
Here we go again.
Spoilers Abaixo:
Continuando com os tópicos da review anterior:
Alex e Sean
Este é outro casal que nos poupou do mimimi. Alex e Sean não ficavam trocando aqueles olhares languidos e melosos, nem contando para os outros como queriam um ao outro. O climão entre eles sempre foi implicitamente implícito. Às vezes chegava a ser tão implícito que parecia ser coisa da mente do telespectador, que não parava de shippar os dois.
Quando se conheceram, Alex estava iniciando sua parceria com a Division, e ele havia sido designado por Madeline para ficar de olho em Amanda. Com a iniciativa de Nikita de atacar a Oversight, Sean imaginou que ela era uma ameaça à sua mãe, e então teve a brilhante ideia de se aproximar de Alex para chegar à Nikki.
Vocês se lembram? Ele se fazia de útil para ela, tentava ajudá-la a não se focar apenas na vingança, ficava dizendo que ela tinha que tentar fazer “a coisa certa”, e por aí vai. Com esse papo, e com a cumplicidade que ele ofereceu à ela, ele conseguiu atrair a atenção da moça. Este “trabalho de sedução” culminou quando ele colocou um rastreador num relógio de Nikolai, que estava em posse da Division, e o deu para Alex quando ela foi para a Rússia atacar Semak.
Com este presente de grego, ele conseguiu a localização de Nikita, porém foi até lá totalmente sozinho, sem apoio nem de Amanda nem da Oversight. Isso, claro, demonstra que a esta altura o feitiço já tinha virado contra o feiticeiro. Se todos ao redor dele caçavam Nikita, por que não contar que tinha a localização dela? Alex. A intenção dele era usar o ponto fraco de Alex, que estava sozinha e perdida. Acabou que ela se tornou seu ponto fraco, e no fim a sua redenção.
Assim que descobriu que Nikki não era nada do que ele pensava, tudo se encaminhou para que ele se juntasse ao time dela. O motivo dele continuou sendo a proteção de sua mãe, mas, depois da morte dela (situação na qual Alex o apoiou bastante), e da vingança dele, a gente viu muito bem que ele ainda permaneceu lá.
Aí entramos num assunto que interessa muito a Nikita. Ela vive rondando Alex, perguntando sobre Sean, se está rolando isso ou aquilo. Quando ela acha que está pressionando demais, Michael herda a tarefa de interrogar sobre os motivos de Alex não ter ido embora com sua mãe. Isso nos leva ao óbvio: ela e Sean podem ter seus motivos de vingança ou de “fazer a coisa certa” para permanecerem na cruzada de Nikita, mas ambos também são motivos um do outro.
Alex, toda durona, nem pensava em dar o primeiro passo. Então Sean aproveitou que estava drogado (tá) e se declarou de uma vez, revelando ser o maior admirador da jovem Udinov. O melhor, no entanto, ficou para a Finale, com os dois lutando contra metade do mundo e ele chamando a garota para um encontro… Terminou o episódio e ele estava lá com cara de cachorro abandonado sem sua resposta, então espero que no início da 3ª tenhamos a chance de ver os dois começando a se relacionar. Porque nada teria mais graça do que Alex e Sean se beijando totalmente desconcertados, ou Nikki e Michael, morrendo de curiosidade, interrogando os dois.
Birkhoff e Nikita
Diferente dos demais, Birkhoff entrou na cruzada de Nikita sem nenhum ideal ou motivo de vingança. No 2×01 vimos que ele a socorreu e Michael porque, apesar de podre de rico, ele estava sozinho. Sua intenção era ficar perto de seus únicos amigos novamente, visto que sua vida anterior (Shadow Walker!) foi destruída pela Division.
Ainda assim, ele foi um dos que teve sua lealdade mais testada. Ele passou em todas as provas, mas também sofreu e perdeu demais. Primeiro, ele foi torturado por Amanda e nada revelou (2×09), teve que bancar novas casas todas às vezes em que eram encontrados, e perdeu toda a sua fortuna de 20 milhõezinhos (2×21). Isso sem contar que Nikki mandona nem dá chance para o povo respirar, e ele é um dos que seguem suas ordens todo o tempo.
