Quando você se sentar para assistir O Agente da U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E., Guy Ritchie – Warner Bros.), a primeira coisa que vai perceber é que este não é um filme para se levar a sério.
Enquanto alguns filmes de ação se esforçam ao máximo em entregar explicações complexas para te convencer a acreditar em um plot absurdo ou na química inexistente de seus personagens (alô, Quarteto Fantástico!), O Agente da U.N.C.L.E. abraça orgulhosamente seu descompromisso com a realidade e investe no talento de sobra de seus protagonistas.
E justamente por isso ele funciona.
Inspirado na série homônima setentista, o filme se passa na época da Guerra Fria e conta a história de quando um refinado agente da CIA, Napoleon Solo (Henry Cavill, de O Homem de Aço), e um intenso agente da KGB, Illya Kuryakin (Armie Hammer, de O Cavaleiro Solitário), são obrigados por suas agências a trabalhar juntos para impedir que uma organização criminal liderada por Victoria Vinciguerra (Elizabeth Debicki, de O Grande Gatsby) conclua a construção de uma ogiva nuclear. Junto deles está Gaby Teller (Alicia Vikander, de Ex Machina: Instinto Artificial), filha do cientista que desenvolveu a arma. A partir daí começam algumas das melhores cenas do filme, que giram em torno da rivalidade entre Solo e Kuryakin, com seus diferentes métodos e pontos de vista. Aliás, a química entre Cavill e Hammer é inquestionável e, sempre que os dois estão juntos em cena, as risadas são garantidas. Sem estragar a surpresa, uma das cenas mais divertidas envolve os dois agentes discutindo moda no meio de uma loja de grife. Depois dela, nunca mais vou olhar para um James Bond impecavelmente vestido da mesma maneira. Minha única bronca com o filme é a reta final. Depois de abrir com uma das cenas mais legais de perseguição que já vi nos últimos anos (Guy Ritchie arrasa quando o assunto é pontuar silêncio e ação numa cena intensa) e criar todo um clímax para o fim, o terceiro ato interrompe tudo para contar a história de um personagem sem importância – e chega a ser absurdo o tempo que investe nela. Outra coisa é que toda a batalha final entre mocinhos e bandidos é bem menos emocionante que tudo que já se passou, então fica uma sensação de que o filme não alcançou todo o potencial que tinha. 
Mesmo assim, o saldo é positivo. Com sua trilha sonora divertidíssima, estilo próprio e personagens cartunescos memoráveis, O Agente da U.N.C.L.E. entrou para minha lista de filmes de espionagem favoritos – ao lado de alguns muito semelhantes como Agente 86 e Kingsman: Serviço Secreto. Se você está procurando um filme sem compromisso para seu sábado à noite, com boas cenas de ação e várias risadas, O Agente da U.N.C.L.E. é a escolha certa. Apenas não espere muito do desfecho da história.
O Agente da U.N.C.L.E. estreia hoje, dia 03 de Setembro de 2015.












