Por que Tyrell causa tanto fascínio nos fãs de Mr. Robot?
Nunca houve na história dos seriados, um personagem ausente que causasse tanta comoção quanto Tyrell. É difícil entender como Sam Esmail e Martin Wallströn conseguiram um feito desses. Em meio a uma temporada de tantos mistérios de acontecimentos, discutimos semana a semana o que teria acontecido com o dinamarquês. Sueco, na verdade, mas é muito mais legal chamá-lo de dinamarquês.
Nascido numa pequena comunidade em Västra Götalands län, cresceu com o pai que pouco sabia falar inglês. Uma das poucas exceções era o poema do americano William Carlos Williams (mais detalhes, aqui), The Red Wheelbarrow:
So much depends upon a red wheelbarrow
glazed with rainwater beside the white chickens.
Tyrell confessa para Elliot que a simplicidade e o desprendimento contidos neste poema, fazem lembrá-lo de seu pai. Mais especificamente, de como ele gostaria de ter uma vida completamente diferente desta. E, neste contexto, ele realmente teve muito sucesso. Tyrell tornou-se um escroto egoísta e ganancioso.

Nos primeiro episódio da série, ele se mostrou um personagem intrigante. Um alpinista corporativo, nos moldes de Jim Profit, da série The Profit. Porém, quando os seus planos começaram a dar errado, revelou-se completamente submisso à esposa, um merdalhão ao assassinar Sharon, colocando o plano a perder e um menino mimado e chorão, ao ter um chilique quando Philip o demite. Por isso que é tão difícil de entender porque sua morte causa tanta negação.
E se Tyrell estivesse vivo?
Interlúdio Explicativo da Review: Desde o momento em que subiram os créditos do finale, refleti muito sobre a possibilidade de Tyrell estar mesmo vivo. E até faz um certo sentido (-sqn). Por isso, escrevo este bloco para agradar a todos que insistem em crer que ele não foi assassinado por Mr. Robot. Se você acha que isso é impossível, pode pular para o bloco seguinte. Continuando…
Por algum motivo, Elliot (pilotado por Mr. Robot) vê valor na ganância de Tyrell, após o mesmo declamar o poema de WCW e dizer que quer uma vida completamente diferente de seu pai. Assim, o hidden process planeja a fase 2 somente com o nórdico, que acaba se tornando o arquiteto do 5/9 hack.
A fase 2, em sim, até que era bem previsível: destruir também os registros físicos para ser impossível reconstruir o banco de dados. O malware instalado no femtocell serviria sobrecarregar as baterias com chumbo e ácido, inundando o prédio de hidrogênio. A explosão destruiria todos os dados, mas também mataria muita gente. Mr. Robot, prevendo que Elliot poderia sabotar o plano, dá a arma da pipoqueira para Tyrell, revela sua dissociação de personalidade e o orienta a atirar, como último recurso, para preservar o plano.

Tyrell, seguindo a orientação do líder, atira em Elliot, impedindo-o de remover o malware do femtocell. E, para quem ainda tinha dúvidas se tudo aquilo não era só um remake do fim de Fight Club, Tyrell liga para Angela e pede sua ajuda. Fim de papo! Tyrell está vivo e não vamos mais voltar nesse assunto.
Tyrell está morto: Aceita que dói menos
Interlúdio Explicativo da Review: Se você ainda está em negação e acha que os acontecimentos desta finale provaram que Tyrell está vivo, aconselho fortemente a saltar este bloco. Garanto que você vai ficar irritado com a minha insistência e teimosia em defender o meu ponto.
Mr. Robot precisava de um novo alter ego, pois sabia que nunca teria coragem de atirar no próprio filho. Quando ele entende o nível de ganância de Tyrell, percebe que ele seria o alter ego ideal para impedir que Elliot estrague a fase 2. Assim, o sueco é assassinado no parque de diversões e passa a ser o alter ego 2, de Elliot. Isso explica a cápsula da bala encontrada lá.
A cena em que Elliot é baleado é uma referência claríssima à cena final de Clube da Luta. É evidente que Elliot atirou em si mesmo. Quem não arrepia lembrando de Edwart Norton colocando a arma na própria boca? Eu só não entendo porque Sam Esmail nos privou de uma reconstiuição semelhante. Certamente, foi para gerar esse buzz entre os crédulos.
E Angela? Seria possível Elliot atirar em si mesmo e ligar para amiga? Claro que sim. Isso é perfeitamente possível. Lembre-se que Elliot estava extremamente ofegando e a ligação durou míseros segundos. Ela só não estava completamente confusa, pois Whiterose a preparou para este momento. Ele sabia exatamente o que acontecer e deve ter mostrado vários vídeos com as “transformações” de Elliot.
Sam Esmail é um gênio e Mr. Robot é a única série que gera esse tipo de debate, atualmente.
Algumas evidências extras
Listo aqui algumas provas inquestionáveis:
- No final da parte 1 da finale, Tyrell e Elliot saltam do táxi no começo da noite. O primeiro diz que eles podem caminhar, porque o destino era próximo.
- No começo da parte 2, eles chegam no prédio, com o dia amanhecendo. O close aéreo pega uma Nova York estranhamente deserta. Não há nenhum transeunte ou carro em movimento sequer.

