Um minuto de silêncio em nome de uma das melhores personagens da temporada.

Spoilers abaixo!

“She was born in 1898 in a barn. She died on the 37th floor of a skyscraper. She’s an astronaut.” – Bert Cooper

Não sei se é o fim dela afetando o meu julgamento de maneira retroativa, mas, de certo modo, Miss Blankenship foi essencial para a temporada e o que ela representa para a série como um todo. Mad Men muitas vezes deixa significados subentendidos e nessa parte crucial da vida de Don, aparece alguém que pega tudo isso, todos esses momentos, e não fecha a boca, mostrando o quanto ele precisa ouvir e entender tudo aquilo que não quer. E claro, só uma secretária racista e irritante à beira da senilidade poderia preencher esse papel. Miss Blakenship, sua falta será sentida.

Movendo para assuntos mais sérios (e você sabe que uma série é boa quando pode ter uma morte e não fazer dela o momento de maior impacto narrativo), essa foi a hora das mulheres da Sterling Cooper Draper Pryce.  Cada uma delas tentando lidar com os novos status de seus mundo e chegando a realização de que não há saída a não ser seguir em frente – tema do episódio anterior que persiste aqui e lentamente se torna um dos mais marcantes da temporada. Joan se sente solitária mesmo longe de um marido abusivo e acaba indo pros braços de Roger depois do que no seu mundinho seguro é uma situação de vida ou morte, Peggy leva outra batalha de direitos civis para o lado pessoal sem perceber que tem um papel quase inexistente em qualquer sistema que possa mudar isso, e Faye se ajusta a um relacionamento que se prova cada vez mais conturbado, com todas essas histórias se intercalando de uma maneira fantástica no decorrer do episódio pois mostram três mulheres maravilhosas sendo empurradas em situações que fogem de seus controles e mesmo assim, conseguem superá-las. Faye confronta Don e ajuda o relacionamento a crescer, Peggy soube a hora de abandonar a cruzada que o irritante amigo de Joyce havia colocado em sua mente e Joan? Simplesmente entende a situação e passa por cima dela.

É incrível como Mad Men poderia ser uma série de mente fechada, focada naqueles homens tanto quanto eles estão focados em si mesmos. Mas não, ela nós dá grandes personagens femininas que correspondem à época, enriquecendo as histórias de tal maneira que já cansei de contar as vezes em que elas são os destaques dos episódios, e em “The Beautiful Girls” isso fica tão evidente e indiscutível que consegue ofuscar a brilhante maneira como Weiner lida com a transição que Don está passando, de solteiro desenfreado para namorado conformado. A pergunta chave da série talvez seja “será Don Draper capaz de ser feliz?”, e é difícil elaborar uma resposta concreta. Ele aparenta ser feliz em muitas passagens desse episódio, mas é sempre arrastado de volta a infelicidade por lembranças do seu passado como Betty e em outras ocasiões nas temporadas passadas, pelo Dick Whitman. Talvez essa seja uma daquelas questões que nunca vai ser completamente explicada (O que é a ilha? Qual a natureza da Starbuck?) por ser maior que a série e desnecessária para o acompanhamento e aproveitamento da mesma e da parte realmente importante, a jornada dele tentando, mesmo sem saber, achar uma resposta.

Outras observações:

– Bom ver Harry soltando uma frase tão caseira e hilária (“My mother made that!”) depois de anos tentando impressionar os seus colegas de trabalho com suas supostas conexões em Hollywood.

– Interessante notar que a morte de Ida quebrou um pouco Don, fazendo ele baixar o tom e evitar que a discussão entre ele e Faye fosse o fim de um relacionamento que faz tão bem pra ele. Uma pena que foi necessária a morte dela para o homem finalmente ouvir a mensagem.

– Kiernan Shipka já havia feito por merecer a sua promoção para o elenco regular da série no episódio “The Arrangements” da terceira temporada, e esse só prova o ponto que o agente dela deve ter feito para isso. Seja interpretando comédia (ri alto com a expressão facial dela quando Peggy entrou no escritório) ou drama (a queda no corredor e súplicas para morar com o pai foram de partir o coração), ela consegue ser a melhor atriz mirim do momento e tornar crível cada “Pobre Sally!” que o roteiro busca tirar do espectador.

– No começo da temporada, Lane fez um grande alarde pela falta de clientes e dependência na Lucky Strike comandada por um instável Lee Garner.  Agora, enquanto o ano de 1965 avança, a situação parece estar melhor com vários clientes subindo a bordo e sendo focos discretos de vários episódios. A questão é que tal perrengue apresentado em “Public Relations” ainda não teve uma resolução, o que me leva a acreditar que as coisas podem não terminar tão bem para a amada companhia nessa reta final. O que vocês acham?

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