
Somos todos impulsionados a agir apenas pela fé ou pela ciência?
Spoilers Abaixo:
O Dr. Villanueva, em determinado momento, decide por trilhar o caminho racional, mesmo atestando valores que se assemelham aos valores da sua paciente. De acordo com os moldes religiosos inseridos no nosso cotidiano a há uma conduta que rege o convívio humano e estabelece regras para a manutenção dessa relação. E inseridos neste contexto, abolimos a ideologia pertinente ou nos voltamos à fé que rege misteriosamente os atos divinos?
Uma questão bem abordada resgata um argumento lá do segundo episódio. Sobre questões misteriosas nos desdobramentos da medicina. Nem sempre há um método específico. Entre as engrenagens humanas sempre haverá a necessidade de entendimento, mas raramente terá um resultado satisfatório, pois de vez em quando alguém recorrerá a uma condição mais primitiva. Para a paciente do Dr. Villanueva foi a fé, na condição de ciência divina. Retira-se o Deus segurando um bisturi que acredita em resultados e empunha-se a imagem de um Deus que atende à crença.
Do outro lado da arquibancada está a Dra. Ridgeway. Tentando equilibrar a vida conjugal com o seu ambiente profissional. Vendo a cumplicidade com o Dr. Wilson ganhar os holofotes erguidos pelo Dr. Hooten. Sua relação está desvendada diante dos colegas, perante o marido ela confessa a infidelidade. Mas ela é uma cirurgiã e afinal de contas o casamento já tinha acabado. Esse último argumento atinge o Dr. Wilson. Não só revela nuances da sua prepotência, como do seu já famigerado ego.
O caso do garoto com TOC que ficou a cargo da Dra. Ridgeway teve um breve desenvolvimento. Só serviu mesmo para atenuar a relação entre os pacientes e os médicos, apesar de ter sido com leveza e pouca relevância. Espero que não se torne um vício.
Com o Dr. Villanueva foi mais desenvolvido, mas igualmente breve. Sua decisão foi ousada, colocando todo o hospital em risco de mais um processo, algo já recorrente na série. O embate foi interessante assim como os questionamentos criados a partir dele. Claro que isso não ficaria de fora na manhã de segunda. Dr. Hooten segue com o purgatório entre uma pausa e outra. Sempre assertivo e previsível, dificilmente será capaz de demitir algum personagem com cadeira cativa na arquibancada.
Um ponto importantíssimo tratado nesse episódio discursa sobre a vida pessoal dos médicos com enfoque na família do Dr. Park e na momentânea conversa entre a Dra. Ridgeway e o seu pai. Há alguns momentos em Forks Over Knives em que algumas linhas são traçadas e logo são levadas ao conhecimento dos personagens. Linhas que servem como barreiras. Para ambos trata-se de foco, mas apenas para um esse foco interfere no julgamento e na capacidade de atender as expectativas dentro do trabalho.
Desde o início a série estabeleceu uma particularidade. Conseguiu fugir do fantasioso e equilibrado hospital, entregou uma carga dramática crível e nos colocou em posição de juízes, julgando os atos dos médicos não pela condição meramente médica, mas pelo posicionamento humano de cada um. Com esse episódio a série parece abandonar isso. Espero que seja só impressão minha.












