
Embora não tenha sido uma grande temporada, é péssimo dizer que semana que vem já é o Season Finale de Luther.
Spoilers Abaixo:
Em seu nono episódio, a série conseguiu provar o que já havia sendo dito desde a season premiere desta temporada: está faltando algo. Não que ela esteja ruim, mas não basta ser boa quando a que a antecedeu deu um espetáculo em todos os seus seis episódios.
Depois de resolver o caso do assassino baseado em Spring Heeled Jack semana passada, um novo maluco apareceu nas ruas de Londres. Dessa vez, o assassino toma suas decisões aleatoriamente, baseadas somente no resultado do lançamento de dados. Essa atitude diferente do serial killer pode ser vista tanto por um lado positivo quanto pelo lado negativo, tudo depende de como o caso será resolvido na semana que vem. Pelo lado positivo, a imprevisibilidade do resultado do dado proporciona ao assassino a chance de fazer loucuras ainda maiores do que as que seu irmão gêmeo cometeu nesse episódio, sem que a polícia tenha a mínima ideia de quando e onde acontecerá, e, como nós sabemos, quando o Neil Cross escreve seus roteiros com inspiração, insanidade é o que não falta em um episódio da série. Lembrando que o próximo episódio é o Season Finale, temos mais que nos preparar para fortes emoções. Pelo lado negativo, como o próprio Luther disse em seu diálogo com o Schenck, todo o caso pode ser facilmente decidido por um simples lance de sorte para a polícia e azar para o Dice Killer. E, convenhamos, Luther não pode seguir o exemplo da última temporada de Dexter em seu último episódio, porque já vimos que a série é muito coerente e se basear na sorte não é do seu feitio. É também algo que eu não gostaria de ver semana que vem.
Não sei muita coisa sobre a vida e o trabalho do criador da série, mas acho que já posso dizer que Neil Cross cresceu em um bairro muito ruim mesmo ou o cara simplesmente tem muita imaginação. Um dos maiores diferenciais de Luther para outras séries policiais, talvez o maior deles, é apresentar bandidos que realmente dão calafrios com suas ações, tudo isso graças a todo o perfil psicológico, que é bem traçado por Neil, e o cuidado com que ele mostra as facetas dos mesmos. Pode-se notar isso inclusive na atenção dada até ao pequeno movimento das mãos do assassino durante o interrogatório. Não se tratava apenas de mostrar seu suposto nervosismo. Também é importante destacar o trabalho do atores que interpretam esses criminosos, que aparentemente são escolhidos a dedo, como o ator que interpretou muito bem o silencioso, calmo, reflexivo e psicopata Dice Killer. Em todas as cenas que o assassino sai para praticar seu “hobby”, podemos ver que todos os elementos tentam passar o terror e a confusão das pessoas envolvidas na situação ao máximo para o espectador. Acredito que a série deu mais sustos no seu público em nove episódios do que mais do que 90% dos filmes de “terror” lançados nos últimos anos. Ela faz isso de forma simples, deixando apenas o som dos passos do assassino andando lentamente em direção as próximas vitimas, sem quase nenhum outro efeito sonoro, causando um efeito claustrofóbico que se quebra quando as pessoas gritam desesperadamente ao observarem que seu colega de trabalho acaba de ter sido martelado até a morte. Esses pequenos detalhes fazem com que Luther consiga nos envolver na tragédia que atinge as pessoas. Uma fantástica técnica de suspense, confusão e horror que só alcança seu objetivo graças a uma direção espetacular, a melhor dessa segunda temporada, sem dúvida alguma e que provavelmente só fica atrás das de alguns episódios de Game of Thrones se olhar o ano até aqui.
