Existe vida pós-amor.
Ou pelo menos é o que o casal de protagonistas escolhe acreditar. Com uma temporada de picos inteligentes e momentos estúpidos/desnecessários, Love chegou ao seu fim impressionando por fazer humor com os piores defeitos do ser-humano. Assim como na premiere a Season Finale separou os protagonistas durante boa parte do tempo para reuni-los numa espécie de “reparação de danos”. E (como no início) os dois estão sendo empurrados em direção à situações de angústia e melancolia. Gus saboreia os últimos minutos como roteirista, é despedido por justa causa e termina o “relacionamento” com Heidi, enquanto que Mickey sai em procura do seu gato desaparecido como desculpa para ocupar a cabeça e fugir do trauma criado por Gus. A série finalmente encontrou seu eixo e precisou de uma cena meramente dramática para entender que a proposta final é acompanhar a viagem e não rir dos protagonistas, mas rir junto com ele. O legal disso tudo é que o roteiro deixa bem claro que o objetivo é bem mais complexto do que ficar no canto analisando quando será a próxima cena engraçada. E isso não é reflexo exclusivo dos protagonistas, até mesmo Bertie ganhou momentos importantes nesta jornada e cresceu pessoalmente ao conhecer Mickey e compreender sua personalidade. Judd Apatow acertou dessa vez ao pontuar uma narrativa com pequenas doses de realidade e irreverência, mostrando que não existe certo ou errado quando falamos de Amor, afinal somos todos pessoas encontrando razão entre nossas qualidades e defeitos, aprimorando pouco a pouco e aprendendo com as reações dos outros. E no final cabe a nós compreender esta limitação e abraçar quem mais precisa de ajuda.
É claro que esse progresso só foi possível depois de Gus e Mickey enfrentaram os mais diversos sentimentos. Eles cresceram aos poucos, mas acredito que nem perceberam até o último segundo do show. Aquele Gus do início que exclamava “Eu te amo” umas 50 vezes agora tem a audácia de dizer na cara de todos os colegas o quanto odeia o seu trabalho e gritar um belo “FODA-SE!” sem se importar se vai agradar ou não. A Mickey estúpida e insensível resolveu colocar a cara no sol e expor todos seus medos, mesmo que isso tenha custado sua reputação perante o próximo. Foi uma guerra que – apesar das batalhas – prevaleceu a confiança mútua, por mais que metade do caminho tenha sido a compreensão de que ambos estavam (de certo modo) errados e imaturos.
Outro detalhe interessante foi o plot envolvendo o projeto-disney Arya. A personagem, que foi brilhantemente executada durante toda a temporada, encerrou sua participação numa espécie de salvadora que compreendia Gus na sua totalidade, especialmente quando declamou “Isso é culpa sua! Você fez dele um escritor, por que fez isso? Ele simplesmente não entende a qualidade do show!” Quem sabe Gus comece a entender que nesse mercado os melhores aliados são aqueles em que te compreendem completamente, sem maquiagem moral e social e aceitam a sua presença por mais que os defeitos superem os benefícios. E arrisco dizer que garota seja uma das poucas dentro do universo profissional de Gus que tenha a decência de transformar aquele ambiente em algo realmente promissor, apesar de ser apenas uma jovem atriz que seja viciada em postar fotos no instagram.
Mas como todo Finale as pontas soltas tiveram que encontrar algum nó numa velocidade anormal. Não gosto muito de comentar cliffhangers pois geralmente os escritores/produtores costumam abrandar todos os assuntos com uma imprevisibilidade decepcionante, ainda mais quando o show em questão é apenas uma dramédia firme e sucinta que explora o amor e seus derivados. Mas que seria gostoso ver a Mickey interrompendo o beijo final com um “Que porra é essa?!” seguido de um tapa no rosto, ah seria! Mas, apesar de tudo, o encerramento funcionou. Despertou o interesse de continuar a acompanhar a vida desse casal recheado de inconveniências e ascendeu a ideia de progredir para uma próxima temporada mais sólida e engraçada.
No vida pós-amor o que nos resta é o progresso, mesmo que as batalhas sejam um pouco mais difíceis. O progresso é nada mais do que a saída para começar a amar a pessoa mais importante da sua vida: você mesmo.
❤1: Considero este episódio o mais divertido da temporada e já está na minha lista geral de favoritos.
❤2: Realmente, quando uma ex-namorada começa a namorar um DJ o sentimento deve ser devastador.
❤3: O que acharam do show? Na minha visão foi uma boa temporada, mas já vi comédias românticas bem mais engraçadas e irônicas. Obrigado a quem acompanhou comigo e até a próxima season!















