
Recapitulando os acontecimentos do último episódio com o caráter dúbio entre o falecimento do paciente do Dr. Tyler Wilson e o seu sofrimento em detrimento do seu perfeccionismo, passando pelo seu subsequente purgatório nas manhãs de segunda, que surge como pesadelos e alucinações, Monday Mornings consegue manter o nível alto da season premiere, divagar sobre existencialismo e reapresentar seus personagens com mais profundidade.
Spoilers Abaixo:
Dr. Tierney é o primeiro personagem a receber uma carga dramática mais dosada, quase densa. Sua frieza é minuciosa. Ele assume a sua insensibilidade e o seu ato atroz, se desculpa pelo ocorrido, entra no centro cirúrgico e corta. Ele está salvando vidas, sua pressa está aliada ao fracasso, mas a pontualidade se alia perfeitamente ao perfeccionismo. Sua sinceridade além de tocante é crucial. Em outro momento da série, há um paralelo riquíssimo entre a ciência dos acontecimentos e a fé nos milagres. Mas fugindo sempre do debate entre fé e ciência, minando-se apenas do conteúdo complementar. Em alguns casos, quando não se recorre aos dados científicos e as probabilidades médicas, o mistério da vida acontece sem alguma explicação racional.
As manhãs de segunda refletem bem o argumento pretensioso do Dr. Hooten ao questionar a decisão equivocada do Dr. Tierney ao constatar morte cerebral em um paciente. Ele foi chamado de abutre, de predador. Não são todos os médicos abutres ou estamos nos entorpecendo pela grandeza de um plantão médico de uma série médica? Seriam eles todos os mocinhos, que criam laços inquebráveis com os seus pacientes?
O embate final do Dr. Tierney é assustador de tão sincero. Ele demonstra sua preocupação com os pacientes e familiares. Discursa sobre o imediatismo como fator decisivo numa cirurgia de transplante, algo que em alguns casos desestabiliza e ausenta a sua sensibilidade em virtude de resultados.
Na segunda parte da trama, que quase correu entrelaçada com a primeira, temos mais uma ótima participação do Dr. Sung Park. Ele é ainda mais cético e calculável. Até o vocabulário é escasso. Mas é menos arrogante que o Dr. Wilson. Ele não faz tudo sozinho, consultando o Dr. Hooten durante todo o episódio, o que cria o gancho para o desfecho emocional da paciente.
Em “Deus Ex Machina”, os pacientes não dissolveram os médicos em seus problemas e os mesmos não aliaram sua vida profissional com os seus dilemas pessoais. É uma série mais madura, mas concentrada em contar os bastidores das decisões médicas, expondo os conflitos por trás de um equívoco e os seus resultados. Há uma precisão no roteiro, com bons diálogos, que auxiliam constantemente os seus personagens. Os artifícios visuais ainda atrapalham na imersão, mas nada que comprometa o apelo realista dos seus idealizadores, pois como o vídeo promocional afirma precocemente, essa é a melhor série médica desde Grey’s Anatomy.


