- O Dark Army, jamais, confiaria qualquer segredo em Tyrell Wellick.
- Tyrell, após meses desaparecido, está exatamente com o mesmo visual de sempre. Perfeitamente alinhado. Até a gravata é a mesma da sequência inicial, sendo que ele jamais havia repetido antes. Erro (ou preguiça) de continuidade? Duvido.
- Isso tudo, provavelmente, coloca toda esta sequência no sonho lúcido de Elliot com um avatar de Tyrell. Neste contexto, ele poderia ou não ter levado um tiro, o que justificaria ainda mais a ligação para Angela.
Como Dom, a píton, descobriu tanto?
A morte de Cisco já era previsível (uma pena), porém o quadro de investigação de Dom foi completamente inesperado. Como ela mesma se definiu, age como se fosse uma píton, esperando a hora exata de dar o bote.

O FBI sabe de tudo. Até mesmo que Joanna está envolvida com a morte de Kareen. Como estão envolvidos 6.332 agentes nessa ação, é muito difícil imaginar que todos os envolvidos não estejam em vigilância absoluta. Especialmente os dois cabeças: Elliot e Tyrell. Este é mais um motivo para crer que este encontro entre Elliot e Tyrell não aconteceu. Pelo menos, não de forma física e muito menos iniciando com um passeio pelas ruas de Nova York.

Um detalhe que chama a atenção é a alcunha Sam Sepiol, sob o nome de Elliot. Este foi o nome utilizado na invasão do Blue Montain, na primeira temporada. Sua origem também é conhecida e vem de Sam Esmail e Alex Sepiol (executivo do canal USA). A teoria em torno deste nome, no entanto, é um tanto extravagante: Elliot, seria na verdade o milionário excêntrico do Vale do Silício Sam Sepiol e estaria disfarçado como técnico de segurança. Este seria o segredo seja descoberto por Tyrell.
Quanto à quantidade de informações que Dom possui, a primeira suspeita era que Mobley e Trenton entregaram tudo e estão alguma espécie de programa de proteção. Se isso for verdade, Leon estaria ali para matá-los. Porém, a conversa dos dois leva a crer que eles estão escondidos na casa de uma amigo (indecente) de Mobley. Assim, Dom pode ser consagrada como uma das maiores detetives de todos os tempos.
Joanna, mais Creepy do que nunca
E, finalmente, um mistério foi revelado. Scott Knowles era o responsável pelos presentes e pelas ligações. É esse tipo de encerramento que me dá a certeza da qualidade do roteiro. Mr. Robot não tem furos. Quando parece que nada faz sentido, uma explicação coerente surge.

Joanna foi enganada e acreditava que era Tyrell que estava fazendo tudo aquilo. Ela só descobriu que era o Scott, depois que Elliot hackeou a origem das ligações. Por outro lado, ela se deixou espancar para que Scott fosse incriminado da morte de Sharon com o depoimento de Derek. Assim sendo, teria sido uma incrível coincidência ela se envolver com o barman, prevendo que isto poderia lhe dar alguma vantagem futura? Creio que sim.
E assim, lá se foi mais uma temporada de Mr. Robot e a vida ficou mais chata.
Até ano que vem.
















