
Uma característica já explícita logo no primeiro minuto de Monday Mornings é a sua agilidade.
Spoilers Abaixo:
Os casos, seguindo o exemplo dos episódios anteriores, não refletem os problemas pessoais dos doutores. O envolvimento permanece no âmbito profissional do início ao fim. As manhãs de segunda permanecem como um paralelo eficiente e poderoso que dá força narrativa aos personagens e confere maturidade ao roteiro.
Outra característica marcante reside na continuidade precisa da série. O roteiro consegue atenuar algumas relações e efetivar os trâmites legais envolvendo a Dra. Ridgeway e o Dr. Tierney. Essa dinâmica funciona também graças à representação eficiente de toda a burocracia negligenciada no caso do Dr. Tyler, que ainda permeia entre o seu enorme ego e a sua constante necessidade de provar para os seus colegas a sua supremacia.
O Dr. Park, por outro lado, consegue se sobressair no mesmo cenário. Em seu caso, há uma preocupação de não desmerecer o seu método em virtude do resultado final. De maneira metódica consegue percorrer o episódio como alivio cômico, por conta do próprio caráter, e entregar lá no final uma carga dramática minimizada pela péssima elaboração de cena. Restando poucos segundos de tela para apresentar uma nova camada de um novo personagem, que surge como um dos mais interessantes.
O Dr. Tyler enfrenta dentro da sua perspectiva um caso sem precedentes. Numa decisão acertada, porém questionável, consegue salvar a vida de um paciente e devolvê-lo parcialmente ao convívio familiar. Como já foi destacado no piloto, ele carece de uma preocupação mais apurada com os pacientes colocando a vida deles em risco por conta do seu ego. Outro ponto marcante está na repetição argumentativa dos episódios anteriores, que destaca o receio do Doutor em procurar auxílio dos seus colegas neurocirurgiões.
Quanto ao Dr. Tieney, sua situação torna-se cada vez mais complicada. É inegável a sua incapacidade de julgar os seus atos de maneira que o permita também compreender a sua insensibilidade diante da mãe do seu paciente. Ele é rigorosamente guiado até o depoimento, para padecer de sua própria arrogância. Como mártir, Dr. Hooten decide fazer um acordo. Outro acordo. Sua posição estabelece uma curiosa questão. Passando pelo princípio e o fundamento da tecnologia e da ciência, qual o papel da humanidade dentro de um hospital?
Segundo o Dr. Hooten, os familiares ainda sofrem mais que os pacientes com a negligência médica. O descaso, a espera e toda a falta de transparência por trás dos procedimentos, lidando com a incapacidade de se redimir, de se desculpar. Em algum ponto, deve-se aliar a preocupação dos médicos com o histórico do paciente, com os familiares e amigos mais próximos. Criar uma linha concisa que permita um diálogo que não limite o procedimento ao achismo e ao autoritarismo.
Na segunda, há dois médicos no purgatório. Desmerecendo seus méritos. Um salvou a vida de seis pessoas, boas e promissoras pessoas. O outro fez tudo o que estava ao seu alcance, mas isso não foi suficiente. No ramo da medicina, o robótico cortar e costurar são comuns. Será que sobra espaço para compreender a relação familiar por trás de um paciente e a importância individual de uma vida? Uma vida deve ser ceifada para salvar outras vidas?


















