
O seu ponto de vista
Spoilers Abaixo:
The Legend and the Fall é o episódio mais intimista da série, se apoiando única e exclusivamente num recurso técnico já explorado exaustivamente nos episódios anteriores.
Os flashes circulam vertiginosamente na tela enquanto a câmera subjetiva percorre os corredores do hospital entre cortes imprecisos que circulam por olhares perdidos que, mais uma vez, se comunicam entre si e criam proximidade com o telespectador.
Dr. Hooten é o convidado de honra. Ele mesmo tece ruidosos comentários nas manhãs de segunda sobre a aptidão médica. Sobre a necessidade de impedir uma complicação, de pensar adiante para não sucumbir ao imediatismo e a arrogância. Ele observa, transcreve suas próprias leis nas diretrizes do hospital e condena sem direito a defesa.
O papel das manhãs de segunda reside no próprio argumento da série. É um debate franco que apenas aparenta ser casual, mas rompe diretamente com o caráter de tribunal. Por isso funciona mais como um purgatório. Os médicos estão ali para ouvir, aprender e discutir, mas principalmente aceitar com penitência. Quando o Dr. Wilson ergue a voz e indaga contra a relutância do Dr. Hooten em tomar partido sobre as ações do seu mentor, nada discursa mais sobre o papel do purgatório. Você não compromete a cadeia de comando, assim como você não decide quem deve julgar. Se todos estão ali, todos terão uma audiência em algum momento. É apenas justo, da maneira que deve ser.
Quando o Dr. Wayne revela o tique do Dr. Hooten, as imagens em câmera lenta fitam o telespectador minuciosamente num tom crescente na cena seguinte. Ele enche o copo e imerge entre olhares, da subjetividade em contraste com a previsibilidade. Ela não julga, não condena, apenas convoca e acaba se tornando vítima do acusado. E o pior é que, aceitando isso, o Dr. Hooten concede a ele um benefício que bate de frente com o propósito administrativo que ele exerce no hospital.
Monday Mornings não é uma série que apresenta casos inovadores. Ela encontra seu nicho justamente nos bastidores, nas manobras administrativas e nos processos por erro médico, dando ênfase sempre em como evitá-los. Não é uma série para quem assistiu oito temporadas de Grey’s Anatomy e pelo menos cinco das quinze temporadas de ER. Não há nada novo para ser apresentado, mas o grande diferencial da série é esse. Na ausência de tramas, ela não recicla nada, apenas discute exaustivamente sobre o mesmo assunto esperando que o resultado seja diferente da próxima vez.


















