
Quando quebrar o protocolo funciona.
Spoilers Abaixo:
Aqueles que já conhecem a estrutura de roteiro, atuação, diálogos e desenvolvimento de tramas de Nikita sabem muito bem que os roteiristas da série sabem deixar os fãs com o coração na boca e sabem acalmar o clima de tensão para logo depois lançar mão de uma revelação bombástica capaz de explodir a cabeça dos espectadores. Esse segundo episódio manteve esta estrutura e retomou tramas para o desenrolar da temporada sem esquecer o caso da semana e alguns detalhes toscos.
Antes de falar desses detalhes toscos, devo comentar o desvio de planos que levou o casal de ex-agentes a descobrir elementos chave para o desenvolvimento do grande plano de destruição da Oversight, ainda que a viagem até Lisboa para encontrar o informante tenha sido temporariamente cancelada. O tal desvio diz respeito, é óbvio, a mais uma ação criminosa da Division a ser explorada por Nikita e seu time. A da vez é a Operação Chuva de Cinzas, organizada para destruir os experimentos do Dr. Joseph Mars e sua parceria com a Oversight. Numa trama toda trabalhada na ficção científica, dependentes químicos eram tratados com estímulos neurais para depois ser controlados por hipnose hightech, formar um grupo de assassinos para a Oversight e não deixar traços de sua existência. Merda resolvida com primor pela antiga equipe de Michael na Division, mas que deixou rastros.
O maldito Dr. Joseph Mars, responsável pelo P9, até onde sabemos também foi autor do tratamento com drogas que possibilitou guardiões e agentes da Division ter ‘superpoderes’. Por esse motivo, tchan tchan ran ran, Owen voltou para ajudar o grupo de rebeldes e conseguir as informações necessárias para não depender mais das drogas. Em meio a tudo isso, venezuelanos revoltados com uma juíza que quer impedir as negociações da petrolífera do cartel, um médico saudosista com seu trabalho, um senador protegido pela Oversight e algumas pitadas de drama.
Parte desse drama esteve presente no charme de Birkhoff para manter Nikita e Michael longe de seu novo império e não participar das novas operações. Entretanto, estava mais do que óbvio que Shadow Walker se tornaria um aliado. O personagem é elemento importante para que as missões sejam mais suaves, se assim posso dizer. Afinal, Birkhoff será o equivalente de Chloe Sullivan com seus dotes tecnológicos e ainda bancará as missões de Mikita. Nada mais coerente para o personagem se manter na série, mesmo que tenha rolado pouca sensualização com Alicia. Poderia render mais.
Por falar em sensualização, Sean Pierce continuou importunando a vida de Alex, fez o birrento machão para impressionar a russa e até abriu seu coração para convencer a mocinha a matar Nikita, mas por enquanto o sinais de retorno de Alex são pequenos. Ainda assim, não devemos esquecer que o limite entre conselhos sentimentais, ódio e os lençóis é tênue. Faço parte da torcida que conta os dias para ver Sean sem camisa dando uns pegas maldosos e quentes na herdeira Udinov. Enquanto isso não acontece, nossa querida russa se recupera da demonstração de amor dada por Nikita no episódio passado, faz a infiltrada para salvar a vida do senador protegido pela Oversight e ainda media a relação entre Percy e Amanda. Esse trabalhinho de menina dos recados me incomoda, mas ver Percy na posição de Hannibal Lecter é agradável. Aos poucos o vilão está retomando seu merecido poder. Anseio por vê-lo livre tanto quanto Alex deseja chegar a Sergei Semak e seus capangas.
Entre os capangas de Sergei está o líder da Gogol, Ari Tasarov, que já tentou converter Nikita para o lado russo da força e também busca as caixas-pretas. Nem preciso enfatizar o nível de surpresa que fiquei ao ver Owen negociando com Ari e ditando naqueles segundos finais o tom dos próximos episódios. Agora já sabemos onde estão as três caixas pretas restantes (Joanesburgo, Tóquio e Rio) e quais são as forças antagônicas no caminho de Nikita. Fica a curiosidade de quem vai conseguir pôr as mãos em alguma das caixas ou quem matará Percy primeiro. Oversight, Nikita ou Gogol? A dúvida está lançada, assim como a possibilidade de Mikita visitar a terra que criou a lambada e produz litros e litros de água fresca.
Quanto ao roteiro estava tudo bem construído, coerente e com ritmo adequado. Entretanto, porém, todavia, as explicações ao estilo Smallville me deixaram irritado. Calma, esclareço. Sabem aquelas explicações da mitologia e da trama que acontecem rápidas demais, com cortes rápidos de cena e diálogos de um personagem complementando o de outro? Isso. É uma breguice sem tamanho porque entrega tudo muito rápido ao espectador. Entendo que é uma das soluções para não perder muito tempo contextualizando trama que já passou, mas poderia ser diluído durante o episódio para não nos deixar com cara de paisagem achando que tudo surgiu do nada, sem antecedentes.
Por fim, tivemos mais um episódio eletrizante para continuar a introdução das tramas da temporada e manter o clima de tensão. Para os que achavam que as caixas pretas não seriam retomadas, eis a prova. A tensão continua…
P.S. Nikita drogada RULES!















