“…nosso único consolo: era apenas uma simulação…”
O quão óbvio é o fato de que havia o real risco de uma participante do experimento engravidar? Inexplicavelmente, todo o zelo e rigor científico que têm norteado o estudo não foi capaz de prever este fato. Em diversos momentos, eu me lamento muito de não ter acesso ao livro que inspirou a série [ele não está disponível em português] porque fico morrendo de curiosidade para saber se certos plots são verídicos ou ficcionais. O caso da gravidez é um destes momentos.
Além de servir para transportar Dr. Austin da impotência para uma fertilidade mais que pródiga (com a esposa, ele tá tem três crianças e agora, mais uma), o plot da gravidez da participante serviu para acirrar o confronto entre Bill e Virginia, em seguimento às tensões do final de Involuntary, quando Masters oferece pagamento à Virginia pela participação no experimento gravado em vídeo. Masters se escrotiza ainda mais perante nossos olhos, em uma defesa férrea da inviolabilidade do anonimato. Machismo a níveis altíssimos: “a garota teve azar, ela que se ferre aí”. Até podemos conjecturar a atitude de Masters ser motivada pela sua própria “rejeição” à gravidez de Libby. Neste caso, ele estaria projetando e sendo empático à situação do seu colega. Mas Virginia, decidida como ela só, também é empática com a participante (afinal, ela sabe a barra de criar filhos sozinha). Essa empatia somada à raiva de Masters a faz pôr o time em campo, tomando uma atitude que auxilia (ainda que em parte) os problemas da moça.
Mas a turma do hospital estava muito atenta com outras coisas. Com uma simulação de ataque nuclear, na verdade. São tempos de Guerra Fria, onde a possibilidade de Kruschev apertar um botão que varresse a América do mapa era real (ao menos, era fortemente imaginada enquanto tal). Assim, tendo Jane à frente, (quase) todos embarcaram de forma tão vívida na simulação, a ponto de toda a equipe no centro cirúrgico se agachar para se proteger “das bombas”, deixando a paciente anestesiada esperando!!! #surreal. A metáfora do temor da bomba atômica foi sutilmente trabalhada (de forma muito leve, é verdade), procurando evidenciar o quanto a iminência do fim do mundo pode levar pessoas a vencer seus medos e afirmar suas vontades.
BartonBixaMá não deixou barato para Haas a desistência de se casar com sua filha. Não moveu uma palha para que o jovem residente conseguisse uma vaga efetiva no Hospital, o que somado ao relatório de Masters escrachando o garoto, foi a pá de cal. Não bastassem os ciúmes de Virginia, Masters fica possesso de raiva por ter feito o tratamento de Libby. Conturbada é pouco para definir essa relação de Masters com a ideia da paternidade. Talvez fosse o caso do roteiro aprofundar mais sobre a relação de Masters com seu pai! #fikaadika.
Já na década de 1950, o gaydar da garota prostituta, com quem Margaret resolve tomar conselhos sobre sexo, apita, desvelando para a sra. Scully qual a verdadeira orientação sexual do marido. Realmente, se em férias ao Tahiti, Barton não foi capaz de reparar nos seios desnudos das nativas polinésias, como num quadro de Gauguin [fiquei até imaginando!!!], nem é preciso gaydar para identificar. Mal posso esperar pela reação de Margaret à notícia e o “acerto de contas” com o marido.
A coisa já esteve melhor para Bill Masters, cujos traumas e cuja personalidade inflexível e fria só lhe têm feito colocar os pés pelas mãos. Tanto com Libby, quanto com Virginia, Masters segue magoando e ferindo. Virginia, entretanto, solta tudo o que estava engasgado, em uma bela cena final [aliás, as cenas finais de Masters of Sex são show à parte!], culminando com seu pedido de demissão.
Este cliffhanger sofre de alguns problemas para poder cumprir sua função de deixar os pacientes apreensivos. É óbvio que mais dia, menos dia, sabemos que Bill e Virginia fazem as pazes. Porém, nem tudo está perdido. Este plot servirá para termos mais interação entre a Drª.Lillian e Virginia.
Minha avaliação geral é de que este foi um episódio bom, que acertou sobretudo nas atuações de Bill e Virginia em seus momentos de confronto, porém algumas críticas podem ser feitas, como uma verossimilhança questionável [ou forçação de barra do roteiro] nas cenas de histeria coletiva na simulação da bomba. Masters of Sex se encaminha para a reta final de sua ótima temporada de estreia, abrindo um racha entre Masters e Johnson. Veremos os efeitos de tudo isso! Até a próxima, pessoal!















