A “estranha” relação de Chloe e Lucifer.

Dois episódios que ilustram muito bem o que a segunda temporada vem realizando até agora. “Monster” teve na sua cerne o foco mais humano no protagonista, enquanto que “My Little Monkey” destrinchou ainda mais o relacionamento de Chloe e Lucifer. Num primeiro momento a narrativa preferiu explorar como ficou a saúde mental de Lucifer após a morte de Uriel e no episódio seguinte tivemos a reaproximação de Chloe só que desenvolvendo a storyline dela por um viés bem paralelo ao plot principal. O que me surpreende, já que eu imaginava que Chloe seria um grande mistério na série, com um background bem mais “divino” e menos “ordinário”. Talvez ela continue sendo esse mistério todo e o passado dela seja apenas um pequeno detalhe para a humanizar um pouco. Quem sabe?

Monster

“Monster” foi um episódio que poderia ter trazido um pouco mais de diversão (por conta do Halloween) mas acabou sendo bem pesado e denso. Apesar da introdução com um casamento zumbi e os homicídios bem trash, o foco acabou sendo a mentalidade do nosso anjo-caído favorito e depois na recuperação da dinâmica Chloe/Lucifer dentro das investigações. Foi um belo ponto de partida (ou repartida) para dar combustível ao que a série pode fazer daqui pra frente: o casal principal (sim eu shippo) está cada vez mais carregados emocionalmente, Amenadiel finalmente “caiu” e se revelou contra Deus e sua impunidade e a Dra. Linda teve o prazer/desprazer de conhecer a verdadeira face de Lucifer. Quem diria que ela – que chegou de uma forma totalmente aleatória e isoladamente – teria esse destaque dramático numa das cenas mais sinistras até então?

Aliás, a cena em que aparece o rosto de Lucifer foi tão impactante pra mim que tive que pausar um pouco, respirar e lembrar que não devo julgar nada pela aparência. O rosto dele pode ser assustador e intimidante, mas é isso que faz de Lucifer (a série) ser tão curiosa. Ao mesmo tempo que nos acostumamos com o Diabo e suas “facetas”, esquecemos de forma muito rápida de quem ele realmente é.

My Little Monkey

Diferente de “Lady Parts”, o episódio seguinte foi o que mais colocou Chloe na linha de frente. “My Little Monkey” é em comparação com os demais episódios, o que trouxe o caso investigativo mais denso e carregado de drama que a série nos apresentou. Assim como Lucifer, Chloe também possui um passado turbulento que envolveu seu pai e a saída do possível assassino foi um ótimo alicerce para colocar os holofotes dentro dessa personagem tão curiosa. O roteiro evidenciou em vários momentos a questão de você proteger automaticamente que ama. E foi bem interessante ver que nesse sentido a dupla Chloe/Lucifer está calibrada ao extremo.

O público já estava acostumado pela frieza de Chloe e principalmente do motivo dela ter ingressado na profissão. Mas só agora que todo background conseguiu intensificar a personalidade dela (por mais que a atriz não consiga ser 100% ótima).

mazeversdralinda
Maze / Dra Linda – Lucifer

Outra carga emocional que o episódio nos presenteou foi sobre a relação Maze/Dra Linda. A reação dela pós-revelação-do-rosto-de-Lucifer foi esmagadora e super condizente com o que a personagem teria. Parte disso geralmente vem do impacto que esse novo conhecimento deve gerar na vida dela e principalmente por razão de que todo o esquema analítico da doutora era recheado de metáforas mas que de certa forma se encaixavam. As duas roubaram o show para elas mesmo com pouco tempo de tela. Na minha visão isso só enriquece o show. Ver pessoas comuns interagindo “normalmente” com seres divinos/mitológicos  e com pleno conhecimento de quem eles são é a cor que faltava para deixar a narrativa mais vida e natural. Vai ser interessante acompanhar se continuar seguindo nesse ritmo.

Agora longe desse drama, “My Little Monkey” trouxe um detalhe curioso: Lucifer finalmente reconheceu os dotes de Kevin Alejandro (ator que está fazendo um ótimo trabalho de equilíbrio entre humor e drama). Apesar de vestir a camisa Detective Douch e ‘Danizar’ por aí, sinto que erraram a mão ao tentar humanizar demais o Dan por um caminho que poderia ter sido mais leve e menos clichê. Ficou parecendo um desenho animado infantil que você já sabe que no final todo mundo vai se dar bem e se entender. Foi simples demais. Pelo menos valeu para termos uma cena dos dois semi-nus numa sauna…

Longe das distrações, a série vem caminhando notavelmente como algo consistente. Lucifer parece ter encontrado o catalisador de emoções necessários para aguentar mais episódios e quem sabe a possível renovação. O tom humorístico está alinhado, os plots começaram a ganhar mais corpo e parece que finalmente teremos mais histórias envolvendo a mãe de Lucifer (que até agora só serviu para revelar Amenadiel e desfilar entre os sets).

Que tenhamos mais conflitos em Lucifer daqui pra frente. Conflitos familiares se possível.

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