Horizonte de expectativas
Criado pelo crítico literário Hans Robert Jauss no século passado, o conceito de horizonte de expectativas é perfeitamente aplicável ao universo dos seriados e ao comportamento dos fãs na atualidade. Segundo o escritor alemão, este horizonte corresponde às expectativas que o leitor (no nosso caso, telespectador) nutre em relação ao texto, que sofrem alterações devidas às mudanças de perspectiva do observador.
Hoje em dia, a quantidade de seriados ofertados é enorme para tentar saciar os gostos mais variados. Porém, alguns produtos audiovisuais se destacam e, por isso mesmo, passam não apenas a determinar a forma como os demais devem chegar ao público, mas também como este deve se comportar frente a tantas possibilidades de consumir o produto e saber mais sobre ele.
Em alguns casos, virou quase uma obrigação (para quem quer se credenciar como verdadeiro fã) assistir ao programa e depois maratonar todas as análises sobre ele disponibilizadas em texto ou vídeo em sites, plataformas digitais e redes sociais.
Game of Thrones & Lost – Filhos pródigos
Game of Thrones é um fenômeno mundial, assim como Lost foi e continua a ser. O seriado da HBO domina e influencia de forma avassaladora o cenário pop atual, assim como o da ABC ditou o gosto do público durante anos e modificou a maneira de consumir narrativas televisivas.
Guardadas as devidas proporções – determinadas obviamente pelas circunstâncias de recepção entre as épocas de uma e outra obras ficcionais (tais como: aumento na pluralidade de recursos de exibição e compartilhamento advindas de novas plataformas midiáticas e da proliferação das redes sociais) – os dois seriados servem de referência para outros produtos do gênero.
Se, por um lado, não ignoramos que Game of Thrones nasceu de uma adaptação de uma série de livros anterior ao surgimento da trama dos sobreviventes do acidente aéreo; por outro, devemos fazer justiça: foi a partir da adaptação pelo canal a cabo que as As Crônicas de Gelo e Fogo vieram a conhecimento do grande público.
Desse modo, este texto busca traçar um comparativo entre as vicissitudes das ficcionais televisas frente ao modo como o público as consome (ou consumiu) desde as primeiras temporadas, estabelecendo, assim, os pontos de encontro entre as duas.
Em outras palavras: sabe aquela sensação de déja vu que Game of Thrones tem proporcionado? Ela tem um por quê. É fruto do contador de histórias que cada um de nós tem dentro de si, da bagagem de referências que carregamos, da forma como organizamos os clichês dos quais mais gostamos.
É lógico que seria possível delinear aproximações entre outros seriados, mas estes dois, Game of Thrones e Lost, pelo status adquiridos do qual falamos anteriormente, padecem dos mesmos males em suas retas finais, como demonstraremos abaixo.

O clichê, ops, o inverno chegou…
Game of Thrones possuía como grande trunfo narrativo uma galeria de personagens curvos. Na maioria dos casos, não havia uma clara distinção entre bons e maus. Assim como os sobreviventes em Lost nas primeiras temporadas, o povo de Westeros cometia deslizes, apresentava facetas menos nobres ou vivia momentos de redenção ou expurgação dos pecados.
Ao público, sempre era oferecida a dúvida quanto às reais intenções dos personagens. No caso de Game of Thrones, mesmo que os leitores dos livros que originaram o seriado já soubessem o que poderia acontecer, muita coisa era apenas insinuada e toda verdade tácita era colocada em suspensão. Resumidamente, não havia didatismo.
Isso porque as últimas temporadas colocaram em cheque o trunfo narrativo da dúvida, da curiosidade, que vinha dos livros de G. R. R. Martin. Meia dúzia de personagens foi catapultada à categoria de heróis e outro tanto a de (super)vilões. Sem espaço para meios termos.
Jon, Dany e Cersei, por exemplo, perderam grande parte da complexidade (fragilidades, mesquinharias ou contradições) e suas ações passaram a atender a clichês dignos de blockbusters. O mesmo ocorreu com Jack, Kate e Ben. Os personagens precisaram se adequar ao tamanho do seriado, perdendo com isso parte da essência para agradar ao maior número de pessoas possível.
