
E a pergunta que não quer calar é: teria sido este o último episódio da história do Aprendiz brasileiro?
Spoilers Abaixo:
Uma final como nenhuma outra. Pena que não no bom sentido. Desde as finalistas infinitamente menos preparadas que quase todos os candidatos que já chegaram a esse momento do programa até a performance sofrível de João Dória, passando por perguntas completamente inúteis feitas para preencher espaço, nada se salvou na final de O Aprendiz Empreendedor. Pra não dizer que não falei das flores, achei bacana (e nostálgico) ver os depoimentos de todos os vencedores anteriores (com exceção da Viviane Ventura, do AP1, que fez falta).
Na tarefa final, uma campanha de marketing para transmitir ao público o conceito da Lenovo, um dos patrocinadores do programa, deveria ser conduzida por cada participante, que contou com a ajuda de um ex-aprendiz (só um? Decisão da produção diante de um elenco tão fraco, ou recusa dos próprios aprendizes demitidos depois de humilhações na sala de reuniões?). Detalhe: a prova seria conduzida em Washington, o que foi decisivo para o resultado final.
Renata Tolentino
Renata, que contou com a ajuda de Bryan, não sabia falar inglês, e foi basicamente isso que a derrubou durante a prova. Bryan serviu como tradutor, secretário, telefonista, apresentador do estande, enfim, tudo. Renata se virava, soltava uns “come on!” para algumas pessoas que passavam, e até teve uma boa visão e ideias interessantes (como os adesivos no chão, que foram elogiados pelo cliente). Mas o estresse de Bryan também agiu contra a dupla. Em muitos momentos, o aprendiz demitido agiu como se fosse o líder da tarefa, recusando-se a colaborar com a finalista. E quem achava que sua demissão havia sido injusta precisou pensar duas vezes.
Além do desempenho sofrível devido ao inglês, Renata cometeu um erro básico: a chave da campanha da Lenovo se baseava na ideia de “você, que é uma pessoa que faz, use nossos produtos para fazer”. Isso não apareceu em momento algum durante o fraco desempenho da dupla, desfigurando o conceito da marca e passando longe dos objetivos da tarefa.
Janaína de Melo
Extremamente favorecida por essa prova por ter morado em Washington, Janaína fez dupla com Maria Fernanda, outra forte candidata que também tinha fluência em inglês. Maria Fernanda, sim, provou que deveria estar ali como finalista, e que sua demissão foi um tremendo equívoco. Resolvia diversas questões, segurou a onda quando Janaína não dava conta e, além de ter embarcado com vontade nas boas ideias da finalista, ainda teve sugestões próprias que contribuíram para uma boa tarefa. Ficou claro que foi uma gestão compartilhada, e não uma relação “líder-liderada” entre as duas.
Com duas candidatas com inglês fluente, o desempenho das ações foi muito bom. Janaína contratou uma artista, e o público era convidado a ajudar na pintura elaborada no local, para que pudesse concorrer a produtos da Lenovo. Isso deu o gancho para o conceito da campanha da marca, e foi um dos principais pontos fortes da equipe, que venceu com louvores.
O cronograma da final, porém, não incluiu o anúncio da vencedora da tarefa (!!!!!), e tivemos de deduzir que foi Janaína pelo que a edição nos mostrou, e pelas observações do conselheiro Cláudio Forner.
Na última sala de reuniões desta temporada, Carla Pernambuco estava equilibrada e bem humorada, nem parecia a mesma pessoa que vimos durante todo o programa. Ela até conseguiu que eu desse risada quando brincou com o “Brazilian Dingou”. Cláudio Forner, como sempre, fez boas perguntas e observações. Mas foi João Dória quem roubou a cena, primeiro se confundindo ao dizer que Macapá era um estado, e depois, por incrível que pareça, falando “Fiat” em vez de “Kia”, quando se referia ao patrocinador. Era hora de nossa querida Bruna Giardino subir ao palco e perguntar “João Dória, você se considera uma pessoa atenta?”. Afinal, foram cerca de cinco minutos de lições de moral na sala de reuniões da semifinal – em que Bruna foi demitida – porque ela havia trocado “Sabesp” por “Sebrae” em um vídeo interno da Record.
