Quando a Illumination lançou o primeiro filme da franquia, o combo do personagem odioso que ganha carisma ao se ver como um pai de primeira viagem foi um sucesso inimaginável que lançou o estúdio de animação ao topo e deu ao mundo, para o bem e para o mal, os “Minions”. Dois filmes depois muita coisa não mudou e tudo gira em torno da família. E Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3, 2017) apresenta inovações, mas padece do comodismo de uma formula que dá seus sinais de cansaço.
Gru (Steve Carell no original e Leandro Hassum na versão dublada) está comodamente no papel de pai. Casado com Lucy (Kristen Wiig/ Maria Clara Gueiros), ele cria as três filhas e trabalha para a Liga Anti-Vilões. Mas tudo dá errado quando um vilão, Balthazar Bratt (Trey Parker/ Evandro Mesquita), faz com que ele seja despedido da função, dando início a uma série de descobertas que incluem um irmão gêmeo a muito perdido chamado Dru (Carell e Hassum repetindo as vozes).
O visual colorido está lá, a trilha sonora composta por Pharrell Williams também. Muitas das gags visuais e do próprio humor do filme são direcionadas às crianças, mesmo que várias referências adultas sejam encontradas aqui e acolá durante a projeção (“Star Wars” e “Procurando Nemo” por exemplo). Mas aquele apelo imediato que o filme possuía começa a parecer um pouco distante. Os “Minions” tem toda uma trama de greve que leva a uma sequência que mais parece uma continuação do filme homônimo dos personagens e no final das contas não serve de nada que não seja parodiar a própria Universal; Dru, o irmão gêmeo é um personagem que pode fazer certo sucesso com as crianças, mas beira ao insuportável devido a dublagem (e aos trejeitos forçados repleto de indiretas e estereótipos).

O que há de mais interessante aqui é o antagonista. Bratt (pirralho, numa tradução literal), um ex ator infantil da década de 80, que ao começar a mostrar os primeiros sinais de puberdade tem o programa cancelado e acaba se tornando um vilão cheio de bordões é uma sacada das mais inteligentes do roteiro. Todo aquele clima kitsch (ou brega) da década se faz presente nas roupas e no visual do personagem e principalmente nas músicas que acompanham suas cenas, com clássicos como “Bad” de Michael Jackson, “Take My Breath Away” do Berlin, “Take on Me” do A-Ha e “Money For Nothing” do Dire Straits.
Há um subtexto sobre o papel da paternidade e como servimos de modelos para as novas gerações, mas nada muito aprofundado ao ponto de se tornar enfadonho para as crianças. Meu Malvado Favorito 3 é mais do mesmo, mas ainda continua um tanto quanto divertido. Apresenta pontas soltas e soluções para a longevidade da franquia, mas precisa se reinventar para não se apoiar sempre no apelo comercial dos personagens mais fofinhos (não estou falando dos unicórnios). Afinal de contas, até as crianças se cansam do mesmo padrão eventualmente.
* O Série Maníacos assistiu Meu Malvado Favorito 3 a convite da Universal Pictures Brasil
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