Operação Fronteira é um filme de ação da Netflix que mistura elementos de filmes com equipes táticas com filmes de assalto. O filme se passa na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru, dai seu nome original (Triple Frontier). No epicentro da história temos Pope, que trabalha numa espécie de empresa militar na Colômbia e está cansado de prender criminosos e vê-los de volta as ruas. Com isso, ele tem a brilhante ideia de matar e roubar um chefão do tráfico, assim ele, além de livrar o mundo de um criminoso, também lucra alguns milhões, afinal, ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, não é isso?

Uma característica muito visível do filme, é que ele possui traços muito bem delineados dos seus realizadores. O filme é um projeto um tanto quanto antigo da Kathryn Bigelow, primeira e, única até o momento, mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção por Guerra ao Terror e que também dirigiu A Hora Mais Escura. Depois de muitas idas e vindas, Kathryn abandonou a cadeira de direção e ficou somente como produtora. No seu lugar, quem dirige o filme é JC Chandor, diretor do excelente Margin Call – O Dia Antes do Fim e do não tão excelente assim O Ano Mais Violento.

Tanto nos filmes de Kathryn, quanto nos Chandor, é a ação que permeia todo o longa. Aqui em Operação Fronteira ela, infelizmente, não funciona. Parece que a “coisa nunca engrena”, como se você ficasse esperando por um grande momento ou até mesmo um clímax e ele não vem. Apesar de toda a minha boa vontade para com o filme, eu achei ele muito raso.

Operação Fronteira até tenta ter algumas discussões, alguns dilemas morais, mas nem isso ele consegue. Ele ensaia falar um pouco sobre TEPT, tenta falar sobre os heróis da guerra que lutaram pelo seu país e hoje tentam tocar a vida. Temos também sempre uma determinada dualidade entre o discurso dos personagens e a prática deles. Basicamente, o filme tenta abrir muitas discussões e vertentes e não acaba sendo feliz em nenhuma delas.

O elenco é repleto de nomes bons e talvez seja um dos mais estrelados se comparar a outros filmes da Netflix. Ainda assim, algumas performances aqui estão bem aquém da capacidade dos seus intérpretes. Ben Affleck é o principal deles, a atuação dele é muita preguiçosa, muito. Acredito que quando ele filmou Operação Fronteira, ele não estava num bom momento da sua vida. Oscar Isaac, que já trabalhou com o diretor em O Ano Mais Violento, é quem lidera o elenco e apesar de não comprometer, não entrega nada memorável. Os demais, Pedro Pascal, Garrett Hedlund e Charlie Hunnam estão apenas “ok”.

Ben Affleck em Operação Fronteira
Ben Affleck em Operação Fronteira

Para não dizer que não falei das flores, eu achei Operação Fronteira extremamente bem filmado, levando em consideração toda a sua parte visual. Os cenários são belíssimos e, mais para o filme do filme, tem uma parte numa montanha rochosa que é incrível. Além disso, alguns planos abertos, principalmente na parte da floresta que são belíssimas. Ironicamente, ou não, é a própria natureza e as suas condições, que trazem mais perigo aos personagens.

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No fim é isso, se o filme tivesse sido vendido como o thriller de sobrevivência e todas as intempéries que os personagens passariam após o roubo talvez ele fosse mais feliz. Contudo, como todo o seu marketing foi com base na ação e ela não empolgou o filme ficou devendo. É aquela velha verdade, elenco bom e estrelado não resulta, necessariamente, um bom filme.

REVISÃO GERAL
Nota:
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operacao-fronteira-elenco-bom-filme-ruimO elenco é repleto de nomes bons e talvez seja um dos mais estrelados se comparar a outros filmes da Netflix. Ainda assim, algumas performances aqui estão bem aquém da capacidade dos seus intérpretes. Ben Affleck é o principal deles, a atuação dele é muita preguiçosa, muito.