Sim, sim e sim. Um episódio após outro e fica inevitável não se apaixonar pelo roteiro de Limitless. Uma história bacana, que muda de perspectiva lentamente, mas que nos deixa com a esperança que há uma evolução em torno dos personagens. Tal mudança durante o desenvolvimento da temporada não nos livrou de um procedural estranho, que envolveu, um pó biológico, uma aposta, aliens e Joy Division, não necessariamente nesta ordem.

Como eu tenho dito, são menos importantes estas histórias semanais, ao menos no caso de Limitless. Eles são tão malucos e estranhos, que pode ser um fator que desanima aqueles que acompanham a série desde o início. Não duvido que se a audiência não foi estável neste período, desde a estreia, se dá pelos plots secundários.

Brian está entediado, embora saiba que os motivos de tal tédio são suas angústias em relação a saber quem ele é após um grande período ingerindo a substância que o faz especial. Essa dicotomia (por vezes tricotomia) que a personagem vive é muito bem explorada por roteiristas e produtores. É por conta dos seus questionamentos, que ele resolveu ligar o famoso botão do “f*da-se” e passou a usar o NZT “fora” do local de trabalho. Esta aventura acabaria levando às principais pistas do caso da semana: um blecaute em Manhattan que começara pelo centro financeiro da “cidade que nunca dorme”.

Desinteressante, passou, embora tenha começado envolto de um mistério até então interessante. O que era relevante mesmo era a forma como a dependência da droga foi tornando o sempre doce Brian em um cara arrogante, embora o que ele tenha dito para Rebecca tenha lá suas verdades. Vamos lá. Sim, ela só tem interesse profissional nele justamente pelo que ela mesmo salientou: “você é imune aos efeitos colaterais do NZT”. Portanto as inseguranças que ele possui sobre seu “it” não encontram descanso e refúgio nos braços da agente. Por outro lado, fica claro que a moça não tem talentos para um relacionamento além do corporativo. Seu último namorado foi uma prova contundente que Harris tem dificuldades para lidar com os combos das adversidades dentro de fomentos interpessoais. Em suma: ela nao segura a onda.

O Brian que explodiu com a agente federal mostrou-se absolutamente frágil, só superando este momento especial quando foi constrangido pela sua mãe sobre a presença de NZTs extras na sua residência. Algumas coisas me chamaram muita atenção nesta cena interessantíssima no episódio. Os laços que ele tem com os Finch volta e meia sobem à superfície. Uma das suas dores mora no fato de não dizer a verdade para todos. Como explicar que ele trabalha para um dos maiores escritórios do mundo porque seu “vício” o torna um super-herói sem capa?

A língua grande de Rachel ao mesmo tempo que dedurou o irmão expondo sua condição para família, também revelou que o olhar de Finch estava contagiado por uma autoconfiança abalada e dependência química ainda não percebidos até aqui. Além de perder da porção extra, certamente passará a ser visto mais de perto por seus pares (leia-se Mike e Ike), já que perdeu a credibilidade.

Foi justamente essa ruptura provocada pela mentira e falta de confiança que estremeceu o relacionamento dele com Rebecca, que se abrira a respeito das chagas não cicatrizadas por conta da morte do pai , o que fez ela querer entender muito mais do que os efeitos miraculosos do NZT. Essa Rebecca, que é mostrada no “previously”, é a mais sensível que Finch encontrara desde que passou a ser um consultor no FBI.

Pressão familiar, briga no trabalho e problemas com a autoconsciência, o que isso poderia causar? Brian “caiu fora”. Tinha dificuldades de manter as coisas como elas estavam. Impressionante como “Close Encounters”, assim que resolve o procedural, entra numa onda meio down, onde todos os personagens (especialmente a cena em família) começam a questionar um pouco das suas relações (assim como aconteceu com Ike em relação a Rachel) e muitas dúvidas pairam no ar.

O episódio 17 desta temporada foi um dos meus preferidos pela faceta dramática exposta na vida do personagem principal, onde o alívio cômico deu lugar a uso econômico dos efeitos visuais e textos mais profundos, elevando em alguns pontos as qualidades da série da CBS. Para onde a série irá nos levar?

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