Selfies, sangue e zoeira.
Que Hollywood entrou numa era de declínio criativo não é surpresa. O advento das adaptações, reboots, prequels, sequências e spin-offs atulhando o cinema (e a televisão) ano após ano, aproxima a “terra do cinema” de uma mineradora: extraindo até o último veio do material necessário. Se outrora tínhamos grandes clássicos, hoje temos releituras travestidas de renovações. E qual o gênero mais reinterpretado do cinema se não o filme de zumbi. Desde o seu ápice na década de 70, utilizando do viés de crítica social, o filme de zumbi sempre foi um queridinho do subgênero “horror trash”. Com o advento da metalinguagem como recurso narrativo nos roteiros hollywoodianos, os filmes ganharam novas roupagens em diferentes gêneros mainstream e tem em “Zumbilândia” talvez seu melhor exemplar. “Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi” (Scout’s Guide to the Zombie Apocalypse) até tenta fazer a mistura de comédia, horror e ação dar certo, mas acaba apresentando um resultado mediano, que pode frustrar alguns.
Utilizando o já conhecido cenário do “high school” americano o filme se foca num grupo de escoteiros, que na escala do colegial estão no nível mais baixo possível, que se veem responsáveis por salvar a cidade onde moram de um surto zumbi. Todo o escopo da trama se resume e se desenvolve disso. Um dos fatores que talvez torne o filme meio enfadonho é o humor tipicamente direcionado ao público adolescente. As tipificações (nerds, pegadores, loosers), as piadas de cunho sexual, as festas, a perda da virgindade, as referências pop… Tudo o que faz parte da cartilha do “filme adolescente” atual está lá. O humor do filme é meio errático. Uma parte das gags já foram entregue nos trailers, mas a película em sua totalidade ainda guarda algumas surpresas hilárias. O início do surto ao som de Black Widow de Iggy Azalea, o zumbi mendigo gay fã de Britney Spears, a obsessão por Dolly Parton e o “pênis zumbi” estão entre as coisas mais engraçadas que vi ultimamente, mas são momentos espalhados no filme que não sustentam o tom de comédia necessário nos 93 minutos de projeção. Falando em Azalea e Spears, a música tem um papel destacado no filme, com uma trilha repleta de canções pop atuais que provavelmente estão na lista de qualquer adolescente antenado.
Já a parte da ação e do horror até que se saem bem. O sangue corre solto, garantindo o habitual gore das películas de zumbi. Prepare-se para ver cabeças explodindo com detalhes gráficos apurados. A ação também se desenrola mais na metade do filme em diante, ganhando um novo fôlego e ritmo, mas nada que arranque reações mais acaloradas da plateia. Na verdade, o filme é uma espécie deturpada de descoberta do valor da amizade, com a roupagem que a geração dos millennials está tão acostumada a digerir diariamente. Portanto vá ao cinema preparado consciente da roupagem que o filme se utiliza para passar a trama. Não espere nada muito mais do que diversão momentânea pura e simples. “Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi” pode ser considerado o típico “filme pipoca”, arranca alguns sorrisos, vale ver com a galera, mas como as selfies que povoam os créditos finais, ao termino você já está pensando em qual o próximo do tipo que virá por aí. (ps: após a sequência das selfies tem uma cena extra no filme, então fiquem ligados!)
* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Paramount Pictures



















