
Quando o Aprendiz vira BBB…
Spoilers Abaixo:
É oficial: o Aprendiz virou BBB! Os barracos característicos da geração Carla Pernambuco já indicavam o caminho que estava percorrendo o programa, mas agora a coisa ficou explícita, com direito até a votação popular para dar R$ 1,5 milhão à vencedora.
Mas vamos falar do BBBzístico episódio da última quinta, cuja tarefa era relacionada à sustentabilidade. Agora sozinhas durante a prova, as semifinalistas partiram em sua campanha de conscientização popular, com direito a provável interferência da produção no desempenho das meninas, mas falemos disso mais tarde. Agora, ao trabalho.
Renata Tolentino
Segundo a confiabilíssima edição nos mostrou, Bruna e Janaína só fizeram bobagens, enquanto Renata é a melhor profissional da face da Terra. Bacana. Renata, que atuou em Interlagos, parece ter feito absolutamente tudo certo: mandou bem usando uma corrente de e-mails para o manifesto digital, fez uma palestra em uma escola para a presencial e montou uma poltroninha na Avenida Paulista para o evento público.
O que se destacou foi a atitude de Renata na Paulista. Enquanto o tempo estava bom, a poltroninha era o evento mais mal planejado, de longe, entre os três realizados. Mas aí começou a chover e, enquanto as concorrentes encerraram o dia, Renata arregaçou as mangas, arrastou a poltrona para um local coberto e continuou o trabalho normalmente. Bela atitude, característica de quem quer muito vencer (assim como a famigerada ligação se passando por secretária da Elvira Viedma, convenhamos, mas essa não teve nada de bela). Pra mim, Renata venceu o programa aí.
Janaína de Melo
Janaína teve boas ideias, como o uso de tablets para o trabalho de divulgação e a contratação de artistas caracterizados como avatares para o evento na Paulista. Foi fácil identificar o primeiro problema: o uso de sacos plásticos não biodegradáveis para armazenar o material distribuído.
Mas a tragédia veio mesmo quando a equipe de avatares descobriu que Janaína estava fazendo bem mais que um evento de conscientização, ficou com medo – imagino eu – de ter problemas por usar a imagem dos personagens e desistiu. A pobre Janaína, que contava com os avatares como o principal meio de chamar a atenção do público (e realmente tinha sido uma excelente ideia), ficou sozinha, teve de se virar e, claro, não se virou muito bem.
Bruna Giardino
Bruna teve boas ideias, especialmente a de realizar um mutirão de limpeza no bairro Vila Maria, onde atuou. Focar pessoas idosas como alvo do manifesto também foi interessante, porque isso tanto ampliou o público atingido como também exigiu um bem feito trabalho de familiarizá-los com o método digital de divulgação da campanha.
Com os acertos, vieram os erros. Primeiro: falar “Sebrae” em vez de “Sabesp” em um depoimento dado à produção do programa. Achei um erro quase sem importância, que não merecia nem de longe o destaque que teve na sala de reuniões. Depois, o fato de ser sido misteriosamente (com ênfase em “misteriosamente”!) descoberta como participante do Aprendiz pelo diretor da escola em que deu a palestra. Eu já havia cantado a pedra da falta de ética induzida aqui, e foi exatamente em cima de Bruna que essa história explodiu.
Por fim, o erro gravíssimo: permitir que os moradores queimassem o lixo não reciclável recolhido. Essa falta de consciência da gravidade disso me fez me decepcionar profundamente com a Bruna. Por mais nobre que possa ser o motivo, faltou firmeza à candidata, faltou a consciência de que estava num programa de TV, sendo avaliada, disputando R$ 1,5 milhão, e que não poderia deixar aquilo passar.
Assim, depois de proclamada a já óbvia vitória de Renata, Bruna, acompanhada por Janaína, seguiu para a sala de reuniões como a candidata que mais acertou, mas também como a que mais errou. João Dória e Cláudio Forner foram firmes, porém tranquilos, e analisaram imparcialmente e sem apelações os erros de Bruna e Janaína. Carla Pernambuco, por sua vez, não analisou muito e só desceu a lenha em Bruna, mesmo.
Gostei muito da pegadinha de João Dória ao anunciar que a regra para não se identificar como alguém do Aprendiz havia sido suprimida, embora eu ache que seria mais correto explicitar essa permissão no briefing ao invés de simplesmente sumir com a regra proibitiva. Mas isso me leva à questão: depois de tantas tarefas e de tantas edições do Aprendiz sem que nunca um participante tenha sido pego na mentira, como é que, justamente no momento em que a regra some, todo mundo descobre quem mente? Será que as meninas foram deduradas/sabotadas pela própria produção? E tem coisa mais BBBzística do que interferência da produção no andamento do programa?
Mas sejamos justos: o verdadeiro momento de decepção da noite foi quando Dória fez com que as duas candidatas a finalistas falassem sobre o seu passado. E tivemos de aguentar Janaína falando sobre sua vida sofrida e sobre o quão difícil seria sair sem dinheiro do programa. E assim caiu por terra a única vantagem do novo perfil carrasco que João Dória havia adotado nesta temporada: o fim do coitadismo.
Depois de mais perguntas e enrolação, João Dória decidiu levar à final a candidata da qual teve mais pena, contrariando o voto do perceptivo Cláudio Forner e dando um momento de felicidade a Carla Pernambuco. E Bruna Giardino, a única das três finalistas que não tinha nenhuma atitude antiética manchando sua trajetória no programa, foi demitida.
Hoje, terça-feira, é dia de final. Particularmente, estou desanimado. É a primeira edição do Aprendiz em que nenhuma das minhas apostas chega à final, ou seja, fiquei sem torcida e sem ânimo para assistir. Renata é a mais competente, sem dúvida alguma, mas premiar com R$ 1,5 milhão a candidata que executou a farsa telefônica durante o episódio em que João Dória fez o maior escarcéu já visto em suas salas de reuniões por prezar a ética como valor essencial é, além de contraditório, um belo golpe na credibilidade do programa.