O detetive Luther nesse episódio foi um pouco jogado de lado, não que toda a trama principal não tenha avançado, mas na realidade o foco todo do episódio foi nas ações do Dice Killer. O que me incomoda é que o sistema de dois episódios por caso não funcionará tão bem agora como nos dois primeiros episódios. Toda essa história dos pornógrafos e da família da Jenny poderia ser perfeitamente trabalhada durante o próximo episódio completo, mas terá que dar espaço também para a resolução do “caso da semana”. Por outro lado, o que eu mais gosto do plot principal é a ideia que Luther poderia associar todas as características de seu protagonista com a trama, podendo dedicar um episódio inteiro para ele. Luther sempre foi diferente dos outros policiais por causa do seu jeito de ser e não gostaria de ver seus companheiros ficando como a outra parte de sua balança moral impedindo-o de ser o maluco que conhecemos. Ele está entre a cruz e a espada e seria melhor que nada o parasse quando ele se cansar desse dilema e explodir de uma vez só. Fiquei feliz que ele não fez nada quando ameaçado pelo Toby, que é uma pessoa bastante peculiar. Uma “pena” que ele tenha sido morto. Quero ver como tudo isso se desdobrará em meio a tempestade que cairá no Season Finale.
Entretanto, parte de tudo isso não acontecerá, o que não chega a me incomodar tanto. Tudo que disse anteriormente é mais um capricho meu que gostaria que acontecesse no último episódio. Mas o porquê disso não acontecer é o que realmente me incomoda: a detetive Erin. A série sempre envolveu bem seus personagens secundários, mesmo não oferecendo a eles suas próprias tramas, como é o caso do seu protagonista. Mas Erin não é igual a Jenny, o Justin, o Schenck e o Ian. Toda a sua necessidade de aprovação realmente faz dela o ponto fraco da temporada. Por exemplo, o tempo que poderia ser dado para os diálogos entre a Alice e o Luther exibindo duas diferentes vertentes da mente humana diante da situação complicada vivida pelo policial, acaba sendo oferecido para que ela fique tentando conseguir a aprovação do chefe, atrapalhando também o desenvolvimento de outro ótimo personagem, o detetive Justin, que poderia ser melhor aproveitado caso lhe fosse dado tempo para continuar desenvolvendo sua relação de amizade com Luther criada na temporada passada. Infelizmente, o personagem acaba “perdendo” seu tempo aconselhando a detetive, que já vimos que terá um papel muito importante semana que vem. Pelo menos eu espero. Quem sabe ela não morre. Ficaria muito feliz com isso.
Muitos podem discordar, mas eu considerei as cenas da Jenny com o Luther algo realmente belo de se ver, a cena do café da manhã foi uma das melhores do episódio e agora quero ver o que acontecerá após o que se passou ao fim do episódio, a atriz que interpreta a garota realmente sabe o que faz. Só entre nós, pensei que a garota ia ser uma chatice. Ainda bem que estava errado.
Embora ela seja algo positivo nessa temporada, é incrível a falta que a Alice faz na série. Suas cenas com o Luther sempre foram o ponto alto da série e ela com certeza é aquele algo a mais que gostaríamos de ver nessa temporada. Vamos rezar para que ela apareça semana que vem. Alice, queremos ver você de novo urgentemente.
Tendo dois cliffhangers para o último episódio, não se vê neles a possibilidade que possa fazer com que essa Season Finale seja melhor que o da temporada passada. Agora que o estranhíssimo Toby (desculpe se não acertei o nome) foi morto pela Jenny, veremos o lado paterno de nosso protagonista tendo que fugir dos pornógrafos e ainda tendo que cuidar do outro Dice Killer. Levante a mão aí quem não ficou de queixo caído no fim do episódio. Sim, eu fiquei. Tomara que todo esse inferno se libere no próximo episódio. Estarei aqui esperando ser surpreendido como só essa série é capaz de fazer.
Até a semana que vem.
PS: Outro personagem que poderia estar sendo mais bem utilizado é o Schenck, aparece pouco, mas consegue ser bem melhor que a Erin.















