Podemos amar alguém pelo o que ela simplesmente é? Uma pessoa? Um indivíduo de desejos e vontades como qualquer outro? Isso é uma realidade a cada dia mais constante em nossa sociedade. E este foi um dos grandes temas abordado neste episódio, a possibilidade de amar sem limites de fronteiras.

Nossa detenta da vez foi Soso no flashback. Ela nunca foi uma personagem preferida minha, achava divertida, as vezes seu ativismo é irritante. Não tem o ditado popular que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura?” Ativismo de qualquer tipo pede esta entrega. Uma força de vontade que não é para qualquer um.

O episódio começa com mais um dia de limpeza no presídio. E somos apresentados com uma divertida fala entre Morello, Suzanne e Tasha… ops. Nossa divertida Taystee, que enfim, é promovida para o cargo de secretária. Merecido. Mesmo lamentando o que disse Caputo com Piscatella sobre sua “capacidade intelectual” e das demais detentas. Claro que pelo todo ocorrido, não tinha como não ser de Caputo o cargo, que também, não é o mais capacitado, mas pelo menos, o mais preparado ali para lidar com o perfil prisional de Litchfield, que agora está mais iluminado com Judy King.

E a grande King começa a mostrar a que veio. Divertida, sagaz, de humor refinado, aparentemente humana, muito boa, amigável, “E”, excelente em small talk: aquele estreito laço de conversa de coisas cotidianas que criamos com um trocador de ônibus, motorista da taxi, a senhora que sempre vai no mesmo horário que o seu na padaria comprar pão, ou aquele aluno ou funcionário da empresa que você trabalha sempre te dando um oi no corredor/ refeitório/ banheiro e você o respondendo “como vai e o seu dia vai bem?”. Isso é uma arte, e pessoas assim vão longe, são admiradas e respeitadas por terem o dom da arte da fala. E não é à toa que ela é uma grande apresentadora de televisão, e capaz de criar ali dentro um grande motim para uma causa própria ou quem sabe, para as detentas, esperemos para ver.

Em mais um “núcleo piradinho” – onde sempre sai as melhores piadas – Lolly em conversa com Vause, compara King com um Shiba inu (uma raça de cães japonesa). Foi a melhor tirada do episódio, realmente King é uma “Shiba inu humana” daquelas de imprimir uma foto dos dois e dizer que os “filhos sempre puxam os pais”, risos. Seu tom de pele branca com seu avermelhado cabelo fogo e seu caminhar elegante, faz dela uma linda ‘cachorra’ desta linhagem. E que sua ‘cachorrice’ só fique nisso.

Quando for para ‘latir’ forte, que seja com Red, a companheira de presídio que somente estaria preocupada com a sua acomodação ali dentro… sei… Deus tá vendo! Healy é um cachorro mesmo, e espero que ele não saia correndo para Red abanando o rabinho para os seus braços depois de quebrar a cara com Judy. Até entendo que entre ele e a Reznikov exista algum tipo de sentimento amoroso. Ela estava carente afetivamente, sabemos que ela não era uma mulher forte, teve que criar uma armadura corporal (uma Power Suit) para resistir ali dentro, que devido a todas circunstâncias, era esperado o seu affair com Healy. Mas não gostaria de ver os dois juntos nem no fim da série caso isso seja cogitado.

Voltando ao flashback da Brook, comprei a causa na hora. Também não gosto do Walmart. E não é um exagero o que ela disse que esta rede de supermercados acaba com os comerciantes locais, uma grande briga americana que o americano médio sabe muito bem como é. Também pudera, trabalho escravo na china, só pode gerar o melhor preço para muitos produtos. Na Europa o povo não é muito fã do Wallmart. Na Alemanha não conseguiram se dar bem com ele. E só o Brasil para abraçar com força mesmo (muito dinheiro envolvido). Embora o que de “mau” esta rede causa, não sejam os motivos de minha estranheza igual os da Soso, não sou hipócrita, se tem algo que o Walmart faz de bom, são aquelas maravilhosas rosquinhas com massa tipo de sonho fritas, os Donuts. O preço é bom, e os recheio idem.