Mas como ela mesma reconheceu, ele é insubstituível. Ele é a voz nos ouvidos dela que a guia, a tira de todos os lugares com vida, e conta terríveis piadas. Ele é o protegido que, se for ameaçado pelo menor perigo, ela larga tudo para socorrê-lo. Ele é o conselheiro amoroso de Mikita, que dá seus pitacos no relacionamento deles mesmo quando não é convidado.
Ele até tentou dar birra, mas com tudo o que passou na temporada, ele chegou ao final compartilhando o ideal de seus amigos. Quando ele deixou que explodissem o caminhão com seu dinheiro, por exemplo, ele o fez ciente de que não havia outra saída a não ser enfraquecer Percy. Além disso, ele também atirou em Carla quando ela se tornou uma ameaça, e depois, salvou a vida de Nikita, mesmo que tudo isso fosse muito além da conta para um nerd.
Outro ponto que não podemos esquecer é quando ele deixa escapar aquelas olhadelas indiscretas para Nikki. Não vou dizer que ele é apaixonado por ela, mas a gente bem viu aquele beijo repentino quando ele pensou que ia perdê-la. Porém isso é assunto pra 3ª temporada.
Amanda e Ari
Amanda demonstrou que entre ela e Percy havia mais do que um relacionamento entre chefe e subordinada, mas, para ele, nada do “mais” tinha algum significado. Então não é tão errado dizer que parte da motivação dela em dar o golpe nele era sua “frustração amorosa” e a frustração de ser vista como mais uma empregada ao invés de parceira.
Mas logo ela arrumou outro parceiro para suas maldades. Ari, que comandava a Gogol, uniu suas forças com ela para serem dois braços dominantes no mundo, um russo outro americano. Com o surgimento de Alex, o plano deles de dominar a Zetrov entrou em ação, com os dois manipulando-a para tal. Eles chegaram até a fazer uma oferta pelas ações dela, mas foram surpreendidos pelo amadurecimento de Alexandra.
Que cena foi aquela dela humilhando Ari na frente do conselho da Zetrov? Enquanto ele tentava conseguir o cargo de CEO, ela tirou toda a credibilidade dele usando a ideologia de seu pai: “Meu pai costumava dizer: se não consegue enfrentar os lobos, não vá à floresta”. E como se não bastasse, ainda complementa, “Este homem seria comido vivo na floresta. Ele não é um lobo. Ele é um cachorro.”.
Juntando esta derrota de Ari, Nikita vencendo Amanda, e Percy retomando a Division, a era de poder do ambicioso casal chegou ao fim. Eles saíram dos jogos pobres e sem rumo, mas levaram consigo uma Black Box, decifrada na SF. Com isso, eles estão de volta no jogo. Só que agora o panorama para eles é outro. Percy já era, a Division tem novo comando e nova missão. Os segredos da Black Box continuam sendo motivos para matar ou morrer, mas quem estará batalhando com eles é Nikita. E eles já perderam para ela uma vez…
Ryan, Kendrick e o Presidente
Ryan passou pelo verdadeiro vale da sombra da morte. Foi preso, teve sua morte forjada, foi levado para a Division, teve que trabalhar para Amanda e ainda colaborar com Percy. Salvo por Nikita, ele passou a fazer parte da cruzada dela, usando, como diz Birkhoff, seu superpoder de processamento de informações.
Na hora que a coisa apertou, e nem mesmo este superpoder era suficiente para enfrentar Percy, chegou a vez de Kendrick, um homem de confiança para Ryan, entrar na história. Kendrick é o presidente da CIA. Ele não só conheceu Percy intimamente (eles estudaram juntos), como também se tornou refém dele depois de ter um “killer chip” implantado em seu coração.
A primeira reação de Nikita, ao ver que ele não era “honesto”, foi de executá-lo. Como a série deixou claro e ela mesma citou, o fato de o sistema ter destruído sua vida tantas vezes dificultava qualquer voto de confiança num membro do governo. O bom é que Kendrick conseguiu transmitir sua mensagem de socorro para Fletcher a tempo. Assim, a missão de execução se tornou uma missão de resgate, e o suposto inimigo se tornou um grande aliado.
E como novos caminhos sempre levam a novos caminhos, a presença de Kendrick facilitou para Nikita quando ela quis chegar perto do presidente dos EUA, outra vez na tentativa de parar a loucura de Percy. A chegada do presidente Charles Grayson foi um acontecimento muito ousado para a série. Ele sabe da existência dos agentes fugitivos, sabe que eles estão do seu lado, mas age como se nada disso importasse.
