimensão sexual feminina a faria ter desejos por outra mulher? Se a Piper se envolveu com mulheres dentro de Litchfield não foi devido a uma imposição sexual e carência masculina, é por sermos animais de desejos, logo, direcionado para variados tipos de corpos.
E cá entre nós, não cabe a religião ficar dando o seu parecer sobre gênero, sexo e sexualidade, e nem tamanha força de vontade deveria ser despendida para certos personagens do folclore de gênero que assola a internet no Brasil: Bolsonaro, Feliciano, Psicóloga Evangélica e outros indivíduos com certos graus de importância na interação absurda com eles.
O que deveria ser feito, é saber mostrar as pessoas, que sexo não é binário, não está ligada aos órgãos genitais, a um pênis ou uma vagina. E que a sexualidade não é um processo humano que se reduz ao sexo. Ninguém nasce exclusivamente homem ou mulher. É possível ter atributos de um e de outro, ou não ter nenhum que se coloque nestas categorias. Podemos ser hermafrodita ou transexual, hétero ou homo, bissexual ou assexuado. Existem modos de ser homens e mulheres na sociedade. Em Savoye temos mulheres que urinam de pé. Já em Djellaba homens que se agacham para urinar. Os Homens massai não beijam suas mulheres, a boca é usada somente para processo de ingestão de alimentos.
Quando olhamos em conjunto as particularidades femininas das detentas de Litchfield, obrigatoriamente deveríamos ser levados a perceber o quanto é bela a beleza da diversidade sexual dessas mulheres e não o contrário criando uma rede de valores para dizer quem pode ou não pode servir de objeto de desejos.

A imagem acima mostra e pretende explicar esta riqueza de diversidade sexual que é a mulher. Diante do que foi exposto, vamos fazer um exercício de imaginação com as nossas queridas meninas, e para que isso melhor seja feito, vamos entender bem sucintamente o que significa cada item presente no humanoide:
1 – Orientação sexual – O que você sente por outra pessoa / Para qual lado sua sexualidade se direciona. / Homossexual, heterossexual, bissexual, pansexual.
2 – Sexo biológico – Nossos órgãos genitais, cromossomos e hormônios podendo gerar macho, fêmea intersexual.
3 – Identidade de gênero – É como você pensa sobre si mesmo. / Como se sente: Transgênero, mulher, homem, sem gênero,
4 – Expressão de gênero – A maneira como você demonstra seu jeito de ser, age, interage. / O que você coloca na superfície do seu corpo: roupas, tatuagens, joias. / Modos de fala: mais fino ou mais grosso.
5 – Aparência sexual – A sua postura corporal. / Feminino / Masculino / Andrógeno / Hipermasculino / Superfeminino / Pelos, barba, cabelo. / Massa corporal.
Nossa realidade humana é constituída pelo o que foi anteriormente apresentado. Nossa sexualidade é posta no mundo desta forma E dando prosseguimento, neste episódio de OITNB, tivemos um homem hipermasculino, de barba, e massa corporal farta falando de sua orientação sexual, o Piscatella. A detenta Piper não só foi com segundas intenções, foi com múltiplas (não é a primeira vez que ela faz isso, risos), que no fim da conversa, ela joga seu charme dizendo que achava a barba dele linda, que prontamente ele responde com a resposta abaixo:

Foi uma cena bem divertida. E não só essa por saber que Piscatella é um homem urso/bear e dono de uma barba realmente bonita, mas outras, como a do Caputo e Linda naquele salão de negócios expondo mil e uma utilidade para uso em presídios. E como não rir e se deixar levar pelo erotismo com a algema de plástico que eles ganharam de presente na chegada do evento? E Linda posteriormente usando isso como meio de sedução?
No flashback da semana, tivemos Maritza aprontando com sua beleza e sexualizando os homens com ela para roubo de carro. E também: a Imagem de peitinhos desenhadas nas paredes internas de Litchfield. Batidas abusadas com Glória. Flanca usando a feminilidade para desviar atenção de um guarda. E um amor crescente e lindo de ser ver entre Poussey e Brook. Enfim, um episódio para celebrar a diversidade de gênero. Nossos modos de se portar no mundo, que ainda tem abusos, preconceitos, intolerâncias, mas também, com pessoas dispostas a mostrar que os nossos desejos não escolhem raça, credo, cor ou biótipos humanos, ele simplesmente pode acontecer, se manifestar na relação com o outro.
Vamos aos espaços de celas:
Cellpadding 1 – A muçulmana é muito treteira, kkk. Quem diria que por baixo do Hijab, teria um celular? E os seus diálogos com a Tova? Seu Profeta não vem? rsrs.
Cellpadding 2 – Você já visitou o dannytalkstruth.com? Netflix quero saber sobre as tretas que o Danny sabe de Litchfield. Gente… E leva o Caputo junto, que no fim, saiu em vantagem com Linda.
Cellpadding 3 – Que feira de negócios mais bizarras foi aquela? Armas laser? Ri muito!
Cellpadding 4 – Black Cindy dizendo que ama dinheiro? Inshallah, muito ouro! Ops, pessoa errada, hahaha.
Cellpadding 5 – Alguém percebeu o Rehab Got Bibles? E o Milton Mouse? Taystee vendo foto da King na revista de fofoca e mexendo na internet? Hua hua hua. É tudo muito bom em OITNB.
Cellpadding 6 – Piper minha filha, você fez é o circo pegar fogo com o seu grupo de acolhimento, lol. Força branca? Naz… é… Latin Pride? Black Pride? Asian Pride? Chang você não merece esta zoeira, ha ha ha. Esta temporada tá sensacional.
















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