A ação dá o tom ao filme, mas a história parece não se desenvolver na mesma velocidade. 

A sequência da distopia adolescente “Maze Runner” mostra-se ligeiramente superior ao primeiro filme, com uma produção mais caprichada e detalhes técnicos quase impecáveis. Logo no início, é possível deixar-se capturar pelas cenas repletas de ação, embaladas por uma trilha retumbante, que deixam o público com a sensação de que algo pode dar errado. O filme dá um aviso sobre o que virá pela frente e não decepciona. Os personagens correm, se escondem, enfrentam perigos — entre eles, a já famigerada passagem por uma porta se fechando. Tudo muito ágil, tudo muito rápido, mas que pode não surpreender a quem está acostumado a filmes do gênero.

A direção caprichou na ação e nos embates, quis eletrizar as sequências, mas, algumas vezes, essa mesma agilidade prejudicou a boa visualização das cenas, seja pela escolha da iluminação ou pelo movimento “descontrolado” da câmera, como no primeiro encontro do grupo com os Cranks. Não que isso seja considerado um ponto fraco do filme. A confusão na tela pode ser vista (e bem vista) como o estilo escolhido para transportar ao telespectador a sensação experimentada pelos personagens. Os Cranks, aliás, que poderiam ser figuras marcantes e de grande relevância na história, são transformadas em acessórios, desafios pequenos e não há um proveito nem mesmo estético.

A fotografia explora bem todos os cenários e consegue retratar a grandiosidade do caos e dar o tom certo ao clima apocalíptico. Vemos a pequenez de Thomas e seus amigos em um deserto quase sem fim e, pouco depois, estamos diante de arranha-céus tombados em meio a escombros do que um dia foi uma cidade movimentada. Há planos que conseguem causar angústia (Brenda no vidro da janela), outros que nos fazem sacudir a cabeça em reprovação à falta de verossimilhança. Os efeitos não são preguiçosos, ainda que muita coisa seja forçada para dar uma desculpa a um 3D que não faz qualquer diferença é descartável e pode até incomodar.

Os personagens, por sua vez, têm sua profundidade deixada de lado, são pouco explorados em suas características individuais e tornam-se, de certa forma, ocos. Suas próprias motivações são questionáveis. Por que estão fazendo aquilo tudo? E concluímos que viraram marionetes, sem qualquer vontade própria. À exceção do protagonista, fica difícil criar empatia com algum deles. Apesar disso, o elenco tem química e consegue defender bem cada um dos personagens, o que faz com que a liga do grupo faça efeito. Dylan O’brien dá um show à parte e consegue arrancar de Thomas tudo que ele pode oferecer. Aidan Gillen parece ter levado Little Finger para as telonas, mas consegue cumprir bem seu papel.

Maze Runner: Prova de Fogo segue o mesmo caminho que os “parentes próximos”, não com a mesma intensidade que a franquia “Jogos Vorazes”, mas não compromete. Possui uma história com potencial que é ofuscada pela ausência de novidades no roteiro e pelo excesso de “Deus ex-machina” e clichês. Um dos maiores pecados não é ser longo, mas parecer longo. E isso acontece pela escolha de cenas desnecessárias, que nada acrescentam à história, em detrimento de outras que, se acrescentadas, poderiam ajudar a enriquecer o enredo que, por vezes, parece dar voltas em torno de si mesmo.

Em diversas situações, traz elementos, ainda que discretos, que podem lembrar outras obras: The Walking Dead, Mad Max e até Lost, na mítica citação: “We have to go back”. Em suma, Maze Runner consegue foca na ação para encobrir uma história mais fraca e consegue um saldo positivo, entretém e deixa o caminho preparado para o próximo filme que está por vir.

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