E o prêmio de melhor neurocirurgião do mundo vai para…

Spoilers Abaixo:

Quando o Dr. Wilson foi acusado de negligência, a mãe do seu paciente acolheu as suas preocupações com um tapinha nas costas. Quando passa pelos corredores do Chelsea General as pessoas divagam. Ele está cansado de ouvir sobre o seu papel na trama. Mero recurso que só eleva a sua função diante de catástrofes. Todos o elegem em algum momento.

O maior percalço para o Dr. Wilson em One Fine Day é o roteiro que inconscientemente tenta sabotar qualquer trama relevante para o personagem.  O mesmo acontece com a Dra. Tina, que aparece apenas para elevar a moral quando o neurocirurgião não atinge o perfeccionismo. Servindo como muleta que reside nos resquícios de brilhantismo do seu benfeitor.

Outra personagem que está sempre no âmbito do improvável é a Dra. Napur. Desde o seu relacionamento aos casos médicos que, pela terceira vez, vão de encontro a ela. Mas a personagem demonstrou que tem muito a oferecer. O discurso da semana passada é um dos mais afiados da série. Não estou aqui para criticar personagens. Eles mudam, são reescritos, recebem camadas. Falo de todo o aparato por trás deles que devem, no mínimo, enaltecer as qualidades dos seus personagens e conferir a mínima ideia de avanço.

O Dr. Park até agora é o melhor personagem da série. O aproveitamento das suas tramas não é apenas o maior até aqui como engloba todos os seus colegas de trabalho, recurso que deixa a trama mais dinâmica. O seu esforço assim como o seu apelo emocional sempre cria bons paralelos com a sua personalidade reservada. Além do humor tão característico do personagem que manuseia o seu vocabulário com a mesma precisão do manuseio de um bisturi.

Para o Dr. Wilson o mais preocupante não é acertar, mas saber exatamente o que fazer após o erro. É comum da medicina exigir precisão, mente fria e uma resposta imediata. Ele é enaltecido inúmeras vezes como o melhor neurocirurgião do hospital. Sua arrogância reside nessa persistência do roteiro em criá-lo como recurso, não como personagem. Ele não se compromete, não pede ajuda aos colegas e não respeita a cadeia de comando encabeçada pelo Dr. Hooten. Ele apenas aparece para fazer milagres e salvar o dia.

Esse é o episódio mais franco para os seus personagens. Da maneira que ele age nas tramas, contando exatamente com tudo que já foi apresentado. O Dr. Hooten envolvido pelo poder, Dr. Wilson recusando a razão em detrimento dos seus problemas pessoais enquanto equilibra o ego inflado pelos próprios colegas, que em algum momento farão criticas a sua arrogância. Do outro lado, a Dra. Napur continua sem aproveitamento, mas com um enorme potencial.

A manhã de segunda não serviu como um julgamento dessa vez. Tudo estava ali. O tribunal estava montado, o copo d’água estava cheio. Os comentários, os murmúrios dos colegas e o grande discurso do réu. Mas não surgiu como purgatório, nem como tribunal. O trabalho do Dr. Wilson teve finalmente o seu devido reconhecimento. É como todos no Chelsea andam dizendo por aí: ele é arrogante, mas é um dos melhores neurocirurgiões do mundo.

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