A revelação da verdadeira identidade do mal.
A trajetória de David até alcançar a vilania de Legion não é novidade ou spoiler para ninguém que acompanha a série, até mesmo entre aqueles que não leem os quadrinhos. A convicção desse fato está diretamente ligada à construção da segunda temporada voltada em expor as inúmeras faces de David e certos condicionantes emocionais que, em algum momento, iriam romper com sua obediência e aceitação. Dessa forma, Chapter 19 seria o derradeiro desfecho fatídico daquilo que todos esperavam e, até mesmo, ansiava em testemunhar.
Nesse sentido admito minha observação que a série foi além do que eu esperava, principalmente no que se refere ao relacionamento entre Syd e David, ou melhor, quanto à maneira como ela foi manipulada pelo homem que ela acreditava amar. Podemos dizer que Chapter 19 apresenta a desconstrução do herói baseada na premissa de que tudo em que se crê nasce de uma ideia implantada. E aqui, a ideia era a benevolência de David e o amor de Syd.
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Se voltarmos a episódios anteriores e transcorrermos sobre os acontecimentos será possível perceber que a série nunca objetivou nos enganar quanto à personalidade de David, de fato, o que houve foi a desconstrução de estereótipos, afinal de contas, ninguém pode descrever o bem e o mal com tanta distinção entre ambos. E o iludido aqui foi ele mesmo, responsável e vítima de uma simples ideia capaz de distorcer a realidade para todos ao seu redor, especialmente Syd.
Isso não quer dizer que o sentimento que ela sentiu não foi real. Na verdade, acredito que ela realmente amou, mas sua adoração foi por alguém que não existia. E para quebrar com essa perspectiva ilusória, o penúltimo episódio foi crucial para essa derradeira e perfeita Season Finale, pois era necessário que Syd perdesse sua inocência e nos guiasse nos caminhos das memórias para realmente enxergar Legion dentro de David. Nesse sentido até peço permissão para corrigir minha afirmação de início, sentenciando que David não se torna Legion, na verdade, ele se revela para o mundo.

Essa perca da inocência também nos guia aos caminhos da realidade, posicionando Oliver e Melanie, com seu amor indestrutível, como lembranças de um mundo que não mais existe. Memórias registradas em um “bunker” pós apocalípticos, talvez, ou apenas um vídeo antigo de tempos onde o amor era algo além de uma ideia.
É interessante observar que diante à tanta insanidade proposta pela série, Chapter 19 é admissível, aliás, diria que era algo obviamente esperado. Não porque somos videntes, era esperado porque nada é o que parece e David sempre buscou demais a própria “santidade” durante duas temporadas, que praticamente, era difícil de acreditar que ele seria o único elemento puro no meio de tantos “pecadores”.
Mas nada é tão simples ou tão exato. É parte da natureza humana buscar padrões para não se levar à insanidade. E para que isso não ocorra tão facilmente, Legion decide “brincar” com o telespectador quanto à certeza dos “mocinhos e bandidos” da série, encerrando as histórias implícitas de cada episódio, com o capítulo 12: O Julgamento do Rei das Sombras.
“O Homem são é o que está louco. Já que o normal é aquilo sobre o que nove sábios concordam, destinando o décimo sábio a morrer na forca. ”
Afinal de contas, porque David é alguém tão cruel por desejar ser amado e acreditar em ser alguém do bem? Porque ele drogou e fez sexo com Syd… por outro lado, Farouk torturou a irmã de David e deu o seu corpo para Lenny. Porém, ninguém nunca te disse que havia um “mocinho” nessa história. Nem sequer um herói, ainda que Syd tenha se autodenominado como tal.
Talvez seja essa temática lunática e sem padrões que faça com que Legion seja tão sedutora. Ou o fato de que humanos são incertos, imperfeitos e terrivelmente cruéis diante ao medo ou de seus objetivos.
Assim como foi Melanie quando quis reencontrar Oliver; ou Farouk em busca de seu corpo; ou Lenny tentando encontrar a liberdade; Clark querendo conter os poderes de David; Syd acreditando em poder impedir o fim do mundo e David buscando a benevolência dentro de si.
Nesse emaranhado não encontramos nada além do comportamento mais básico do egocentrismo humano, onde toda essa crueldade perversa e sem limites se transforma em uma análise complexa e confusa da psique humana. Sem dúvidas, é uma loucura viciante! E queremos mais para a terceira temporada.






