Tendo o poder que ele tem, ele pode caçá-los (o que faria sentido), ou pode apoiá-los (o que não faria muito sentido). Mas este jogo de apoio ou não apoio teve sua decisão tomada quando ele resolveu ignorar os esforços de Nikita e Michael dentro da Division. Sem pestanejar, ele mandou o exército americano para destruir tudo o que visse pela frente, com rendição ou não.
Até aí tudo bem. Mas, e a partir da temporada que vem? Que papel terá o presidente? Com a nova Division funcionando, quer dizer que ele estará de acordo com as decisões que ela tomar?
A Grande Família de Nikita
Todos os relacionamentos que falamos até aqui têm um significado especial. Cada membro do “time Nikita” acabou recebendo um papel muito maior do que o de um simples soldado. Os momentos de descontração e intimidade entre eles nos mostram que agora eles formam uma grande família.
Birkhoff, por exemplo, é tratado como filho por Nikki, e não dispensa dar uma de irmão mais velho de Alex (vide ele jogando diretas quando ela estava cuidando de Sean baleado). Alex, por sua vez, é claramente a filhinha do coração de Nikita (o que faz de Sean o genro). Foi salva por ela e continua sendo salva dia após dia. Ryan faz às vezes de irmão de Nikki. Quando ele “morreu” ela ficou inconsolável, e quando ela viu que ele ainda estava vivo, seu sorriso quase foi de orelha a orelha.
Kendrick é o tio que entrou com dificuldades, mas entrou. Conquistou a confiança da família e agora pode ficar para jantar. Michael é o pai, claro. Obedece as ordens da mulher, reclama algumas vezes, mas não sobrevive sem ela. E Nikita, a grande matriarca, é exatamente como descreveu Percy: “Ela é toda durona na superfície, mas no coração é macia como uma pluma. Ela não aguenta ver quem ela ama ser machucado.”
Nikita e a Division
Quando se trata do desenvolvimento específico de Nikita, além dos flashbacks envolvendo Carla, tivemos um episódio que mostrou a fuga dela da Division (2×04).
Durante a missão “Águia Doente”, ela forjou um tiroteio para se passar por morta, e consequentemente deixou sua parceira, Kelly, para trás. Kelly foi presa e depois libertada por Ari, que a usou para tomar a Black Box de Nikita. Mas com Alex surgindo como a filha de Nikolai Udinov, as ordens dela mudaram e Alexandra passou a ser o alvo. O interessante de notar aqui é a constante vontade de Nikki de salvar todo o mundo.
É claro que o destino de Kelly foi traçado por causa da fuga dela, mas mesmo quando as verdadeiras intenções da ex-parceira vieram à tona, Nikki ainda estava disposta a ajuda-la.
Outro ponto importante, senão o mais importante foi a declaração que ela fez sobre a Division ser a sua casa. Na verdade, faz sentido. Foi lá que ela cresceu, que ela aprendeu a ser alguém, que ela se tornou alguém, que ela encontrou Michael, que ela chegou a Alex. Mais do que isso, foi lá que ela encontrou o objetivo que até então define sua vida: derrubar a Division.
A outra razão dela tratar a agência como um lar é a existência dos outros agentes. Como ela disse, se eles abaixassem as armas e se rendessem, seriam recebidos com balas. Isto a levou a se colocar na frente deles como defesa e, consequentemente, como líder.
Mas mesmo que sejam estas as razões dela decidir voltar para lá, vale lembrar-se do que ela prometia no início de sua jornada: “The last word they’ll breathe before the end will be my name.”. Será que um dia este fim chegará?
A nova Division – “Here we go again”
A “nova Division”, de acordo com Ryan, vai limpar a sujeira da “velha Division”. Para ele, não há instrumento mais apropriado do que a própria agência para arrumar a bagunça que ela mesma fez. Em minha opinião, Fletcher é, de fato, o personagem mais “qualificado” para cumprir esta missão. E o melhor de tudo é que ele reconhece que precisa de Nikita.