Canal aberto, canal fechado & a demanda do público
Uma das cenas mais emblemáticas da sétima temporada de Game of Thrones foi a que deu início à missão de captura do zumbi. Era aquela uma referência ao Esquadrão Suicida, aos Sete Samurais, aos Setes Magníficos…? Enfim. Foram várias as possibilidades de leitura como toda boa obra audiovisual deve propiciar.
Alguns telespectadores, porém, deram contra a história de que queria contar, dizendo que não faria sentido, que o plano era inconsistente ou mesmo ridículo. Muitos ataques ao roteiro foram violentos, a ponto de tirarem um pouco do prazer de quem tinha gostado do chamamento à aventura.
Poderíamos dizer simplesmente que o certo é que gosto é gosto e quem se deixa influenciar pela opinião alheia paga o preço por essa escolha. Porém, é difícil separar o joio do trigo diante de uma avalanche de “influenciadores” e “especialistas” (que foram se avolumando ao longo das temporadas. Por vezes, com propósitos muito particulares quanto ao consumo do seriado.).
Assim como no auge do seriado da ABC, há quem procure erros em certas atuações de Game of Thrones como estratagema de reivindicar que os personagens não se comportariam de determinada forma. Porém, mesmos os melhores interpretes não conseguiriam driblar algumas armadilhas cênicas diante da polarização decretada pelo eminente fim da série de uma e outra série.
No caso de Game of Thrones, não há mais espaço para dúvidas ou elucubrações sobre os segredos mais íntimos dos personagens. Assim, tudo se tornou comodamente previsível para preencher um roteiro de rápida resolução. E nisso o público tem uma parcela de culpa, ansiando por mais e mais fan service ou rejeitando alguns plots inusitados. Vide os casos da euforia coletiva diante da confirmação de L+R=J ou total aversão dos fãs à suposta gravidez da Rainha Lannister.
Pior destino, porém, tiveram alguns coadjuvantes que passaram a surgir em cena meramente para servirem de ouvintes dos principais. São os casos dos antigamente interessantes Brienne, Varys e Theon.
Se antes havia espaço para eles desenvolveram suas próprias histórias e apresentarem suas versões dos acontecimentos, depois que foi decretado o fim do seriado na oitava temporada, eles passaram a dar as caras apenas para fazer um ou outro comentário sobre os dramas alheios.

Kate & Dany
Dragões e cavalos, dramaturgicamente, simbolizavam essas mulheres no início de suas narrativas e determinavam como as víamos: indomáveis, misteriosas, belas, arrojadas e livres.
Nas primeiras temporadas, as protagonistas exerciam forte influência sobre o público e os demais personagens, principalmente os masculinos, que chegavam a disputar a atenção delas. As duas personificavam, implícita e despropositadamente (?), o discurso do empoderamento feminino exigido por uma parte do público e o encanto e a malícia fantasiado por outra parte.
Além disso, compartilhavam um curioso subtexto: devido a traumas familiares, tinham dificuldade de se apegar aos outros, mas estavam sempre dispostas a ajudar os desconhecidos.
Dessa forma, tentavam purgar certa culpa pelo passado. No caso de Dany, a pecha de ser filha do Rei Louco e a necessidade de exercer o direito de subir ao trono de ferro. No caso de Kate, um assassinato em que se viu envolvida e o conflito entre não ser enxergar como uma criminosa, mas ter a consciência pesada.
Contudo, nas últimas temporadas, Dany e Kate tiveram seus dramas particulares diminuídos para darem espaço aos ships jonerys e jate. Reputados por uns, desejados por outros, esses dilemas amorosos estiveram sugeridos desde o início das histórias. Porém…
Com os ships, todo o hype proporcionado por essas mulheres, ao longo das temporadas, acaba se diluindo, pois as formações de casais beneficiaram, em termos de dramaturgia, mais aos personagens masculinos envolvidos do que os femininos. Daenerys e Kate saíram prejudicadas suas trajetórias, pois foram relegadas ao plano de interesses amorosos, a sombras de seus crushes.