Ter ouvido Soso dizendo para Boo que sua ‘sexualidade’ não escolhe gênero, mas pessoas, valeu pelo episódio inteiro. E como foi engraçado nossa lésbica mor de OITNB zombar de sua “fluidez sexual”, muitos risos. Isso me fez lembrar de um incidente que aconteceu comigo. Vou contar bem brevemente: Geralmente estou bem barbudo, tenho 1,87, e no inverno ou tempo frio, fico com cara de lenhador americano devido as botas, camisa quadriculada, sinto e calça jeans, um “enorme urso”, Grrr. E num grupo de estudos sobre a sexualidade um tempo atrás, alguém disse que era uma pessoa “Dois Espíritos” (Não é Intersex, Transsexual ou Bi). Baixou a ‘’Brook” em mim sem sutileza: “Que porra é essa? Para que tanta rotulagem?”.

Claro que com o tempo as pessoas amadurecem, e você não sai soltando mais isso num grupo do tipo, e enfim, tenho a voz um pouco grave… e falei num tom alto… Quem me conhecia não estranhou. Mas uns pós-modernos presentes, na hora gritaram: “machista, opressor, homofóbico” (um outro tema discutido neste episódio, a forma estereotipada de ser, que as pessoas insistem em criar nas outras). Parei olhei, e disse: antigamente era bem mais condizente, você poderia dizer ser homem, gay, hétero, e pelo andar da carruagem, você vai ter que falar que é “não gênero” para não ficar passando vergonha devido a Sopa-Gender que a cada dia mais enche a prateleira da sexualidade no supermercado da vida.

A luta LBGT já é um fardo enorme, mas por causa de uma liberdade discursiva excessiva, estamos caminhando para um facismo de gênero. A pessoa vai dizer que é cósmico sexual, e você vai ter que aceitar para não parecer que é um opressor em potencial. Felizmente não é por aí que tudo deve se encaminhar. Foi certeira a brincadeira da Boo, e mais ainda a fala de Soso, mas confesso, que a fluidez sexual é muito interessante. Como sempre OITNB, nunca distante de nossa realidade. Gostando de ver tudo isso. E verdade seja dita, a causa LGBT é necessária e urgente, mas na prática, sexual principalmente, são um dos grupos sociais que mais estereotipam os papéis de gênero. E isso tem que ser revisto para ontem. E só citando outra obra do Netflix, a fluidez sexual (de ordem biológica), foi trabalhada de forma espetacular no anime Knights of Sidonia (que super recomendo).

E Judy e Poussey, meio que foi o que tinha dito na review anterior, o estigma da inferioridade que negros (afroamericanos) enfrentam no dia a dia é alto. Soso errou, não é justificável, mas era a leitura que ela tinha (como um pouco de informação e análise crítica faz bem as pessoas). E Judy reproduziu o que ouviu, infelizmente. Fiquei muito triste pelo ocorrido, mas bastante feliz com a resolução. Nossa, ela chegando com o radinho, não podendo gritar, mas protestando pelo direito de ser notada naquele jeito dela que amamos ou odiamos, foi lindo de se ver. Poussey merece está com uma pessoa bacana, que a escute, que não fique numa relação de benefícios. E como não se chocar com tudo que aconteceu anteriormente com ela e seu pai e a garota que ela tinha se apegado? Brook agora sou teu fã. E ela teve o disparate de citar The Wire (uma ótima série por sinal), mas usar isso como parâmetro é muito OITNB, e ainda o sarro com Enemy? Rindo até a próxima vida.

