O medo de projetar nos filhos as suas próprias falhas.

Os pais crescem com a presente incerteza de como será o comportamento de seus filhos. Será que terão personalidades completamente diferentes do resto da família? Será que serão de boa índole? Será que o material genético realmente consegue transmitir não apenas doenças mas também o jeito de ver o mundo e de se relacionar com ele? Pensando em todas essas variáveis, Russ e Lina se vêm praticamente obrigados a aceitarem um playdate entre suas filhas e uma colega. Os pais disfuncionais logo se encontram relutantes, para com o passar do episódio acabar vendo que o mundo lá fora não é tão ruim assim.

The Playdate é um episódio simples em sua construção e execução: faz com que a família protagonista entre em contato com outra. Lina, que até o momento carrega o título de depressiva da série, acaba fazendo uma amizade. É interessante ver como a personagem rejuvenesce quando posta em contato com algo inusitado, em situação singular. Lina se vê na necessidade de arriscar mais na vida, pois o comodismo é o responsável por sua tristeza. Se Russ passa o episódio impressionado com uma casa que serviu de locação para um clássico filme pornográfico, Lina é responsável pelos momentos mais importantes do episódio, que envolve a participação de Michaela Watkins (de Trophy Wife), que além de sempre trazer um ar de insanidade para seus papéis, também apresenta uma perspectiva diferente à série. Michaela Watkins traz outra energia para Married, e se por acaso se tornasse personagem recorrente (o que é difícil acontecer) faria muito bem.

Na outra ponta da corda, Jess e o marido vão ao resgate do melancólico AJ. Os dois têm momentos onde o texto procura ser mais profundo do que cômico, tentando mostrar como diferentes tipos de relacionamento afetam diferentes tipos de pessoas. O arco todo não funciona muito bem, pois tenta balancear drama e comédia, e no fim, ambos não brilham, apesar de que o marido de Jess sempre adiciona algo diferente às dinâmicas de Married. Sua paciência e complacência com a esposa são admiráveis e abrem espaço para o riso, ainda que sua aparência de homem sério não entregue que por dentro é um homem “macio”.

No meio da temporada, Married não evoluiu muito, nem desenvolveu seus personagens de forma brilhante. Mas a série possui momentos de clareza que representam muito bem os relacionamentos líquidos que vivemos hoje e a luta que travamos para que eles sejam no mínimo um pouco sólidos.

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