É a partir da importância do personagem Brian que a gente continua admirando a série, embora minha torcida no momento é que ele não seja a única estrela desta constelação, porque mais uma vez, o episódio não foi lá estas coisas.

O que me surpreendeu mesmo foi a atuação do coadjuvante,o jovem ator Derek Goh, que interpretou o bom moço Chris Harper, irmão do perdido Sam Harper, rapaz que estaria envolvido na construção de bombas artesanais de forte prejuízo. Goh foi bem na escolha do tom de sua interpretação, merecendo até mais destaque que seu irmão – este sim – muito falado, mas que recebeu apenas uma cena, numa emboscada tramada pelos federais. Sua morte, inclusive, foi uma surpresa, já que não é muito comum que personagens com seu perfil não sobrevivam.

E de resto?

O de sempre. “Personality Crisis” nos apresentou de novidade a continuidade da conversa que Finch tem com seu alter ego com NZT. O badass Finch começa a interferir, de maneira mais efetiva, nas decisões que Brian precisa tomar. Por isso, o iniciozinho do episódio, foi a diversão de sempre. A criatividade da rapaziada que dirige e produz a série continua em um nível bastante satisfatório. As piadas, referências e deferências da história com a cultura pop (desta vez Bruce Lee foi o homenageado), continua merecendo louvor. Porém, infelizmente, Jake McDorman é a única estrela de Limitless. Até o momento, seu destaque não pode ser dividido com ninguém e eu torço para que o ator pegue um blockbuster pela frente e possa espalhar seus skills e carisma na telona, mas será que isso é suficiente?

A fragilidade do roteiro – que eu tenho chamado de periférico – expõe os problemas de elenco que a Limitless possui. Se juntar Jennifer Carpenter, Hill Harper e Mary Elizabeth Mastrantonio, não dá para tirar metade do que McDorman tem aprontado nos episódios. Como mero co-adjuvantes e escada das situações que Finch se envolve, o núcleo do FBI fica atrás de Mike & Ike, silenciosamente engraçados e com papel muito menor do que os atores já conhecidos. Exijo mais de Carpenter, que tem uma interpretação fria e sem química com Jake. Até Colin Salmon, com participações diminutas, consegue dar seu DNA para o misterioso sr. Sands. Se Jake pudesse ter ao menos uma companheira de cena, que estivesse sob o esforço de elevar o show para seu público, poderíamos aguardar, que em um dia ruim do ator, ela pudesse oferecer uma melhor atuação.

Se deixarmos de lado o destaque que estamos dando ao ator, o que sobra? Pouco ou quase nada. Nem o mistério em torno dos interesses do senador Morra são suficientemente atraentes para manter a gente ligado.

Em “Personality Crisis” Finch ainda tentou dialogar com Sands sob a possibilidade de troca de informações. Ele quer saber os efeitos do NZT na vida do pai de Rebecca. Em contra-partida, manteria o jogo duplo de ceder mais informações sobre o andamento do processo da droga dentro das cercanias do FBI. O máximo que conseguiu foi uma ameaça velada à sua família e mais uma reclamação sobre a bebida que ele reserva às visitas.

Fato é que se tirarmos a moldura legal produzida pelo pessoal dos efeitos especiais, Limitless esbarra na exaustão das perguntas inseridas logo no piloto. Até quando o carisma de Jake McDorman será o único responsável por segurar a onda de quem assiste ao programa?

Ao menos contar a verdade sobre as pseudo-descobertas que fez, abre mais uma possibilidade de enfrentamento entre ele e Rebecca, fria além do que se espera, fraca como se teme. Era a atriz quem caberia a responsabilidade de levantar a bola para McDorman cortar. O que acontece é que Carpenter é a própria bola.

Por outro lado, vai ficando mais claro, que mesmo que as premissas dos episódios estejam cada dia menos compromissada com a qualidade, que o humor é um ingrediente indispensável para o canal CBS. Quando Finch blefa, sobre a possibilidade de controlar seu sistema urinário, confesso que pensei que mais um viés do personagem haveria de se revelar. Nada. Era apenas um argumento interessante para mostrar o aperto (literal) que sua personagem iria passar. Com seu jeito bonachão, Finch é mais normal do que parece. Mesmo quando usa o NZT, não consigo desassociar o “badass” daquele que pensa politicamente correto e que não está disposto a cometer nenhum desatino. O problema é que o que hoje é diversão, amanhã pode ser o fiapo que sustenta a série na TV.

E por fim, o namorado de Rebecca não pareceu ser um personagem muito confiável. Quase aos quarenta e cinco do segundo tempo, fez perguntas demais para seu par, que de maneira tranquila, não foi além de dizer que “Finch aprendia muito rápido”, quando questionada sobre as habilidades do consultor no aprendizado da defesa pessoal.

A série precisa, já tão cedo, de uma sacudida, para que não fique estribada na força de um só personagem, tirando da sua própria essência, valores de entretenimento além dos efeitos especiais e da força de McDorman.

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