O melhor episódio até aqui.
Semana passada, A Produção foi uma junção de decisões equivocadas que fizeram com que seu andamento fosse totalmente travado, como se algo puxasse seu desenvolvimento.
O Elenco conseguiu ser a antítese de tudo que vimos no episódio anterior. Pudemos ter a sensação de que os roteiristas finalmente encontraram o ponto de Magnífica, encaixando perfeitamente as storylines com o modo de ambientação da década de 1970 e das críticas à sociedade brasileira (da época e atual). Afinal, a liberação do filme de Inácio através da inclusão de uma frase que fala sobre a “família cristã”, enquanto Isabel descobria a verdade sobre os sentimentos que seu marido alimenta por Ângela deu aquele toque especial ao episódio. Aliás, quantos veem essa descoberta como o pont0 de virada na storyline de Isabel?
Na review do episódio passado mencionei como o foco em Manolo parecia ser extremamente prejudicial ao andamento de Magnífica, além do fato de os flashbacks se mostrarem inúteis e cansativos. E foi como se tivessem ouvido os nossos apelos…
Não só o fato de termos flashbacks sobre Dora, mas como eles foram melhor usados e diluídos no decorrer do episódio. Além disso, eles pareceram completamente adequados e pertinentes para a narrativa, trazendo uma personagem nova (Helena), que representa uma ameaça à carreira de Dora – com direito a uma interessante tensão sexual e um subtexto que pode ser utilizado nesse relacionamento. Ganhamos também explicações sobre a outra profissão da garota, além de uma abertura da estranha relação que ela possui com o irmão Dario e do entendimento de como ela chegou à Magnífica.
Isabel também ganhou seu quinhão nesse episódio. A pressão de não conseguir engravidar e as desconfianças em relação a Vicente levaram a moça a um turbilhão de emoções, que acabaram por conduzi-la a descobrir o roteiro do marido, cruelmente baseado em sua própria vida. Curiosa para saber as implicações de tal descoberta.
Entre os malabarismos da pré-produção de Minha Cunhada é de Morte, vemos uma crítica à objetificação feminina e superficialidade das produções de pornochanchada da década de 1970. A valorização de quesitos visuais ou práticos diante de outras questões como qualidade de atuação foram pontuadas e usadas como contraponto para a visão artística que Vicente está desenvolvendo (ou que já tinha, mas está apenas ganhando aprimoramento técnico).
Finalmente nos vimos diante de um episódio digno de Magnífica 70, que acertou em vários pontos, entrelaçando as tramas, utilizando bem os flashbacks e colocando o foco correto em seus personagens. A expectativa só cresce.
Relatório final:
– Entre as referências de apreciação cinematográfica para Vicente, tivemos menção a O último tango em Paris (1972), clássico de Bertolucci que causou muito furor na ocasião de seu lançamento (como retratado pontualmente pela série);
– Dario se disfarçou de repórter da Revista Cruzeiro, a primeira revista ilustrada brasileira, que circulou entre 1928 e 1975;
– Wilhelm Reich foi mencionado na cena da terapia de Isabel. Reich foi um discípulo de Freud (e, como todo discípulo de Freud, teve suas dissidências teóricas com o mestre), e propôs a gênese da neurose, entre outras opiniões e estudos radicais da sexualidade humana (que, pela fala, não vem de encontro com a ideia que a família brasileira tem sobre sexualidade);
– Comunidades hippies e que pregavam o amor livre eram comuns no Brasil, mesmo em plena ditadura Militar;
– Tivemos o retorno de Flint e da disputa de território entre ele e Manolo;














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