Se tem uma coisa que eu adoro nas séries de Star Wars do Disney+, é o fato delas contatem histórias mais “pé no chão”. Elas não têm como trama uma “guerra intergaláctica entre o bem e o mal pelo destino da galáxia”, mas isso não torna essas histórias menos especiais, muito pelo contrário, jornadas com maior foco no desenvolvimento de personagens (e com tempo para fazê-lo) tendem a ser ainda mais interessantes, e é exatamente isso que “The Book of Boba Fett” vem fazendo muito bem.
Apesar dos flashbacks ainda serem, de longe, os momentos mais engajantes da série para mim, a trama contemporânea também andou bastante nesse último episódio, ao apresentar “Os gêmeos”, dois Hutts, primos de Jabba, como os reais mandantes da tentativa de assassinanto do último episódio, e eu adorei o visual das criaturas. Assim como o Monstro da Areia do piloto, a técnica usada nos Hutt (um CGI meio “ultrapassado”, desta vez) lembra muito a tecnologia usada para criar o Jabba da Trilogia Clássica, o que traz um gostinho de Star Wars “raiz” sempre muito bem-vindo. Isso também está presente na “famosa” banda de aliens do Cassino e no droide piloto do Trem no fim do episódio. É aquele tipo de elemento que faz com que qualquer pessoa olhe e diga: É Star Wars!

Porém, como falei, os flashbacks ainda são os “highlights” da série para mim. E neste episódio vemos Boba Fett aprendendo a usar o cajado e o estilo de luta do Povo da Areia, ao mesmo tempo em que decide acabar com os ataques dos traficantes de um trem. Também fica ainda mais evidente essa quase necessidade de Fett por poder e justiça (?). Ele não consegue ver o Povo da Areia ser dizimado pelos traficantes do Trem sem fazer nada, não consegue assistir ao casal do bar ser intimidado pelos “encrenqueiros” como se não fosse seu problema. Ele precisa agir, precisa fazer algo, e ao fazer isso, conquista ainda mais notoriedade na tribo. Gosto muito da forma como a série vem explorando essa faceta do anti-herói mais lentamente, e não por meio de diálogos expositivos.
As “Set Pieces” são super divertidas. Tanto a pancadaria no bar, quanto toda a sequência no Trem são muito bem filmadas e uma clara referência aos filmes “Western” de assalto. É Interessante pensar em como a série faz com que torçamos por Boba e os Raiders, sendo que ambos sempre agiram como antagonistas na franquia, mas essa mudança de perspectiva acontece de maneira bem orgânica, pois o roteiro desenvolve Boba como alguém mais “razoável” e mostra um outro lado do Povo da Areia, o de uma comunidade que se vê hostilizada em sua terra por forasteiros. Também quero fazer menção ao sutil senso de humor que a série tem mostrado aqui e ali. A cena em que Fett e Fennec são barrados na “prefeitura” pois o prefeito está aparentemente indisponível é bem divertida, assim como o momento em que Fennec amedronta o prisioneiro ao soltar o Rancor, o que na verdade, era apenas um blefe.

Outro elemento muito bacana é a expansão do “lore” do Povo da Areia. São mostrados vários rituais e ritos de passagem que nunca haviam sido explorados, como a “viagem psicodélica” que Boba faz no fim do episódio. Aliás, falando nessa viagem, já é a segunda vez que são mostradas cenas de “A Vingança dos Sith” que envolvem a morte do pai de Boba, Jango Fett. Muito provavelmente a série irá trabalhar um trauma de Boba pela morte de seu pai, o que também tem potencial de ser interessante. Se eu tivesse que indicar algo que está faltando em “O Livro de Boba Fett”, seria a falta de urgência. A série até o momento vem sendo bem episódica, sem aquele “gancho” que te deixa ansioso pelo próximo capítulo, mas isso deve vir em breve, e enquanto não vem, a qualidade do roteiro e da direção se mantém constante. *Só um adendo: aparentemente, Robert Rodriguez dirigiu “vários” episódios da temporada, e não todos os capítulos, como falei na Review passada. Falha nossa!
“As Tribos de Tatooine” continua a desenvolver o personagem título no ritmo certo, ao mesmo tempo em que faz homenagens e expande timidamente o lore de Star Wars.