Bela, recatada e do lar
É interessante sublinhar que o começo das mudanças no comportamento das personagens Kate e Daenerys foram justificadas pelos roteiristas sob o mesmo signo: lar! Ao voltarem para casa, as duas mulheres perderam suas forças. Como se seus lares aprisionassem suas personalidades.
Daenerys andou em círculos na 7ª temporada, seguindo opiniões alheias, tendo receio de tomar as rédeas de suas decisões na maior parte do tempo. Depois de cruzar o mar, Dany sustentou-se na figura da Mão da Rainha, Tyrion.
Kate, por sua vez, ao sair da ilha e abraçar a vida de Ocean Six, perdeu relevância em Lost. A essência da personagem foi quebrada ao assumir o papel de mãe do pequeno filho de Claire. Por isso, no encerramento da trama, ela relutou muito em aceitar o chamamento para voltar
Em grande parte, isso ocorreu por decisões de roteiro atribuindo às duas ações que entravam em conflito com as psicologias das personagens, a tal ponto dos fãs começarem a reclamar sobre perdas de essências: Cadê a minha Khaleesi? Por que a Kate não faz mais nada?

Jack & Jon
Entre uma infinidade de personagens, Jon e Jack foram paulatinamente elevados ao posto máximo de heróis abnegados. Nesse sentido, é curioso notar que nomes possuem nomes populares entre os americanos, simbolizando homens comuns.
Ou seja, subliminarmente os autores sugerem que se eles são capazes, nós também somos. Para que essa causa seja comprada, porém, em termos de roteiro é necessário que nos importemos com eles.
Apesar de Jon e Jack resolverem arriscar as próprias vidas em prol de causas maiores, o público precisa se importar com eles: dessa forma, eles são humanizados por histórias de amor. Eles não podem morrer, pois precisam concretizar os enlaces amorosos.
O Feio, o Sujo e o Malvado
Acima se falou das mudanças imputadas aos personagens principais dos seriados para agradar a média do público. Pior ainda foi o que se fez com alguns personagens centrais que acabaram rebaixados a secundários. Os exemplos mais clássicos são Tyrion, Jaime e Arya, que foram reduzidos a sombras dos protagonistas e cujas personalidades agora atendem ao samba de uma nota só.
O mesmo que aconteceu com Locke, Sawyer e Sayid na finaleira de Lost. Aliás, curioso notar como Locke e Tyrion tiveram suas tramas esvaziadas rapidamente, mas continuaram a ser queridos pelo público, mais pelo carisma de seus interpretes do que por méritos do texto.
Enquanto, os galãs imperfeitos (outro ponto de contato, outro clichê) Sawyer e Jaime foram perdendo complexidade e se tornando palatáveis à medida que seus segredos mais profundos vieram a conhecimento não apenas do público, mas dos demais personagens; os “assassinos com causa” Arya e Sayid acabaram por criar a mesma sensação dúbia nos espectadores de ambos os seriados. Do mesmo modo, assim como o “terrorista”, a “mulher sem face” deveria, cada nova aparição em cena, dar vazão à sanha assassina. Do contrário, tornar-se-ia tediosa para boa parte da audiência.

Bran & Desmond/Faraday/Eloise Hawking
Além do vai e vem temporal em suas mentes, todos esses personagens dividem outro traço em comum: a esperança depositada pelo público de serem as chaves da solução de todos os mistérios única e exclusivamente por seus “superpoderes”.
Antes da 7ª temporada estrear, o público delirava em teorias sobre o quanto Bran seria fundamental para a solução de vários nós dramáticos da série. O que se viu, contudo, corrobora de que ele segue o que mesmo caminho de seus colegas de prestidigitação.
Assim como Eloise ensinou, mesmo que se saiba os males que virão, não há como interferir nas ações. Ponto final. Bran pode até intervir, mas pontualmente, sem atrapalhar as grandes viradas propostas pelos roteiristas para os demais personagens.
