Em T.I., handshake (aperto de mão) é o processo que garante ao meio físico que duas máquinas se reconhecem e se aceitam, permitindo que elas se comuniquem, troquem dados e, até mesmo, assumam o controle uma da outra.
Elliot, na première, declarou o seu ressentimento contra nós – seu amigo imaginário número um – por termos escondido que sabíamos que Mr. Robot não existia durante toda a primeira temporada e nos deu o troco, não revelando que todo o cenário a sua volta, era somente uma ilusão criada para suportar (e aliviar) o período de reclusão auto imposto. O que ele não poderia prever é que, novamente, nós já teríamos ciência que quase nada ali era real.
Mesmo assim, toda a sequência a partir da exposição da roupa laranja, que revela o mundo penitenciário que estava suplantado, foi maravilhosa. Sam Esmail tem o dom de nos entregar exatamente o que queremos, da melhor forma possível. Os últimos cinco minutos devem ser vistos em loop várias vezes.

A teoria que ele estava numa hospício fazia muito mais sentido do que a do presídio por dois motivos principais: Darlene já havia comentado que ele se colocou lá por vontade própria e, se ele tivesse sido preso pelo atentado à E Corp, certamente isso teria ganhado notoriedade midiática. Resta-nos teorizar então por que ele está preso e eu já tenho a minha aposta: chantagem.
O motivo pelo qual ele está preso seria uma auto delação da chantagem que fez contra Michael Hansen, ex-namorado de Krista, exigindo que ele a abandonasse. Isso justificaria o pequeno período de cárcere (cerca de 3 meses) e o motivo que fez com que sua terapeuta o perdoasse e retomasse as sessões. Faz sentido não faz?
A única certeza é que ele se infligiu este período de isolamento para tentar se livrar do seu alter ego, mas no final, conseguiu um handshake com este, incorporando-o como parte de si e permitindo a retomada do seu plano de derrubar a E Corp. Para que isso ocorra é necessário que ele faça somente uma coisa: Liderar. Go back, Elliot!
Com Elliot saindo da prisão, encerra também o melhor filler da série até o momento – o site pernicioso de Ray. Palmas lentas para a magistral atuação de Craig Robinson, no momento em que ele revela que sabia que Elliot seria o caminho (reposta) para a expiação dos seus pecados. A revelação da história da criação do site pela sua falecida esposa e as lágrimas nos seus olhos ao perguntar para Elliot quanto tempo ele ainda teria, fizeram valer qualquer enrolação que o plot tenha causado na trama principal.

Tirar o site da Deep Web era uma jogada óbvia para um justiceiro cibernético e foi muita inocência (ou ignorância) do Lone Star não desconfiar do aumento de rentabilidade imediato. Muita gente acha que a Deep Web se define como “sites para criminosos”, quando na verdade é, simplesmente, “sites sem indexação”. Especula-se que 90% de todo o conteúdo da web está na Deep Web. Indexando o Midland City (deixando os sites de busca o enxergar) e enviando o e-mail de denúncia anônima para o FBI, Elliot o expôs completamente e encerrou as suas atividades.
Muita gente perdeu dinheiro com o encerramento do e-commerce do submundo e o ataque que Elliot sofreu foi o responsável pela maior surpresa do episódio: o Black Ninja Leon não só era real, como estava ali protegendo Elliot a mando de White Rose. Uma vez que o mandato de soltura foi providenciado pela Dark Army, imagina-se que as habilidades de Elliot sejam necessárias para que os planos de Zhang avancem.

A construção do Master Plan de White Rose começa a se delinear e eu arriscaria dizer que envolve modelos monetários cibernéticos. As E-Coins surgem como uma solução para a escassez de dinheiro real e o seu controle transcende as fronteiras dos países e as regras impostas pelas organizações mundiais. Atualmente, o BitCoin já representa uma ameaça no mundo real, por exemplo. Destruir os históricos digistais de uma das maiores instituições financeiras do mundo e substituir suas movimentações por uma moeda, cujas regras estão em seu poder, seria o começo de um projeto de dominação mundial #pinkecerebrofeelings.

O problema é que as E Coins são de propriedade da E Corp, que deveria ser o interesse primário de Philip Price no acordo. Tudo leva a crer que a cisão entre ele e Zhang não aconteceria, se o primeiro não tivesse postergado o cronograma original. O objetivo único da FSociety é quebrar a E Corp e o modelo econômico atual, por isso interrompeu a votação do aporte governamental para resgate da corporação, enviando os bagos de bronze no Capitólio. Como é sabido que a Dark Army tem muita facilidade para influenciar as ações da FSociety, é certeiro afirmar que Zhang não quer (mais) que a E Corp receba o resgate.
São muitas peças de uma quebra-cabeça complexo, mas estabelecer uma timeline onde haveria o atentado, o Governo seria obrigado a intervir com muito dinheiro, essa intervenção nunca seria suficiente e haveria uma votação (citada na conversa entre os dois arquitetos) da liberação das moedas virtuais no ONU é um bom começo para tentar desvendar todo esse “projeto secreto do mal”.

Semi-Alheia a tudo isso, Angela “a mais esperta” Moss segue a sua jornada obsessiva-vingativa. O mais bizarro é que ela nem aparenta mais querer justiça para os afetados ou destruição para a corporação. Parece que o seu único interesse é desvendar a verdade sobre o Washington Township. Prova disso é que nem o desejo do pai de acionar as contingências de contrato exigindo as inspeções é respeitado. Ela prefere encerrar as investigações externas e correr o risco da empresa ficar impune somente para ganhar a vaga no departamento, que imagina ter acesso às informações confidenciais. Tenho que admitir que torço por ela, pois não consigo nem elucubrar os motivos que levariam Philip a negar a remoção desta cláusula de contingência por tanto tempo, nem tampou o porquê ele mudou de ideia subitamente. Será que ele mesmo usou isto no passado para ascender a CEO da empresa?

E, por fim, temos o enigmático plot da Joanna. Sua “relação” com Derek, o bartender, parece completamente deslocada e sem sentido, porém, já aprendemos que nada permanece com essas características por muito tempo em Mr. Robot. Ao mesmo tempo que ela se angustia com a ausência do marido (que já sabemos que foi assinado por Elliot), protocola um pedido de divórcio para não perder o namorado que despreza. Pausei e ampliei o documento para ver a data, torcendo para que ela estivesse numa outra linha temporal e pudesse teorizar sobre isso, mas nada. O pedido está datado de 03 de Julho de 2015, mesma data que aparece na (não) recuperação das filmagens do 23. andar solicitadas por Dom. Curiosamente, a transferência dos dados hackeados dos Androids do Agentes do FBI são mostrados como se tivessem sido feitos no dia 06 de Julho, mas acredito que tenha sido um erro de continuidade, pois não faria nenhum sentido. E ainda tivemos a sessão interrompida na Câmara, com data de 07 de Julho. O tempo passa estranho em Mr. Robot ou isso tudo são pistas para os olhos mais atentos?
Desde já peço desculpas pelo texto imenso, mas acreditem, eu deixei muita coisa de fora. Essa série tem tantas nuances, tantos detalhes e cenas para serem exploradas e merece tantos elogios, que é quase impossível ser sucinto.
Até semana que vem.