A pergunta sobre ética me fez ter uma centelha de esperança: estaria João Dória iniciando um momento de jogar na cara de Renata e Janaína os momentos em que mentiram descaradamente para conseguir os resultados? Em se tratando desta edição do Aprendiz, eu deveria saber que não, que aquilo foi apenas para ouvir as respostas clichê do tipo “Vencer sem ética não é vencer” de ambas as candidatas. Pelo menos proporcionou uma das melhores pérolas do programa (vejam abaixo).
A previsível vitória foi de Janaína, que, como enfatizou João Dória, era “uma mulher pobre que veio do Norte do Brasil”. Ao contrário da maioria, não achei nada absurda. Nunca achei Renata essa coca-cola toda, acho um absurdo o que ela fez na prova da Elvira, e também não enxergo espaço no Aprendiz para uma vencedora que não sabe minimamente falar inglês. Não que Janaína fosse uma grande candidata, mas já que nenhuma das duas era, não me importei nada com o assistencialismo do programa (sim, foi isso que aconteceu). E o mais importante: e o fato de terem nos convocado a votar na finalista de nossa preferência e sequer terem divulgado o resultado? O que houve, produção??? Minhas hipóteses: (1) Baixo número de votos, (2) vergonha de eleger uma vencedora que o público não queria, (3) percepção tardia do quão ruim foi essa ideia, ou (4) só fizeram a gente de bobo mesmo.
E, assim, chegamos ao fim do Aprendiz 8 – Empreendedor. E ficamos sem saber: com os (merecidos) baixos índices de audiência, será que a Record investiria em uma nova edição? Abaixo, deixo os melhores momentos do programa, e algumas humildes sugestões para uma possível próxima temporada.
Melhores momentos e pérolas do Aprendiz 8:
– As milhares de surras consecutivas na Vetor (antes de ela ser composta por Renata, Bruna e Dani);
– A participação especialíssima de Elvira Viedma, a diva do Aprendiz Empreendedor;
– “Brazilian Dingou”, by Diego;
– Suelen enfrentando Carla Pernambuco (mesmo tendo arregado e pedindo desculpas na final, valeu a pena);
– “Ah, vocês vão queimar a madeira? Beleza, queima aí!”, by Bruna Giardino, em uma prova sobre sustentabilidade;
– “É uma falta de ética vencer com falta de ética!”, by Renata Tolentino;
-“ Janaína sedutora”, by telespectador que não deve ter visto o mesmo programa que a gente.
Sugestões para um possível (porém improvável) Aprendiz 9:
– Sem forçar a barra, apresentador! Não sou um dos maiores membros da corrente “Volta, Justus!”, até acho que Dória ainda pode dar certo, mas desde que ele encontre o equilíbrio entre o excesso de gentileza do AP7 e o excesso de humilhação desnecessária do AP8. A sala de reuniões entre Bruna e Daniely é um ótimo modelo para a próxima temporada.
– Entre os conselheiros duas coisas são essenciais: a manutenção de Cláudio Forner e a demissão de Carla Pernambuco.
– Melhorar os critérios de seleção. Tivemos poucas pessoas que se destacaram pela competência (Daniely, Maria Fernanda, Bruna), e poucas que se destacaram pela personalidade (Suelen, Ana Carla, Rodrigo). O resto, incluindo as finalistas, definitivamente não deveria ter sido selecionado.
– Dar um puxão de orelha no pessoal da edição, que torna óbvios os resultados antes da hora, tem dificuldade de nos mostrar um programa dinâmico (modelo: tarefa da troca de objetos) e, por muito tempo, preferiu mostrar os barracos às análises das tarefas.
– Respeitar os fãs do programa, não atrasando seu início em meia hora (ou mais).
Muito obrigado por acompanharem e comentarem os textos aqui no blog, boas festas a todos, e até o próximo ano! Ou não…















