Apresentando: Ellie Bishop.
Sei que minhas reviews têm se repetido no aspecto da saída de Ziva/Cote, mas o fato é que esse evento até o momento marca os episódios dessa 11ª temporada de NCIS. Alguns apostando no fracasso completo da série; outros pagando para ver; e uma parcela de gente que está segura de que os roteiristas terão o jogo de cintura suficiente para contornar esse momento, trazendo a qualidade que a série procedural tanto possui.
Um fato é que, até agora, NCIS não apresentou um episódio sólido como é o costume. Mesmo Past, Present and Future, que me pegou pelo emocional e pelo jeito que “finalizou” a história de Ziva, de um modo coerente com as oito temporadas da personagem, teve alguns furos de roteiro. Desde então, nenhum episódio conseguiu ser marcante para nos fazer parar de falar na ex-epiã.
E mais uma vez havia a expectativa alta sobre um episódio da série, dessa vez pela aparição desta que foi rotulada como a “substituta de Ziva”. É sempre importante destacar que esse rótulo é injusto, por condenar uma personagem ao ódio antes mesmo de mostrar suas cores. Ziva David passou pelo mesmo quando era apenas a “substituta de Kate”; antes de nos conquistar por completo. Ellie também merece uma chance.
Antes de falar de Ellie Bishop de fato, quero salientar que NCIS é uma série que sabe apresentar e causar paixão por um personagem. Não tem absolutamente nenhum dos personagens, entre os fixos e recorrentes, que inspire aquela sensação de “que personagem mais desnecessário” que a maioria das séries tem. Claro, todos têm seus favoritos, de acordo com as preferências pessoais. Porém, NCIS possui uma grande aceitação entre o público. O que não me fez duvidar que a nova agente conseguiria causar ao menos uma empatia em sua primeira aparição (eu consegui gostar da loirinha pela promo).
Mas, então, quem é afinal Ellie Bishop?
Conhecemos a personagem graças a um trabalho sobre escutas feito por ela para a NSA, agência para a qual ela trabalha no momento do episódio. Aliás, foi uma cena interessante para uma primeira impressão da garota que consegue mesclar esquisitice encantadora, esperteza e destemimento. Nós a encontramos sentada ao chão, fone nos ouvidos, concentrada nos papéis espalhados pelo chão e no notebook que certamente será seu companheiro.
Ellie foi meio que convocada para ajudar a esclarecer sobre a escuta colocada na SecNav Sarah Porter. Entre momentos de estranhas conexões mentais – com direito à citação cinematográfica de A Beautiful Mind por parte de Tony – sorrisos adoráveis e tiques nervosos, ela conseguiu interagir com naturalidade com a equipe que, mesmo intrigada com os seus milhares de trejeitos e mistérios, recebeu a garota de braços abertos. Destaque especial a algumas cenas:
– Quando Gibbs pede que ela tome um refrigerante, ao que ela responde que não tem troco. Quando piscamos, vemos McGee e Tony oferecendo uma nota a ela cada um;
– O encantamento de Abby com o desenho feito por ela, comparando-a a Kate (mostrando que Ellie teve uma fácil aceitação do membro mais difícil da equipe);
– A cena final com Gibbs, quando ele mostra a antiga ficha de inscrição no NCIS, que ela fizera antes de ir para a NSA;
Pode parecer meio precipitado que a equipe tenha aceitado Ellie tão facilmente. Porém, devemos considerar o processo de 6 episódios onde vimos os personagens procurando a superação da perda de um membro importante. Ou seja, os roteiristas se esmeraram em fazer uma entrada que ao menos apresentasse verossimilhança na recepção à novata. Ao menos por enquanto as impressões estão boas. Sem contar que, tanto Ellie parece promissora em suas storylines inseridas na equipe e com cada um dos personagens.
O que pode ser melhorado?
Bem, essa é uma boa questão. Inicialmente, gostaria de apontar que, como dito acima, Ellie mostrou todos os motivos e características para que se gostem dela sem, no entanto, ter algum defeito aparente. Claro que, para uma primeira aparição, é impossível ver todas as camadas de um personagem e, como venho destacando nas reviews anteriores, NCIS sabe como trabalhar a complexidade de um personagem, como vem mostrando a mais de dez temporadas. Mas, no momento, é o que eu espero ver num próximo episódio.
Ao mesmo tempo, e aliado a isso, vemos que Ellie pode ser facilmente usada como um elemento de “saída fácil” para os roteiros mais complexos e investigações. NCIS, novamente, não é conhecido por optar por esse tipo de resolução em storylines, especialmente quando usa de arcos maiores em suas histórias (vide a storyline do La Granoile na 5ª temporada). Mas a personagem e sua esperteza pode levar a tais caminhos perigosos e preguiçosos que espero que sejam esquecidos pelos roteiristas.
Também vimos algo que é recorrente em NCIS: os daddy issues. Neste aposto em uma continuidade porque, em várias temporadas, sempre vimos muitos e muitos personagens enfrentando os mais diversos problemas com seus pais. Espero pelo menos que, como os exemplos anteriores, vejamos um tipo diferenciado de conflito pai e filha.
Por ora, Ellie Bishop apresentou boas impressões em sua primeira aparição, conquistando com seu carisma e suas esquisitices adoráveis. Que venha mais e mais da novata da equipe.














