Chapter 16 talvez tenha sido um dos episódios mais similares aos plots da primeira temporada de Legion. Neste caso, a pergunta seria: Isso é bom ou ruim? E como resposta, posso usar a lição mais perspicaz que aprendi durante a vida: Tudo depende!

Se pensarmos sobre o ponto de vista “o que diabos está acontecendo”, a estrutura da segunda temporada nos trouxe mais esclarecimentos em cada um dos episódios, permitindo-nos-investigar mais e elaborar planos complexos envolvendo David e Farouk. Mas tudo que é muito claro e objetivo “rouba” as possibilidades de questionar a verdade, e esse seria o ponto não tão positivo de uma temporada inteira bem explicadinha.

Para validar esse ponto de vista, especulei no histórico das narrações de Oliver e suas discussões filosóficas… A questão é que suas perspectivas e conclusões também nos levava ao caminho único de sua interpretação. A ideia de um enredo que poderia resultar em um prisma de conclusões fechava-se sob a ótica exclusiva de Oliver, podendo essa visão ser nítida ou desfocada. E então…. Para lhe dar a chance de observar o mundo além das sombras projetadas na parede, o pano de fundo de Chapter 16 aborda o Mito da Caverna de Platão sob a perspectiva de Saramago.

“A Caverna” é o livro do escritor que aborda o fato de que a atual sociedade possa estar a viver na Caverna de Platão. Curiosamente, o autor critica enfaticamente o domínio contemporâneo da arte audiovisual e o quanto ela pode nos transformar em observadores de sombras enquanto “perdermos” o mundo real… A questão é que tudo torna-se alienação quando negamos uma segunda, terceira ou inúmeras opiniões diante a debates reflexivos e esclarecedores, capazes de romper a barreira limitante da própria ignorância.

Por um momento esqueça a crítica social sobre celulares, internet e a falta de contato da sociedade com o mundo, e pense sobre Legion…

Estaria Oliver falando com o próprio telespectador para abrir a mente e estar atento às inúmeras possibilidades que a arte de Legion pode lhe proporcionar se sua imaginação não estiver apenas atrelada, exclusivamente, às narrações?

Assim como comentando anteriormente, a estrutura do episódio se assemelha às confusas apresentações da primeira temporada e isso ficou bem claro durante a explicação da história de Fukuyama e sua conexão com o Mainframe e, também, as Vermillions. Mesmo que confuso, em nada foi difícil de entender e muito menos interessante de admirar a exploração das perspectivas visuais abordadas pelo episódio que transita entre cores claras e contextualizações históricas, ao mesmo tempo em que viaja em uma vibe tecnológica futurista para mostrar Ptonomy, (preservado como código), dentro do sistema.

Entendendo claramente a programação a qual fora inserido, Ptonomy navega entre as “pastas” ou “arquivos” de Fukuyama e encontra o Monge na “lixeira”, (ainda não eliminado por definitivo). Podemos interpretar isso como uma falha de Fukuyama ou, simplesmente, uma excelente saída para fornecer a localização do corpo de Farouk para David.

Talvez, a partir desse ponto, as coisas ficaram mais confusas do que deveriam, (em minha opinião).

É claro que David não seria estúpido de encontrar Le Désolé, (podemos traduzir como: A Lamentação), e entregar a barganha de presente a Farouk. Mas o que exatamente ele fez ali? Colocou um pedaço do mapa em cada um dos amigos com um “alarme” para acordar e ir atrás dele?

Se foi exatamente isso, por que Syd não foi usada? Seria porquê a Syd do futuro revelou a localização da motorista dos monges para Farouk? Quero dizer, se ela não faz parte do plano e entrou no plano por livre arbítrio, tudo tende a dar errado. Ainda assim, vamos aos fatos:

  1. Na criação de seu território de batalha, David revela Lenny enquanto um carro pega fogo ao fundo;
  2. Então, Cary e Kerry investigam o local do carro queimado com um grupo de agentes e ela encontra um rastro;
  3. Ele mostra o dedo para Farouk. (Seria aquele o carro em que Oliver dirigira?);
  4. Em seguida, Clark vai ao deserto com duas Vermillions e três agentes;
  5. Por fim, temos a foto da terceira Vermillion no topo de um monte ao lado da imagem de um diapasão. Esse diapasão também aparece nas ideias inseridas na mente de Clark ou Cary.

Neste elaborado plano, David se esqueceu de Melanie, o que Oliver não fez. E enquanto Lenny consegue acordar para a primeira parte do plano, Clark tende a ser a vítima que levará ao desastre dessa equação.

Ao que tudo indica, o relacionamento entre David e Syd será crucial para o sucesso dessa operação, mas a conexão de confiança entre o casal pode ter sido afetada pela Syd do futuro. O episódio não nos deixa no escuro quanto a essa questão, mas tudo ainda é muito subjetivo. Porém a triste história de amor contada por Clark se encaixa muito bem ao contraste dos esqueletos do casal no deserto…

O namorado que pulava de aviões para se distanciar até o dia em que o paraquedas não abriu…

Após todo o aprendizado de Chapter 12, não podemos nos esquecer que houve Chapter 13 e David perdeu sua irmã nessa história. Logo, ele aprendeu mais rápido do que Syd esperava de que o amor não vai vencer essa guerra. Le Désolé não é um deserto qualquer e tende a tornar-se a lamentação de quem se aventurar por suas armadilhas sem estar preparado. Então a pergunta que não quer calar é:

O plano de David está preparado para o caminho da lamentação?

REVISÃO GERAL
Nota:
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legion-2x08-chapter-16Legion decide entregar as rédeas da interpretação nas mãos do telespectador, apresentando um episódio com características mais destacáveis da primeira temporada. Chapter 16 é confuso, mas repleto e informações e elementos que nos guia ao caminho do “tesouro” objetivado dessa temporada.