Será que episódios fillers são tão desnecessários quanto dizem? Marry Me provou essa semana que não é bem assim.

Às vezes, tudo que eu quero ao assistir a uma comédia é simplesmente dar umas risadas, não levar uma lição de moral dos personagens ao final do episódio para perceber o quanto eles evoluíram como pessoas ou blá-blá-blá. Mesmo que a trama de “F Me” não tenha avançado os personagens ou a história tanto assim, foi um episódio que cumpriu seu papel de divertir o público sem apelar e sem se perder, como aconteceu na semana passada.

Ao chegarem um pouco bêbados no prédio de seu apartamento, Annie e Jake encontram o cartaz de um art show (exposição de arte) que vai acontecer no prédio e, sendo o casal que são, transformam a expressão em fart show (exposição de peidos), sem ligar muito para as consequências. Elas aparecem quando Julie, a síndica do prédio, transforma a ação em um crime de ódio (é que o organizador da exposição tem síndrome do intestino irritável) e começa uma investigação para descobrir quem é o culpado.

A partir daí, a trama fica meio previsível: o casal se transforma em suspeito, consegue escapar da acusação e acaba confessando por se sentir mal já que outra pessoa levaria a culpa e poderia até ser expulsa do prédio.* Se a trama serviu para alguma coisa, foi para mostrar que a química entre Casey Wilson e Ken Marino continua incrível e que alguns guest stars, como Jessica St. Clair no papel de Julie, acrescentariam muito mais à série do que alguns personagens fixos de Marry Me, como os pais da Annie.

*Como se os roteiristas fossem mesmo arriscar mudando o casal de prédio ou colocando-os para morar com outras pessoas por um motivo tão bobo quanto o do episódio. Seria desnecessário, já que ainda há (potencialmente) muitos vizinhos para serem explorados nesse prédio.

O grande mérito de Marry Me essa semana foi conseguir que a história secundária se segurasse sem que estivesse ligada a um dos protagonistas, mostrando que seus coadjuvantes ainda têm muito a ser explorado. Como só há lugar para mais um plus one de convidado no casamento de Annie e Jake, os Kevins, responsáveis por cuidar destes detalhes, decidem que a melhor maneira de resolver o assunto é criando um game show ruim o suficiente para existir de verdade, como aponta Kay. Dennah e Gil serão os competidores, já que, inicialmente, Kay se mostra normal demais para entrar em mais uma história da série.

Dennah se envolve com seu instrutor de yoga tarado e Gil implora pela ajuda de sua ex-mulher, que, sabe-se lá o porquê, topa entrar no jogo com ele. Só que, dessa vez, finalmente ficamos sabendo mais sobre a vida de Kay: os amigos descobrem que ela está apaixonadíssima por uma garota com quem já sai há dois meses e ficam mais do que felizes em entregar o último plus one do casamento a Kay e sua nova namorada, a quem já estão todos animados para conhecer.

Estamos chegando na reta final – serão dezoito episódios na primeira e provavelmente única temporada – e Marry Me ainda tem que acertar a mão em alguns aspectos, principalmente em saber equilibrar as histórias de um mesmo episódio, mas “F Me” é a prova de que essa série ainda tem muito a nos oferecer.

Outros destaques:

– Concordo com o Jake, plot twist mesmo foi a Annie se sentir mal por outra pessoa que não a afetasse diretamente. Eu esperava que ele é quem fosse ceder.

– A caracterização em Marry Me sempre me mata de rir, o hipster chatinho (redundância?) foi demais!

– “It might be hard at first, but, Kay, it gets better”. “I don’t think straight people are allowed to say that”.

– “We don’t understand him, therefore we hate him”. “I’m sorry, but isn’t that the definition of hate crime?”.

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