Que temporada!
O Josh dessa abertura é o Josh que me anima: patético, mas não um completo perdedor. Aquele sujeito que te dá vergonha, mas não o bastante para te fazer encolher no canto do quarto. Uma conferência TED sobre masturbação… genial. Esse episódio trouxe uma quantidade absurda de gags e todas elas foram incríveis.
Olha, não importa quantas vezes essa série me desaponte, os momentos em que ela me faz gritar ‘genial!’ no meu quarto sempre serão as partes mais memoráveis da minha experiência com ela. E que genial foi essa analogia que fizeram para a calvície: a morte vem buscar o cabelo do Josh… aos poucos. Que conceito bacana. Tão bobo e que diz tanto sobre Josh e os ‘conflitos’ dos homens num geral.
Outra coisa que adorei nesse início do episódio foi a substância dos arcos que essas piadas trazem para o Josh. O que quero dizer é que ainda estávamos numa história sobre a busca de Josh por uma mulher, mas estávamos concentrados nele. O texto trabalhou a partir de um detalhe tão pequeno e idiota quanto a suposta calvície de Josh para trazer um novo ângulo para a sua jornada. A proposta foi respeitada, mas tivemos uma perspectiva fresca. É só isso que eu peço. Josh conhecendo uma garota estranha semana após semana é cansativo demais. Está bem, a série seguiu essa mesma linha ainda nesse episódio, mas pelo menos a pretendente de Josh foi tão excêntrica que pareceu algo estranho até para Man Seeking Woman.
Todo mundo sabe que homens adoram carros. Ou a maioria deles, pelo menos. Eu sou um daqueles que não vê a menor graça nessas (usando as palavras de Jax Teller) gaiolas em quatro rodas. Úteis, claro, mas nunca tive uma ereção vendo um carro. Só que Man Seeking Woman leva a obsessão de homens com automóveis a outro nível: Josh faz sexo com um carro à luz de velas. Para quem rejeitou uma troll até que bem vestida no piloto da série, Josh se contenta com pouco.
Querem uma prova do quão excepcional está essa segunda temporada? Conseguiram me fazer simpatizar e sentir pelo Josh. Quando ele se descreve como um estagiário calvo de 28 anos, eu senti… pena. Num bom sentido. E a série não teve de se esticar além da sua personalidade para me provocar esse sentimento, eles conseguiram gerar ele dentro de uma piada. Ah, e da próxima vez que você estiver convencido de que a sua vida é uma porcaria, lembre-se: Josh foi traído por um carro!
A gag do Josh como bad cop no final foi tão súbita que só a transição já foi hilária. Os diálogos e paródias dos clichês do gênero ficaram especialmente legais. Principalmente o parceiro negro dizendo que está velho demais para essa vida. Mas só para não perder o costume: essa série funcionaria muito melhor na Netflix, onde seria estruturada para o binge-watching. Ela seria tão mais bacana se Josh realmente evoluísse. No fim do dia, nenhum episódio de Man Seeking Woman faz a menor diferença para o todo da série. Se você ver um episódio aleatório da primeira temporada e depois este, você não conseguir dizer se algo mudou.
Mas vamos falar do que interessa: o episódio da Liz! Que bela surpresa. Eu acreditava que teríamos um novo episódio protagonizado pela irmã de Josh, mas não tão cedo. Ainda bem que eu estava errado. Poxa, como essa mulher é legal. A Britt Lower é uma gracinha e mais uma vez fez a gente ficar imaginando o que seria se o título dessa comédia fosse ‘Woman Seeking Man’.
O episódio da Liz na temporada passada foi algo parecido com o episódio da Princess Caroline no primeiro ano de BoJack Horseman: a personagem feminina secundária que é sempre bacana quando aparece ganha um episódio próprio e ele acaba sendo o melhor da temporada. Está bem, Tinsel não é tão fantástico ou catártico quanto Say Anything, mas ainda tem algo que quase nenhum dos tantos episódios protagonizados por Josh têm: significado. Simplesmente existe algo em torno de Liz que faz com que eu veja algo nas suas aventuras em busca do amor além de boas piadas. E os seus dois interesses na série até agora foram um robô e o Papai Noel!
Sério, vamos pegar o que aconteceu com a Liz nesse episódio e pensar sobre isso. Ela se recusa a se envolver com um novato no escritório e em momento algum age como se estivesse desesperada por um homem na sua vida (o que é estranho de ver na televisão, né?). Até que ela conhece um sujeito famoso e bem-sucedido e se interessa por ele. Não pela sua fama ou pelo seu dinheiro, mas pelo seu charme, que ela nunca encontra em outros homens. Ela sabe que ele está comprometido, mas não consegue resistir. Ela não consegue pensar como a pragmática e racional que sempre é e sucumbe ao desejo. Ao longo do episódio, ela vai percebendo que a coisa pode não ser real como ela acha que é, mas ela mente para si mesma e faz de tudo para transformar o seu affair num romance, até finalmente aprender que aquele não era o cara para ela.
É uma história com várias fases. Liz vai tentando andar, mas tropeça aqui e ali. Só no final ela consegue caminhar. Eles trouxeram a clássica história do adultério a partir do ponto de vista da amante e nos fizeram simpatizar com ela e entender o que ela fez. A maior parte dos episódios do Josh se resumem a ‘eu quero uma namorada, eu não faço sexo, ninguém me ama’. Aqui, a amante entende que merece algo melhor e ao mesmo tempo, que talvez não deva achar que merece tanto, afinal ela negou o novato só porque sim, enquanto a esposa do cara que traiu o aceita de volta porque já não consegue viver sem ele. É um tema tão legal de se trabalhar e o episódio em momento algum reduz no humor para tratar dele. Está tudo lá. O episódio ainda consegue ser bem engraçado, no meio disso tudo. Até os momentos mais cringe-worthy, como toda a sequência da troca de mensagens entre Liz e o Papai Noel, são divertidos.
Adorei os dois episódios. Essa temporada já superou a primeira e nem teve de se esforçar muito. Lembram do quão chata era a Maggie? Melhor coisa que aquela garota fez foi namorar Hitler. Ainda temos vários episódios pela frente e temos é de continuar esperando que todos eles entreguem tantas baboseiras quanto esses e que, com alguma sorte, possam ser tão inspirados quanto Tinsel. E mais Liz, pelo amor de Deus!






















