Como bem exemplificado no próprio filme há dois tipos de pais. Há aquele que curte a paternidade, se envolve em todas as fases. E o outro tipo é o pai “divertido”, que só se preocupa com a diversão e dar o exemplo de “cool”, mas que quando o calo aperta é o primeiro a fugir. “Pai em Dose Dupla” (Daddy’s Home, 2015) trata justamente desse feudo familiar, padrasto vs pai, com consequências desastradas, mas com o final típico da redenção familiar americana.
Brad Whitaker (Ferrell) é o pai perfeito. Trabalha, tem uma carreira consolidada, amor para dar e vender, mas vive sempre eclipsado pela figura de Dusty Mayron (Wahlberg), o pai biológico dos garotos, um aventureiro que abandonou a mãe dos garotos (Cardellini) anos atrás e que surge de repente complicando a situação na casa, justamente quando Brad começa a criar laços com os enteados. Repetindo a mesma dupla de “Os Outros Caras”, Mark Wahlberg e Will Ferrell não conseguem repetir o mesmo feito do filme de Adam McKay. Em grande parte, pela mão mais leve de Sean Anders, que realizou de mais proeminente “Quero Matar Meu Chefe 2” no campo da comédia. O filme vendido como do gênero é na verdade um filme familiar com toques de comédia que tenta fazer rir a todo momento, mas que peca justamente nessas tentativas.
Atirando para todos os lados, com gags físicas, de roteiro e referências a personalidades, o filme não consegue engatar um ritmo muito constante e somente em momentos isolados que a risada sai naturalmente (Chamarem o cachorro de Tumor foi um deles). Felizmente nem todas as piadas estão no trailer, mas a grande parte delas são entregues de bandeja por ele. A constante comparação de físicos entre Wahlberg e Ferrell que no início soa engraçada, no decorrer do filme se torna cansativo. Grande parte dos acertos são decorrentes dos coadjuvantes e participações especiais, com destaque para Bobby Cannavale como Dr. Francisco, um renomado médico especialista em fertilidade.
No final o que fica do filme, por baixo das camadas de graça, é um escopo mais sério, o de aceitação e paternidade, que se isolado daria muito mais pano para manga em uma trama mais voltada para o drama e que aqui serve para dar mais profundidade, o que ironicamente põe um freio no ritmo mais agitado que uma comédia pediria. Justamente ao aceitar essa condição, perto do final do filme, que o mesmo se torna interessante, vide o baile de pais e filhas e o jantar de família que serve para aprofundar outros personagens e dar início a uma possível sequência (coisa tão normal hoje em dia em Hollywood). Assista o filme sem a pretensão de que vai ver uma comédia de chorar de rir e talvez consiga se surpreender e aproveitar mais o clima “briga de família” da película e conseguir sair satisfeito da sessão.
* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Paramount Pictures do Brasil



