Agora Piper e sua capacidade de querer ser uma grande CEO que não tem fim, tem sido um deleite. A chica com as lágrimas no olho esquerdo, parece que a respeita. Piper está conseguindo manter o seu ar de durona, e botou a companheira de cela no lugar…, mas gente… não estamos diante de uma empresa de capital aberto não é mesmo? Xerecas Inc é a empresa de uma única mulher (gargalhando disso). Mesmo sendo tudo isso bem engraçado, é triste conjecturar que Piper poderá se ferrar legal. E estou com Vause, também não gosto dessa nova Piper.

Pelos deuses de Kobol, como não amar OITNB com Taystee citando George R. R. Martin e a Mão do Rei Warden? Caputo ‘tá’ que ‘tá’. E o inverno está chegando, e só uma boa Shiba Inu para aguentar o temor do frio invernal. A rainha King não vai desistir, pouco a pouco vai unificando os setes reinos de Litchfield? Para que ou para quem ainda não sabemos? E quem será o Cavaleiro Branco desta temporada? Façam suas apostas.

Vamos aos espaços de celas:

Cellpadding 1 – Addict Rehab: Litchfield Edition? Quero passar uma temporada nela, (risos). E Tasha toda na vibe fazendo reconhecimento de dados ali? Estava vendo as presas pegarem o lápis e enfiando no seu olho! (risos). Será que a “casa de gengibre” de Crazy Eyes e seu affair alucinógeno, vai ser o que há de mais louco nesta temporada? Assim espero.

Cellpadding 2 – Quem nunca fez sexo por telefone? Por chat? Por apenas toques? Ainda vejo que Playboy ou G Magazine em braile fariam sucesso. É ir lendo, imaginando, e só agir como Morello (pode ser moderado ou não) para ter altas libidos, cock-a-doodle-doo. Podem reclamar, dizer que é bizarro, mas tem muita gente que está curtindo. Ela na visita com seu marido foi impagável.

Cellpadding 3 – E o cara da visita da Brook não era o monstro pedófilo, apenas um cara disposto a uma liberdade sexual na praia. Como ela sempre gostou de transgredir as regras, era esperado que criasse uma leve simpatia por ele.

Cellpadding 4 – Michael fazendo campanha para Sophia no Kickstarter? Super da hora isso. E olha que lá tem de quase tudo pedindo para ser financiado, e surpreendentemente, alguns conseguem.

Cellpadding 5 – Linda e Caputo juntos e ele pagando de galo para agradá-la, será que foi só para impressionar? Ou uma verdade saída pela provocação? Que ele talvez sem o motivo necessário, jamais falasse o que foi dito.

Cellpadding 6 – E o drone que aparece deixando a Lolly aterrorizada? E com o intuito talvez de tirar algumas fotos de Judy na prisão? Será que o trauma de Lolly é algo que envolve algum tipo de crime de guerra?

Cellpadding 7 – E a série continua italianíssima. Restaurantes. Pratos “sexuais” da Morello. Aprendizado desta língua com Judy King. OITNB sempre nos trazendo boas referências culturais.

 Cellpadding 8 – E para finalizar, gosto muito das indicações literárias do show, e geralmente a leitura ou o nome do livro exibido, revela um pouco do psicológico de cada um ali que é mostrado em cena. Neste tivemos Poussey lendo The Longest Way Home (Andrew McCarthy), e anteriormente, a Piper com Nick Hornby, e citado por Yoga Jones, um dos seus livros mais famosos: Alta Fidelidade. Que indiretamente, é bem o que elas estão vivendo amorosamente e socialmente com seus desejos sexuais ou familiares.

Artigo anteriorThe Voice Australia 5×14: Top 16
Próximo artigoOutcast 1×03: All Alone Now
Fayez Knon
Professor, e nas outras horas viciado em séries (um série maníacos, rsrs). Sempre assisti mais séries do que filmes, e isso desde criança. Gosto de TV Shows desde uma comédia a um drama ou do suspense a uma ficção científica. Se a trama é boa, vale o meu momento assistindo.