Hodor & Jeremy Bentham
Quem está dentro do caixão? Esse foi o questionamento que fez muitos fãs de Lost perderem o sono durante muito tempo. O sétimo episódio da penúltima temporada trouxe a resposta e uma sina: depois da morte de Locke, todas as outras foram banalizadas ou não tiveram o mesmo impacto para o público até a chacina da series finale. Alguma semelhança entre o que ocorreu com o episódio envolvendo Hold the door?
Depois da morte de Hodor, um personagem querido pelo público desde a primeira temporada, os roteiristas de Game of Thrones pisaram no freio. As surpreendentes mortes de personagens centrais que fizeram a fama do seriado (como nos casos de Ned, Catelyn e até Joffrey) deram lugar a uma sensação de vazio. Houve muito rebuliço com a morte da princesa Shireen mais pela forma do que pela perda. O mesmo se pode dizer quanto a Ramsay. Pior destino, porém, tiveram Stannis, Rickon e todos os mortos no episódio da explosão do Septo de Baelor. Por quê?
O público de Game of Thrones, assim como de Lost, percebeu que as mortes seriam necessárias para encerrar a história e livrar-se de personagens secundários serviria para colocar o foco sobre os essenciais. Não foram poucas as especulações sobre quem morreria na sétima temporada. Porém, surpresa: numerosas também foram as reclamações de que “ninguém importante” morreu. Paradoxal, não?
Várias listas com os possíveis mortos na sétima temporada circularam pela internet, porém quase sempre com personagens secundários; haja vista que todo mundo sempre apontava um apreço por determinados personagens centrais. Mas não foi justamente isso que fez a série ganhar status?
O fato é que os sobreviventes na series finales não serão unanimidade, independentemente de quais forem. Exatamente como aconteceu com Lost.

O inimigo vem de fora
Nas primeiras temporadas, os grandes desafios enfrentados pelos personagens de Lost era buscar a harmonia entre eles mesmos, desvendar as circunstâncias estranhas da ilha e, principalmente, buscar uma forma de sair da ilha. Nas últimas, depois do “resgate” dos Ocean Six, tudo passou a ser: como enfrentar a eminente destruição da ilha pelas mãos de Charles Widmore, catapultado ao status de vilão máximo.
Assim como o vilão Ben(jamin) Linus, até então a pior pessoa da ilha, nas últimas temporadas, perderam força várias teorias viralizadas entre os fãs. Além disso, muitos mistérios ficaram sem resposta. O que, para parte do público, foi (e continua a ser) uma experiência frustrante.
Se as intrigas palacianas, o sexo e a nudez desglamourizados, as mortes inesperadas eram um grande atrativo para os fãs das primeiras temporadas de Game of Thrones, agora o foco para a última temporada parece ser outro: como enfrentar os White Walkers e sua horda de mortos-vivos.
Cersei Lannister sempre foi a grande vilã de Game of Thrones. Na sétima temporada, porém, apresentou um perfil à altura de Ben Linus. Depois da morte dos filhos (ele também perdeu uma), Cersei oscilou entre a loucura e a sagacidade (outro ponto em comum).
Exatamente como Ben, ela foi, o tempo todo, muito mais esperta do que todos os adversários, antecipando seus passos, manipulando possíveis aliados e mentindo com maestria. Contudo, assim como ele, perdeu parte da credibilidade junto ao público (que não comprou, por exemplo, da gravidez)
É interessante notar ainda que Charles e o Rei da Noite foram “criados”, respectivamente, pela Dharma e pelos Filhos da Floresta. Existe, portanto, a grosso modo, uma correspondência entre o líder dos caminhantes brancos e o poderoso dono das empresas Widmore. Ambos são frutos dos primeiros habitantes e almejam a destruição do espaço e dos habitantes do lugar a que pertenciam e são aterrorizantes por quererem desestabilizar a ordem tanto para os personagens quanto para o público.
