O retrato do abandono. Ou a síndrome do cão abandonado, se preferirem.
Essa não é uma doença típica. Não pode ser tratada com remédios, não precisa de receitas e duvido que possa ser resolvida com 3 horas na fila da emergência e alguns exames (isso se você tiver plano de saúde). Devemos também destacar a diferença entre a SCA e a solidão. A SCA é um estado temporário onde a pessoa, na maioria das vezes, se deixa abater por fracassos e afunda em máximo estado de carência. As consequências são períodos de frustração e sofrimento. E a solidão? Este já é um sentimento de vazio e isolamento, que muitas vezes é baseado em fatos reais.
O que tudo isso tem a ver com o episódio que assistimos? Neste episódio pudemos ver exemplos claros dos dois casos. Começamos por Juliette, a estrela do sofrimento enrustido, que começa o episódio tomando uma atitude muito típica da sua personalidade: afrontando o novo dono mau caráter da gravadora. Claro que Juliette não poderia ficar por baixo e tentaria mostrar como ela não faz o que os outros querem, ainda mais quando uma nova “promessa” que viria a substituir seu público jovem foi introduzida aos negócios. Até aí, sem novidades, a questão é Juliette chegar quase ao nível da pena. Em vez de atender ao evento da gravadora, ela resolver participar de um mini show dedicado a um casal milionário, que esposa é uma grande fã. Avery foi levado como funcionário e acessório.
A química entre os dois parecia estar dando muito certo e nós, telespectadores, sempre ficamos na expectativa que dali irá sair algo a mais. Afinal, teria algo mais compatível que os dois personagens mais sozinhos da trama se entenderem? Enfim, Avery ouviu que não passava de um objeto para Juliette, assim como ela trata a todos em sua volta. Até acredito que neste caso, Juliette tenha uma certa simpatia sincera por Avery, mas o seu orgulho jamais permitiria que ela se desculpasse ou consertasse a situação. Para remediar as frustrações, e o peso da verdade de todos os desaforos que ouviu, ela faz o de sempre: dorme com o homem errado. Neste caso, o dono da casa, cravando uma bela facada nas costas da esposa. Confesso que por um segundo até achei que ela poderia tomar a atitude correta, mas não foi desta vez que Juliette entrou no mundo da integridade. Como saldo do plot, podemos chegar a conclusão que Avery até teve seu momento SCA, ao se decepcionar com a falta de amizade de Juju, mas Juju definitivamente sofre mesmo é de solidão.
Na grande festa da gravadora, entramos em terrenos mais ambiciosos e cheio de obscuridades. Rayna James colocou mesmo um ponto final no seu relacionamento com Teddy e parece ter deixado Deacon para trás. Antes de abandonar quase tudo para ficar com seu amor, Rayna estava vivendo um affair bem interessante com Liam, o produtor que trabalhava em seu novo álbum. Se esquecermos totalmente as loucuras da paixão de Rayna, Liam com certeza parecia uma opção sensata para ela iniciar um relacionamento novo, sem bagagens ou extremamente desgastado por histórias pesadas. Acho que Rayna também chegou a essa conclusão e resolveu ir atrás do cara, antes abandonado por ela. Logo de começo, o fora que Liam deu em Rayna pareceu bem merecido, mas é obvio que de alguma forma os dois realmente tem um algo a mais. Devo dizer que simpatizo sim com o casal. Liam parece dar uma certa leveza a Rayna. Sem problemas, bem divertido e boa harmonia, sem contar o fato que este está sempre a motivá-la. Rayna estava precisando realmente de motivação. Voltar a encarar a vida após aquele acidente terrível parece ter ficado mais fácil com Liam. Depois do golpe da gravadora com Will, os problemas com a família, Rayna também se encontra ameaçada a fazer a única coisa que a transmitia paz: cantar. Achei bem legal a decisão em cima da hora que Rayna, já motivada antes, teve de tomar as rédeas de sua própria carreira e promover a Highway 65 em meio a um grande evento da Edgehill. Um ato corajoso, mas muito perigoso. Aposto que o novo cara não vai deixar essa atitude barata. Inclusive, me arrisco a dizer que ele já está de olho em Scarlett.
Não temos muito a dizer sobre Scarlett neste episódio, o seu assunto mais relevante é sua nova amiga e o tio problemático. Começando por Deacon, que no começo do capítulo estava parecendo ser mais do mesmo. Muita reclamação, muita pena de si mesmo, muita chateação e hostilidade a todos que queriam ajuda-lo. Até quase o final do episódio, não parecia que a história sairia disso, mas Deacon resolveu ter um ato de salvação e usou toda sua humildade para ter uma conversa franca do Teddy, seu rival. Teddy odeia Deacon, então a atitude não o comoveu nem ao mínimo, e como de costume, Teddy tratou Deacon da pior forma possível. A cena marcante do episódio fica por conta da confissão de Deacon em seu grupo terapêutico. Por trás de uma pessoa dependente química, quase sempre existe um passado complexo. O caso de Deacon são problemas familiares. Não ouvimos nada muito diferente do esperado, mas mesmo assim a carga emocional foi bem forte e Chip Esten merece as honras por executar a cena com tamanha perfeição. Deacon não é uma vítima da SCA, está classificado oficialmente como um solitário.
Outro personagem contaminado com a SCA é Gunnar. Não tem como deixar de reparar o quanto o personagem caiu de importância do fim da ultima temporada até aqui. Os plots de Gunnar são basicamente os mesmos: sofrimento por perder Scarlett (que não está nem aí) e dificuldade de decolar sua carreira. O somatório de tudo isso é uma profunda baixa autoestima por ver aqueles dois que começaram com ele cantando em um palco, enquanto continua criando boas canções que nunca conseguem estourar. Will não tem um talento específico, é apenas um interprete e sabe disso. Não sei se o objetivo de Will ao cantar uma música que Gunnar não gostaria no palco era ajuda-lo ou se aproveitar de seu talento. Will é um personagem bem difícil de interpretar e levar a amiga de Scarlett para sair é mais uma de suas atitudes insensatas. Essa menina em particular parece estar ali para apimentar o quarteto, ou quinteto amoroso que envolve o núcleo. Não sei com quem exatamente ela se envolverá, mas tudo indica que será Gunnar. Se isso acontecer, como Scarlett irá se comportar? Não vai se incomodar, pois superou, irá acabar a amizade ou os sentimentos por Gunnar renascerão?
Por fim e MUITO menos importante, temos Teddy também afetado pela SCA. Rejeitado por Rayna, inseguro pela filha, Teddy se entrega novamente a única pessoa que parecer querer algo dele: Peggy, a cobra. Essa mulher é simplesmente a coisa mais repugnante na série e o problema de Teddy de repente nem seja apenas sofrer de SCA, Teddy tem vocação para ser idiota. Mais uma vez vai se envolver com esta mulher que não vale nada e está a ponto de levar mais um golpe. Neste caso, nem existem chances de pena, é uma questão de plantar o que colher mesmo.
Imagino que a batata das duas divas na gravadora esteja assando. O relacionamento do quarteto aspirante a fama também está para se incendiar. Deacon e Teddy são incógnitas e Scarlett parece estar bastante sem rumo nesta temporada. Estou sentindo falta de uma motivação para a personagem, de repente seja hora de alguma reviravolta acontecer. A audiência deste episódio caiu um pouco, mas o nível do programa continua o mesmo e existem razões para acreditar que a série pode se manter. Alguém está perdendo o interesse por Nashville? Acredito que não.














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