Eu, que já muito reclamei de Jackie conseguir enganar a todos, não posso me queixar disso na maior trairagem registrada ao longo dessas seis temporadas.
Embreagar a amiga sóbria há dez anos apenas para interná-la e mantê-la longe de si, fez todas, tô-dás as outras muitas e variadas mentiras de Jackie ganharem um tom de cor de rosa. Aquilo me pegou completamente desprevenida, eu acreditei piamente no papo de Thelma e Louise e deixei minha imaginação perambular por esse plot, cheguei a vislumbrar cenas dos próximos episódios com as duas na clínica e ansiei por isso. Até, é claro, ser interrompida pela poker face de Jackie e ser obrigada a bater palmas para os roteiristas que há tempos não escreviam algo que me envolvia tanto com a série. Foi preciso uma rasteira, mas toda forma de agressão televisiva é válida para recuperar o amor de um espectador. Jackie, uma personagem que já inspirava muita desconfiança, zero expectativa positiva e nenhum respeito, alguém que já decepcionou todos que a cerca (por vezes até nós, sua audiência) conseguiu me surpreender e mostrou que dá sempre pra ser pior. It’s a new low. Como não colocar um ovo, tamanha a ansiedade pra saber o que vem a partir daí? Dá pra jogar mais sujo que isso? Quando o senhor Seu Kharma chega prum acerto de contas?
O suspense no fim de “Sidecars and Spermicide”, em que ficamos sem saber quem Jackie liga para convidar para o casamento do ex quase passa despercebido (assim como tudo que aconteceu antes disso no episódio) frente a esse plot. Torci para que tivesse sido Eddie a receber aquele telefonema, tudo bem que ninguém merece Jackie, mas há alguns episódios venho shippando os dois por achar que entre todas as possibilidades, ele é o que melhor a conhece e apesar de tudo que já passou ou testemunhou, parece ainda estar disposto a abrir o coraçãozinho masoquista para a colega.
As cenas de previously on Nurse Jackie estragaram a surpresa e ficou na cara que Gabe, a quem me refiro como o drogadito, foi o escolhido por Jackie como seu par para o casamento e a confusão ali seria instaurada. Foi lindo ver Jackie ser humilhada por Kevin, pedindo que ela se retirasse do seu casamento. Eu quero vibrar, me envolver com os personagens daquilo que assisto, é importante que eu sinta algo quando Jackie se ferra. Seja felicidade, compaixão, pena,whatever, o importante é não ser indiferente, como eu vinha me sentindo nas últimas semanas, incapaz de me emocionar com os episódios.
A emboscada de Antoinette me calejou o suficiente para não me surpreender com a freira moribunda concordar em assumir a identidade de Nancy Wood, estamos familiarizados o suficiente com a lábia de Jackie para e edição não carecer de uma cena na qual a enfermeira xaveca a freira e a convence a levar esse segredo e pseudoculpa para o túmulo. Pena para Jackie, minha amada Zoey é tudo aquilo o que ela disse em sua carta de recomendação, em especial a “atenção aos detalhes” mencionada.
Resta esperar o derradeiro episódio para descobrir se Jackie vai presa, perde sua licença, é internada contra sua vontade, dessa vez sem direito a dar a própria alta. E que maravilha seria se a internação fosse na mesma clínica que está Antoinette, com um desejo louco de vingança. Uma coisa é certa: para alcançar a redenção, Jackie precisa se fuder muito. Mas, assim, MUITO.