Então os dois serão os novos “Percy e Amanda” (na versão bondosa!), dando segundas chances para os marginalizados pelo sistema, combatendo os inimigos da nação. Dentre os inimigos, Amanda e Ari devem marcar presença. O grupo em que Percy queria entrar (não foi revelado nada sobre ele, só que é mais poderoso que a Oversight) provavelmente deve aparecer também. E novos vilões logo devem surgir para agitar mais um pouco a festa.
Minha maior preocupação é Ryan. Porque ele é de confiança, tem bom caráter e boas intenções, pode ser que o roteiro, em algum momento, deixe o poder subir à cabeça do personagem. Isso serviria para colocar em xeque a decisão de Nikita de “aceitar” a nova Division, além de deixar evidente que qualquer um está sujeito a se tornar um Percy.
Mas a maior pergunta que sai disso tudo é: e se esta fosse a Series Finale? E se o final de tudo fosse Nikita se rendendo à Division, mesmo que seja para transformá-la em um instrumento de defesa de seu país? Será que a destruição que ela tanto desejava foi concretizada no momento em que Percy foi derrotado? Então a morte de Percy representa a morte da velha Division?
A 3ª Temporada
Confesso que, assim como no final da 1ª temporada, estou apreensiva quanto ao futuro da série. Sei, sim, de toda a capacidade que titio Silver tem de nos surpreender, mas… Será que vai dar certo?
Nikita não terá só que “limpar a sujeira da velha Division”. Ela terá também que defender a agência dos interesses daqueles que querem usá-la como arma própria. Então, será que vai dar certo vê-la defender o que ela queria tanto destruir?
Outras observações:
– A 2ª temporada foi rápida, cheia de reviravoltas e surpresas… Mas valeu à pena. Tudo dela foi muito além do que qualquer telespectador imaginava.
– (Com spoilers de La Femme Nikita) A série faz constantes referências à LFN que chega a parecer uma incessante homenagem. Não tem como correr, claro, afinal a CW está fazendo um remake. Mas não deixa de ser prazeroso de ver quando as cenas fazem referências diretas. Alguns exemplos: 1) Michael explodindo a parede de um cômodo onde Nikita estava presa no 2×01. Em LFN foi o inverso, com Nikki salvando Michael de um lugar sem saída. 2) Amanda treinando Nikita para seduzir (2×18). 3) Percy e Amanda dando ordens para cancelar Nikita, e Michael defendendo-a, dizendo que ele poderia colocar “juízo” na cabeça dela (2×06). 3) Michael dando as boas vindas à recruta Nikita quando esta chega à Division (2×23).
– (Com spoilers de La Femme Nikita) Os atores Alberta Watson e Carlo Rota também estiveram em LFN. Alberta (senadora Madeline Pierce) interpretava Madeline, que era a Amanda da antiga série. Carlo apareceu como o banqueiro de Percy no 2×20, e em LFN ele interpretou um “misto” de personagens, inclusive o misterioso Mr. Jones.
– A série fez referência a Smallville no 2×22. Alex chamou os agentes que ficam na fazenda da Division de “mamãe e papai Kent”.
– As mortes de Percy e Roan foram “criativas”. Ambos morreram poeticamente. Percy voltou para a prisão de vidro, e Roan estava disposto a morrer por sua infinita lealdade… e assim foi.
– E parabéns para Xander Berkeley pelo seu megalomaníaco Percy. Já estava na hora da série seguir sem ele, mas não custa nada admitir que aquela loucura toda vai fazer falta.
– Sean e Alex, Birkhoff e Sonya, Michael e Nikita. Falta só um par para Ryan!
– Agora que a cruzada de Nikita terminou, Alexandra ainda vai ficar? E Sean?
– Boa e má notícia: a série foi renovada, mas continua sendo exibida na sexta-feira, ou seja, continua com baixa audiência.
– São muitos os momentos legais de Nikita: Sean chamando Alex para um encontro enquanto ela estava desmaiada, o primeiro beijo dos dois (!), as pantufas de Birkhoff, Michael entrando na Division com uma granada na mão (e o coração na outra)… De quais você se lembra?
– Sei que faltaram muitos detalhes da temporada, porém numa review que envolva 23 episódios muita coisa boa acaba ficando de fora mesmo. Mas em setembro a gente se encontra aqui de novo com as reviews da 3ª temporada e mais Nikita na veia. Beijos, aguentem a saudade e até lá!














