Para onde iremos? Ninguém sabe, mas vamos indo.
Foi o que eu senti vendo Eel. Não se enganem, eu adorei a sacada de fazerem um episódio focado num personagem secundário. Apesar de toda e cada célula do meu organismo detestar a Rosa, ainda foi esperto. Só é meio bobo quando você lembra de que ela tem um episódio e o Mike não. De qualquer modo, valeu pelo twist na estrutura da série, mas não me deu nenhum senso de segurança e ainda não acho que Man Seeking Woman teve um planejamento concreto nessa temporada.
Se a gente pensar nisso, o primeiro ano da série dá uma surra nesse segundo no que diz respeito à jornada do Josh. O objetivo era claro – superar Maggie – e foi alcançado no fim da temporada, dando aquele sentimento de que estava tudo fechadinho. E ficou tudo fechadinho. Esse ano? Eu, e provavelmente mais ninguém, não fazia ideia de como tudo iria acabar, mas fiquei torcendo para acabar decente o bastante pra poderem cancelar e ficar tudo bonitinho.
O penúltimo episódio, Eel, tratou o conflito de Rosa como a sua chave de ouro, por alguma razão. Não que não tenha sido bacana acompanhar a decadência da sua relação sem futuro com o Mike, mas isto teria tido algum impacto se nós realmente gostássemos da Rosa. O estranho é que apesar de tantos obstáculos, o episódio conseguiu trazer várias piadas que funcionaram com a Rosa Salazar – é sério, o nome da atriz é Rosa mesmo -. A abertura no consultório e o treinamento com o aspirante a Pai Mei, por exemplo, foram piadas excepcionais que só funcionaram porque ela estava ali e não o Josh. Porque era alguém novo, a coisa pareceu mais absurda ainda.
Teve mais um monte de coisas engraçadas em Eel. Voltaram a jogar com o orçamento limitado e os efeitos ruins e trouxeram uma cena do Mike voando que foi mais bizarra do que a do sapateado do Josh uns episódios atrás. A Carrie-Anne Moss quase que reprisou o seu papel em Jessica Jones e interpretou a ‘Fixer’, que veio ajudar Rosa a terminar com o Mike de uma forma limpa. Quando Rosa desaparece, a situação é transformada numa referência automática à Garota Exemplar, até pelas imagens das buscas nos noticiários.
Pelo repertório de piadas, Eel foi ótimo. Como um penúltimo episódio, eu não entendi o porquê de o episódio existir. É meio estranho, porque se tivessem só mudado tudo para a perspectiva do Mike, ele já pareceria ter um propósito.
O season finale melhora bastante. Mike embarca numa viagem num balão de ar quente para transar com todas as mulheres do mundo. Em outras palavras, lidando com o término da maneira mais Mike possível. Como não deve soar como surpreendente, é tudo uma fachada e ele ainda está apaixonado pela Rosa, o que traz o conflito do episódio.
Enquanto Josh diz à irmã que ela está sendo maluca e que a Rosa não está interessada nele, um sujeito peculiar ouve a conversa. Esse sujeito é o Spider, um fanático por conspirações de primeiro grau, que esteve observando Josh e Rosa por algum tempo e quer provar que ela quer algo com ele. Spider foi um personagem aceitável. Ele teria sido mais divertido se o ator fosse mais competente. Não sei porquê, mas fiquei com a impressão de que o cara estava se anestesiando antes de todos os takes. Teria ficado mais legal se arranjassem alguém meio cabisbaixo e fossem por aquele ângulo do paranoico introvertido cheio de cafeína. E ele pareceu meio inútil, porque no fim do episódio passado o Josh pareceu entender a situação instantaneamente. Já tivemos alguns malucos da semana bem mais legais – o próprio Tiresias -, mas o Spider é aceitável por não ter prejudicado o episódio.
Mas vamos falar de coisa boa mesmo? Que fantástica que foi aquela sequência dos robôs gigantes. Ultra Josh x Ultra Mike. Esse foi um dos primeiros episódios que não me fez abrir um sorrisão na intro, porque eu estava tão confuso, mas quando os megazords apareceram a série me roubou esse sorriso. Uma piada numa escala tão grande e não há nenhuma luta, são apenas os dois conversando e gesticulando de forma banal. Ver um robô gigante fazendo aspas sarcasticamente… isso é que é Man Seeking Woman!
A sequência final foi perfeita. Josh, Mike, Liz e Tiresias no sofá, bombardeando a gente com piadas sobre a presença do profeta, que aparentemente esteve com eles durante o ano todo. Mas a coisa fica legal mesmo quando ele pede ajuda pra escrever uma SMS para uma mulher com quem está saindo e o Josh é quem dá o conselho, fazendo uma alusão bem óbvia, por exemplo, ao episódio lá na primeira temporada em que Josh precisa ajuda de militares para escrever uma mensagem para uma garota que conheceu no trem. Foi bem fechadinho. Se a série não tivesse enfiado a cara contemplativa do Josh no fim pra deixar mais mastigado, teria ficado ainda melhor, mas não tem porquê ficar chateado com algo tão pequeno.
Agora é só torcer para que a série não seja renovada. Se esse for o final definitivo, o saldo é bem positivo. A Rosa não ficou em tela por tanto tempo e o tema acabou por ser bem significante, já que a amizade de Mike e Josh tinha esse problema desde o piloto – e foi bem interessante só trazerem isso para discussão agora -. Adorei essa segunda temporada, independentemente do número de coisas que estavam tentando arrastá-la, e também gostei bastante de escrever sobre Man Seeking Woman aqui, mesmo que para uma audiência tão pequena.
E cara, como alguém que disse que essa série morreria se algum dia tocasse nesse ponto, que orgulho de Man Seeking Woman por nunca ter mexido com a carta do ‘é tudo uma alucinação/analogia’! Que orgulho!






















