“There’s a starman waiting in the sky
(Há um homem das estrelas esperando no céu)
He’s told us not to blow it
(Ele disse para não explodirmos)
‘Cause he knows it’s all worthwhile”
(Porque ele sabe que tudo vale a pena)
Starman – David Bowie
Marte. No planeta vermelho a tripulação da ARES III é surpreendida por uma tempestade de areia, que ganhou força além do previsto e agora ameaça a vida da equipe e força o cancelamento da missão. Durante a fuga, no entanto, Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto. A equipe fica arrasada, a NASA prepara um funeral simbólico. Porém Watney não morreu: na tempestade de areia um pedaço da antena da base perfurou seu sensor de sinais vitais levando assim ao erro dos companheiros. Assim ele terá que usar todos os seus conhecimentos para sobreviver até a chegada da missão ARES IV em uma base que foi feita para durar 1 mês, num planeta sem agua, comida ou oxigênio. Com sua obstinação ele consegue se comunicar com a Terra dando início a uma corrida contra o tempo para o resgate.
A nova empreitada de (Sir) Ridley Scott no campo da ficção cientifica é sem duvida um ótimo filme. A direção inspirada de Scott aliada ao bom roteiro adaptado de Drew Goddard (baseado no best-seller de Andy Weir) conseguiu criar um novo clássico de ficção com uma historia emocionante, envolvente e com certeza merecedora de todos os elogios possíveis. Ângulos de câmera soberbos, imagens belíssimas, escolha inspirada de locações na Jordânia (que faz às vezes de Marte), transpassam o conteúdo do livro para as telas de uma maneira arrebatadora.

O elenco do filme é praticamente uma constelação de bons atores: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña, Kate Mara, Sebastian Stan, Mackenzie Davies, Donald Glover, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Sean Bean e tantos outros tem seu espaço durante os 141 minutos de película (que passam voando). Mas Matt Damon seria o sol numa comparação astronômica. Sua interpretação de Watney é simplesmente espetacular. O filme poderia muito bem cair no clima pesado de um “survival film”, mas o carisma de Damon torna a experiência totalmente diferente. De certo modo, ao registrar tudo em logs de missão, o roteiro quebra a quarta parede, fazendo com os espectadores se envolvam na historia e acompanhe de perto as conquistas e desventuras de Watney durante sua estadia e corrida pela sobrevivência em Marte. E olha que momentos de envolvimento o filme tem aos montes. Da plantação de batatas ao clímax espacial, Damon lhe pega pela mão e leva pela história de um modo competente e ao mesmo tempo emocional. Impossível não se importar com o destino do astronauta e torcer pelo seu resgate.
Falando em resgate, os outros dois núcleos narrativos também têm seus momentos de brilho. A equipe em orbita na estação HERMES, que serve recebe a noticia da morte e com quatro meses depois da consequente vida é interessante. Assim como o plano para o resgate, envolvendo orbitas e o acréscimo de anos na missão. Na terra a equipe da NASA que trabalha contra o tempo em soluções até então impossível.
O filme também é carregado de um bom humor que contagia qualquer um. Desde momentos com referencias pop (a reunião com o nome de Elrond do “Senhor dos Anéis” e o modo de resgate do “Homem de Ferro”) aos momentos de Kristen Wiig como um relações publicas da NASA e suas reações impagáveis as decisões dos superiores. O que também conta para esse clima “feel good” do filme é a trilha sonora repleta dos clássicos dos anos 70. A utilização das musicas em momentos chaves do filme cria sequências memoráveis como na utilização da ogiva nuclear pra resolver o problema de aquecimento (Hot Stuff de Donna Summer) e a equipe na HERMES se preparando para o resgate (Starman de David Bowie, que abre esse texto).
Nos aspectos técnicos mais uma vez o filme acerta em suas escolhas. O 3D aqui funciona. Principalmente nas cenas no espaço e em Marte, onde as camadas de profundidade só colaboram para o clima de isolamento e infinidade que transpassa das cenas. A cena da tempestade também funciona muito bem. O som também é muito bem produzido. Em algumas cenas você é engolfado pelo som de maneira que treme junto com o filme, como se as camadas sonoras que atravessam os personagens também lhe atravessassem. Assista em uma sala 3D com a maior tela e qualidade de som possível.
A jornada de sobrevivência aqui não apela para o emocional barato. As limitações e impossibilidades servem como combustível para a superação, para o melhoramento do que é viver, de alcançar o que antes era tudo como inalcançável. Em “Perdido em Marte”, Ridley Scott foge do obscurantismo espacial de “Alien” e do pensamento filosófico de “Blade Runner”. Com um otimismo tão necessário ele retorna ao gênero com grande estilo, num filme que tem tudo para ser um clássico instantâneo e figurar na lista de grandes películas do ano.
Ares_III_Crew_Log_1: No Youtube tem um canal da preparação da equipe da ARES III com mini documentários sobre os vários aspectos da missão, um deles até com Neil deGrasse Tyson. Você pode conferir aqui;
Ares_III_Crew_Log_2: Scott, como de praxe em seus filmes, já anunciou que o Bluray vai conter a versão estendida do filme, com 20 minutos a mais de cenas (YAY!);
Ares_III_Crew_Log_3: Não sei se Matt Damon tem chances de melhor ator no Oscar 2016, mas com certeza o filme deve dar as caras nas categorias técnicas da competição;
Ares_III_Crew_Log_4: Muito das coisas que Watney realiza no filme são possíveis realmente. A NASA deu um suporte técnico nas tecnologias para o livro e filme;
Ares_III_Crew_Log_5: Mas tem alguns erros também. A gravidade em Marte não foi retratada, assim como as tempestades de areia que não teriam força suficiente para causar o estrago que causou no filme. Nada, no entanto, tira o brilho do filme.
*O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Fox Filmes do Brasil.






