Ursos polares & e os estudos de caso
Em Lost e Game of Thrones ursos polares, vivos ou mortos, são bem-vindos e facilmente assimilados, mas suspeitas de gravidez são colocadas em cheque e longamente debatidas, precisam fazer sentido. Por quê?
Da mesma forma que, na época, muitos torceram o nariz ao ver a origem da Fumaça que perseguia os sobreviventes do avião, outros tantos não aceitaram a ideia de que uma “simples” lança pudesse matar um dragão. Em ambos os casos, tudo poderia ser explicado com uso de magia. Mas, por que a justificativa não seria aceita?
É curioso notar, porém, como o público compra mais facilmente a fantasia desbragada, mas rejeita o que tem um pé no mundo real. Aceita tudo o que envolve curas miraculosas e/ou ressuscitações, seres atemporais (o Corvo de Três Olhos e o Imortal Richard, aqueles que guardam os segredos) e figuras místicas (O Senhor da Luz e Jacob, aqueles que definem os escolhidos), mas polemiza sobre a origem das correntes usadas pelos wights ou sobre como a roda controlava a fonte de energia vital da ilha.
Mais divertida, contudo, é a postura de uma parcela de fãs (valendo-se do título de mais nerds do que outros nerds) que procura explicações nas ciências exatas ou naturais do mundo real para se colocar tanto a favor quanto contra determinada decisão de roteiro. Em alguns casos, esse posicionamento torna a experiência de acompanhar os programas mais interessantes, pois aprofunda determinado tema que não é de conhecimento público. Em outros, o didatismo soa como pura má vontade e vira uma busca para quebrar a credibilidade de um produto que gera entretenimento para os outros. Quanto tempo uma geleira leva para se reestruturar? Quanto tempo um corvo leva para voar de um lado a outro do continente?

O início do fim
Diante do exposto, é muito possível afirmar que existe a possibilidade de que, a exemplo do que ocorreu com Lost, algumas respostas esperadas pelos fãs de Game of Thrones e alçadas como primordiais pelos fãs mais dedicados não sejam respondidas, única e exclusivamente porque não essenciais ao seriado em si, não fazem diferença para a compreensão e/ou apreciação da história.
Convenhamos que a materializações de cleganebowl, valonqar, azor ahai e afins podem representar muito para várias pessoas que se dedicam às teorias, mas a não entrega destas respostas não significaria uma falha de roteiro, simplesmente porque a história a ser contada prescinde de certos elementos canônicos aos livros, mas não à adaptação televisiva. Por que mesmos os números (4, 8, 15, 16, 23 e 42) eram importantes?
As numerosas e cansativas lamúrias de alguns “especialistas” sobre a insensibilidade de Rhaegar com a anulação do casamento diante do “triste” fim de Elia Martell e seus filhos, personagens que apenas foram citados no seriado, demonstram o quanto a sexta temporada foi vítima de um paradoxo: há quem critique algumas decisões de roteiro por entregarem o que os fãs queriam ver e, ao mesmo tempo, queira que as próprias vontades e fantasias sejam saciadas.
O que o público fiel de Game of Thrones continua, com precisão, a louvar é o fato de a série nunca entregar exatamente o que se quer ou da forma que se quer. Nisso, cabe o grande mérito dos adaptadores: eles fazem o que podem com um material não totalmente original e do qual tantas pessoas já se apropriaram para fazerem suas próprias versões.
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Um exemplo muito claro disso tudo foi a forma como surgiu o Dragão de Gelo. Ops! Quase. Um Dragão Zumbi, com fogo azul, mas o mesmo efeito catártico, claro. O animal mais fantástico do que os fantásticos irmãozinhos não brotou de dentro da muralha, mas surgiu imponente e atemorizador nos minutos finais da season finale. É por esse tipo de surpresa e emoção que se deve esperar na series finale, em termos de narrativa e de experiência como expectador. Horas de entretenimento e escapismo em tempos de realidade difícil. Não mais do que isso!













